Campos não contará com voos diretos vindos do Aeroporto Santos Dumont a partir de domingo

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Mudança foi justificada devido às restrições de capacidade operacional impostas ao aeroporto / Foto: Crédito: Divulgação/infraroi.com.br/

Mudança foi justificada devido às restrições de capacidade operacional impostas ao aeroporto

A Azul, uma das principais companhias aéreas do Brasil, anunciou mudanças significativas em suas operações de voos partindo do Aeroporto Santos Dumont. A partir de 1º de outubro de 2023, a empresa suspenderá os voos diretos do aeroporto localizado no Rio de Janeiro, para diversos destinos, incluindo Campos dos Goytacazes (RJ), devido às restrições de capacidade operacional impostas ao aeroporto.

Vale ressaltar que atualmente, a companhia é a única a disponibilizar voos diretos do aeroporto carioca para a cidade localizada no Norte do Estado. Portanto, a partir deste domingo (01), não haverá mais essa possibilidade.

Em resposta a essas limitações, a Azul suspenderá temporariamente os voos diretos do Santos Dumont para as seguintes cidades:

  • Brasília (DF)
  • Campos dos Goytacazes (RJ)
  • Florianópolis (SC)
  • Maceió (AL)
  • Porto Seguro (BA)
  • Vitória (ES)

Além disso, a partir de 29 de outubro de 2023, a Azul também suspenderá os voos diretos do aeroporto para Goiânia (GO).

A companhia informou que os passageiros afetados por estas alterações receberão toda assistência necessária. Os portadores de passagens nas rotas suspensas receberão atendimento de acordo com as diretrizes previstas na Resolução 400 da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC). Isso inclui reacomodação em voos alternativos da Azul ou reembolso total do preço da passagem.

A Azul destaca ainda que, como empresa competitiva e atenta ao mercado, está sempre em busca de oferecer a melhor experiência de viagem aérea no Brasil.Fonte: Ururau

Por site Ururai

Deputado petista apoia PEC que limita poderes do STF

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A iniciativa, liderada por grupos políticos conservadores, especialmente da bancada ruralista, surgiu em resposta às recentes decisões do STF, incluindo aquela que derrubou a tese do marco temporal para a demarcação de terras indígenas

A Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que visa limitar os poderes do Supremo Tribunal Federal (STF) recebeu a assinatura de apenas um membro do Partido dos Trabalhadores (PT) na Câmara dos Deputados.

O autor da PEC, o deputado Domingos Sávio (PL-MG), conquistou o apoio de 175 parlamentares, superando o mínimo exigido de 171 assinaturas. A iniciativa, liderada por grupos políticos conservadores, especialmente da bancada ruralista, surgiu em resposta às recentes decisões do STF, incluindo aquela que derrubou a tese do marco temporal para a demarcação de terras indígenas.

O único representante do PT que endossou essa proposta foi o deputado Elton Welter, do Paraná. Welter, que anteriormente serviu como deputado estadual no estado, dedicou seu mandato à defesa da agricultura familiar, mostrando assim um posicionamento que diverge do restante de seu partido em relação a essa PEC.

O que esperar do embate entre Congresso e STF?

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As tensões entre os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário atingiram um ponto crítico, com o Supremo Tribunal Federal (STF) frequentemente no centro das controvérsias

Vivemos em tempos turbulentos no Brasil, e a crise institucional que se desenha à nossa frente não pode ser adiada. As tensões entre os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário atingiram um ponto crítico, com o Supremo Tribunal Federal (STF) frequentemente no centro das controvérsias. A liberdade de expressão e o equilíbrio entre os poderes estão em xeque, e é fundamental discutir como chegamos até aqui e para onde o Brasil está indo.

Desde a decisão de soltar o ex-presidente Lula, o Brasil testemunhou um agravamento constante das tensões políticas e institucionais. O Congresso Nacional declarou greve e apresentou uma PEC para conter o poder do STF, sinalizando a profundidade da crise. A polarização ideológica e as disputas políticas estão minando a estabilidade do país, e é importante avaliar como chegamos a esse ponto.

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O STF, uma instituição fundamental para a democracia brasileira, tem sido criticado por muitos como agindo de maneira arbitrária e autoritária. As decisões da corte têm gerado controvérsias, desde restrições à liberdade de expressão até intervenções em questões legislativas. É crucial que as instituições públicas atuem de maneira imparcial e dentro dos limites de suas competências.

