Ibope: Bolsonaro sobe 4 pontos e vai a 31%; Haddad se mantém com 21%

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Por Daniel Bramatti, Caio Sartori