A recente mobilização do Congresso Nacional para conter o poder do STF levanta questões fundamentais sobre a divisão de poderes e a democracia brasileira. A proposta de uma PEC que permita ao Congresso anular decisões do STF com uma maioria de 3/5 é um reflexo do desejo de reequilibrar as instituições. No entanto, é importante lembrar que soluções simples podem não resolver problemas complexos.

Esta crise institucional exige uma reflexão profunda sobre o papel do Estado e a liberdade individual. É um momento para debatermos o que é justo, o que é certo e como podemos construir um Brasil mais estável e livre. Precisamos aprender com os erros do passado e buscar soluções que fortaleçam nossas instituições democráticas.

A tempestade está sobre nós, mas não podemos perder a oportunidade de aproveitar este momento para repensar o Brasil. Devemos honrar todos os brasileiros que estão sofrendo com essa crise, trabalhando juntos para construir um país mais justo, equilibrado e próspero. A crise é uma oportunidade para aprender e evoluir, garantindo que não repitamos os erros do passado.

Vamos acompanhar de perto os desdobramentos desta crise, torcendo para que o Brasil encontre seu caminho rumo a uma sociedade mais democrática e livre. O futuro está em nossas mãos, e é nossa responsabilidade moldá-lo de forma positiva.

PEC: Permuta de juízes e perda de nacionalidade serão promulgadas na terça

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Está agendada para a terça-feira (3), às 15h, sessão solene do Congresso Nacional para a promulgação de duas novas emendas à Constituição. Uma dela…

Está agendada para a terça-feira (3), às 15h, sessão solene do Congresso Nacional para a promulgação de duas novas emendas à Constituição. Uma delas (a Emenda Constitucional 130) cria a possibilidade de permuta entre juízes estaduais de diferentes tribunais. A outra (Emenda Constitucional 131) extingue a possibilidade de perda da nacionalidade originária para os brasileiros que adquiram outra nacionalidade.

A EC 130 tem origem na PEC 162/2019 , da então deputada federal Margarete Coelho (PI). O texto que será promulgado estabelece a possibilidade de permuta de juízes estaduais “de comarca de igual entrância, dentro do mesmo segmento de Justiça, inclusive entre os juízes de 2º grau, vinculados a diferentes tribunais, na esfera da Justiça estadual, Federal ou do Trabalho”. A mudança valerá apenas para a permuta entre juízes, não alterando o sistema de remoção a pedido. A medida foi sugerida pela Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB).

Atualmente apenas juízes federais e do Trabalho podem pedir permuta. Juízes estaduais já podem mudar de comarca dentro de um mesmo tribunal de Justiça, mas devem ser aprovados em novo concurso público se quiserem atuar em outro estado. A permuta exige a concordância dos magistrados envolvidos.

Nacionalidade mantida

Atualmente a Constituição prevê a perda de nacionalidade brasileira em caso de aquisição de nova nacionalidade, com apenas duas exceções: se a lei do outro país reconhecer a nacionalidade originária ou se impuser a naturalização como condição para a permanência no país. Com a mudança promovida pela Emenda Constitucional 131, o cidadão apenas perderá a nacionalidade brasileira se fizer um pedido expresso por escrito, e mesmo assim poderá readquiri-la.

Ainda será preciso que a legislação defina como acontecerá essa reaquisição. Os termos atuais para reaquisição de nacionalidade brasileira exigem a renúncia à nacionalidade estrangeira adquirida ou então a comprovação de que há enquadramento nas duas exceções que a Constituição estabeleceu.

A Constituição também determina a perda de nacionalidade para os brasileiros naturalizados (ou seja, que não nasceram no Brasil) em caso de “atividade nociva ao interesse nacional”. A PEC substitui essa terminologia por duas hipóteses: caso de fraude no processo de naturalização ou de atentado contra a ordem constitucional e o Estado democrático. Em ambos os casos é necessário sentença judicial.

A EC tem origem na PEC 6/2018 , apresentada em 2018 pelo então senador Antonio Anastasia (MG). A proposta foi inspirada no caso da brasileira Claudia Hoerig, que teve a perda da nacionalidade brasileira decretada por ter se naturalizado norte-americana. Conforme observou Anastasia à época, o caso trouxe à discussão o tema da dupla cidadania ou da perda de nacionalidade brasileira, regulado pelo artigo 12 da Constituição.

Em 2019, Claudia foi condenada nos Estados Unidos pelo assassinato do marido, ocorrido em 2007. Refugiada no Brasil, foi extraditada para os Estados Unidos, apesar de a Constituição proibir a extradição do brasileiro nato para responder por crimes no exterior. Isso só pôde acontecer porque o Supremo Tribunal Federal (STF) entendeu que Claudia deixara de ser brasileira, por vontade própria, para tornar-se unicamente cidadã norte-americana, antes da data do assassinato. Essa decisão, no entanto, foi inédita, de acordo com o autor.

Alcolumbre “joga areia na farofa” de Flávio Dino

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Alcolumbre “joga areia na farofa” de Flávio Dino

No cenário político de Brasília, as chances do Ministro da Justiça, Flávio Dino, ser indicado para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF) parecem estar se reduzindo. Apesar de ser considerado o favorito pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, as complexidades políticas em torno dessa possível nomeação têm se agravado, com articulações nos bastidores que podem dificultar o caminho de Dino para a mais alta corte do país.

A reviravolta mais recente nesse enredo político ocorreu durante o aniversário do senador Renan Calheiros (MDB-AL), quando Flávio Dino abordou o senador Davi Alcolumbre, presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. Dino fez uma tentativa conciliatória, pedindo a Alcolumbre: “Não me queira mal, presidente.” No entanto, a resposta de Alcolumbre lançou luz sobre as complexidades políticas envolvidas, quando ele afirmou: “O seu problema não sou eu, é o PT. O PT quer a vaga, e tu és do PSB.” Esse diálogo amistoso evidenciou que o caminho para a indicação de Dino está repleto de obstáculos.

Malu Gaspar, colunista política renomada, informou que Alcolumbre tem compartilhado em reuniões com outros senadores que Flávio Dino enfrentará dificuldades significativas para ter seu nome aprovado no plenário do Senado, caso seja o escolhido de Lula. Essa é uma questão fundamental, pois o indicado para o STF só pode assumir o cargo após ser sabatinado na CCJ e obter a aprovação do plenário, necessitando de pelo menos 41 dos 81 votos dos senadores. A estratégia de Alcolumbre, capitalizando a hostilidade de bolsonaristas em relação a Dino, busca minar suas chances e criar um ambiente de desconfiança tanto no governo quanto na base de apoio de Lula.

À medida que as negociações políticas prosseguem e os interesses partidários se chocam, o destino de Flávio Dino no Supremo Tribunal Federal permanece incerto. O tabuleiro político brasileiro continua em constante evolução, e somente o tempo revelará o desfecho dessa disputa nos bastidores do poder.

Após ameaçar Nikolas, deputada do PCdoB dá “cambalhotas retóricas” e denuncia o ameaçado na PF

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Jandira Feghali, do PCdoB-RJ, empregou ameaças físicas contra Nikolas Ferreira, do PL-MG, durante um episódio caótico na sessão parlamentar

Um confronto digno de um circo de horrores entre dois deputados no plenário da Câmara dos Deputados recentemente transformou-se em um caso que agora está nas mãos da Polícia Federal. Jandira Feghali, do PCdoB-RJ, empregou ameaças físicas contra Nikolas Ferreira, do PL-MG, durante um episódio caótico na sessão parlamentar. No entanto, a reviravolta irônica veio quando Jandira decidiu recorrer à Polícia Federal, acusando Nikolas dos crimes de falsidade ideológica e violência política de gênero.

Em um movimento que demonstra a hipocrisia nas altas esferas da política, a deputada carioca não se contentou em apenas denunciar Nikolas, mas também abriu um inquérito policial. Ela alega que Nikolas Ferreira incitou seus apoiadores a lançarem ameaças de morte contra ela, originando uma queixa-crime. Os delitos que ele agora enfrenta incluem a falsidade ideológica e a violência política de gênero, conforme previstos no nosso adorado Código Penal.

Este lamentável espetáculo, que teve início com uma troca de farpas no recinto sagrado da representação popular, agora se encontra nas mãos da Polícia Federal, que terá a “honra” de investigar as alegações feitas por Jandira Feghali. A ironia do caso está em que a própria agressora, em um ato digno de uma tragicomédia, denunciou o suposto alvo de suas ameaças, lançando luz sobre a decadência do cenário político nacional. 

CPI da Americanas termina em pizza

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O relatório final, de autoria do deputado Carlos Chiodini (MDB-SC), foi aprovado com 18 votos favoráveis e oito contrários

A CPI da Americanas, instalada em maio deste ano com o objetivo de investigar o rombo contábil bilionário na varejista e as inconsistências financeiras da empresa, chegou ao seu desfecho na última terça-feira (26/9). O relatório final, de autoria do deputado Carlos Chiodini (MDB-SC), foi aprovado com 18 votos favoráveis e oito contrários. No entanto, surpreendentemente, a comissão não recomendou o indiciamento de nenhuma pessoa em relação à fraude de mais de R$ 20 bilhões que desencadeou a maior crise da história da Americanas.

Troca de acusações entre atual e antiga direção

Durante os quatro meses de trabalho da CPI, ex-diretores da companhia, advogados responsáveis pela recuperação judicial e autoridades envolvidas nas investigações foram ouvidos. Embora o relatório aprovado pelo comitê mencione a possibilidade de envolvimento de ex-diretores e ex-executivos no escândalo contábil, o deputado Carlos Chiodini ressaltou que os elementos coletados não são suficientes para atribuir autoria ou fundamentar um eventual indiciamento.

Americanas confia nas autoridades e aponta fraudes na diretoria anterior

A Americanas, em nota encaminhada à CPI e que integra o parecer final, demonstrou confiança nas autoridades envolvidas nas apurações e investigações. A empresa alega que as demonstrações financeiras da companhia foram fraudadas pela diretoria anterior, liderada pelo ex-CEO Miguel Gutierrez. Este último, em depoimentos à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e à Polícia Federal (PF), afirmou que todas as decisões estratégicas dependiam do consentimento dos acionistas de referência da empresa – Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira. Assim, o desfecho da CPI da Americanas deixa uma série de perguntas sem respostas e um cenário de incertezas em relação às responsabilidades pelo rombo contábil da varejista.

Lira sente cheiro de fraqueza no governo Lula e vê oportunidades para mais cargos

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Lira pressiona governo a liberar cargos; Lula quer distância

O presidente Lula declarou aos seus aliados nos últimos dias que pretende manter uma certa distância do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL). Entretanto, Lira está disposto a usar a insatisfação da bancada ruralista no Congresso como instrumento para enviar recados contundentes ao Palácio do Planalto, apontando a falta de articulação na base governista.

A origem dessa nova crise política está diretamente relacionada à indicação de nomes para a Codevasf e para as 12 vice-presidências da Caixa. Até o momento, o governo Lula não concedeu os esperados cargos aos partidos do Centrão, que englobam PP, Republicanos, União Brasil e PSD. O PSD, em particular, está pressionando o ministro de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, para que a direção da Funasa seja liberada. No entanto, Lula se opõe à indicação do ex-vice-governador do Ceará, Domingos Filho, pai do deputado federal Domingos Neto (PSD-CE).

Na escalada dessa tensão, Arthur Lira já tomou medidas significativas, cancelando as deliberações da Câmara dos Deputados pela primeira vez em uma semana fora do chamado recesso branco. A bancada ruralista, por sua vez, iniciou uma obstrução dos trabalhos no Congresso para pressionar o governo Lula a endossar mudanças no marco temporal de terras indígenas. Se o Planalto não ceder, os aliados de Lira sinalizam com a votação de um projeto de lei no Senado e de uma PEC na Câmara, como um claro recado de que ainda persistem desafios na articulação política entre o governo e a base no Congresso. A fome do Centrão por cargos e influência política parece não ter fim, e o cenário político se mantém instável diante dessas disputas internas.

Parlamentares articulam PEC para conter abusos do STF

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Oposição articula PEC que permite ao Congresso derrubar decisões da Suprema Corte

Grupos da oposição no Congresso Nacional estão reunindo assinaturas para protocolar uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que concede aos parlamentares o poder de revogar julgamentos do Supremo Tribunal Federal (STF). A proposta já conta com 137 das 171 assinaturas necessárias para ser oficialmente apresentada. Na terça-feira (26), algumas frentes parlamentares anunciaram apoio público ao texto do deputado Domingos Sávio (PL-MG), que lidera a iniciativa. O autor da proposta espera finalizar a coleta de assinaturas ainda esta semana, contando com o apoio de 15 frentes, incluindo a Frente Parlamentar Agropecuária (FPA), a Evangélica e a da Segurança Pública.

Em nota conjunta, as frentes repudiaram o que chamaram de “contínua usurpação de competência pelo Supremo Tribunal Federal em temas como legalização das drogas, descriminalização do aborto, direito de propriedade e legítima defesa, entre outros”. Alegam que tais temas são de competência do parlamento. O deputado Domingos Sávio classificou as atitudes dos membros do STF como “usurpação de competências”, embora tenha negado que haja afronta ao Judiciário. Ele enfatizou que a proposta visa esclarecer o artigo 49 da Constituição Federal, que atribui ao Congresso Nacional a competência exclusiva de “sustar os atos normativos do Poder Executivo que exorbitem do poder regulamentar ou dos limites de delegação legislativa”, permitindo assim que o parlamento, por maioria constitucional, anule os efeitos de decisões do STF.

Domingos Sávio criticou a Suprema Corte por tomar decisões em vez do parlamento, afirmando que “se o Congresso não decidiu é porque entendeu que ainda não era o momento de decidir. Não decidir é uma decisão”. A proposta, se aprovada, poderia representar uma mudança significativa na relação entre os poderes no Brasil, permitindo que o Congresso exerça um maior controle sobre as decisões do STF.

Retirar preservativo sem consentimento do parceiro pode virar crime previsto no CP

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Felipe Francischini: prática do stealthing tem de ser combatida - (Foto: Zeca Ribeiro / Câmara dos Deputados)

A prática é conhecida como stealthing, que em inglês significa “furtivo”

A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou, nesta terça-feira (26), proposta que prevê, no Código Penal, o crime de remover propositalmente o preservativo, sem o consentimento do (a) parceiro (a). A prática é conhecida como stealthing, que em inglês significa “furtivo”. 

O texto aprovado foi o substitutivo do deputado Felipe Francischini (União-PR) ao Projeto de Lei 965/22, do deputado Delegado Marcelo Freitas (União-MG). O projeto ainda depende de avaliação pelo Plenário. 

A proposta original estabelecia pena de reclusão de um a quatro anos. Francischini reduziu essa previsão. Assim, de acordo com o texto aprovado, remover, sem o conhecimento ou consentimento da outra pessoa, o preservativo antes ou durante o ato sexual terá pena de reclusão de seis meses a dois anos e multa, se o ato não constituir crime mais grave.

De acordo com o relator, a pena prevista na proposta original poderia ser considerada desproporcional e entrar em conflito com crimes mais graves. 

Violação
Francischini afirmou que a prática de stealthing é uma violação grave dos direitos fundamentais das pessoas. “Há muitos desdobramentos da prática do stealthing, tendo como principais a transmissão de doenças sexualmente transmissíveis ou uma gravidez indesejada”, disse.

“No primeiro caso, o desconhecimento da vítima, na relação em que houve a remoção do preservativo, a impede de buscar assistência médica imediata, a fim de mitigar ou eliminar o risco de contrair doenças. No segundo, ainda mais grave, o desconhecimento impede a vítima de buscar contraceptivos de emergência e evitar uma gravidez indesejada”, argumentou o parlamentar.

Estudo
Felipe Francischini também citou pesquisa de março de 2018 conduzida pelo professor Pedro Pulzatto Peruzzo, pesquisador da Faculdade de Direito da PUC-Campinas, com o objetivo de investigar o fenômeno do stealthing no Brasil. O estudo contou com a participação de 279 mulheres de orientações sexuais, classes sociais e raças diversas.

De acordo com os resultados, 21% das mulheres entrevistadas reconheceram a natureza ilícita dessa conduta, sendo que 13,6% afirmaram saber exatamente do que se trata o termo stealthing. Além disso, 9% das entrevistadas revelaram terem sido vítimas ou terem vivenciado isso. 

“Nesse contexto, é necessário que o Poder Legislativo atue para evitar a perpetuação de tal prática”, defendeu Francischini.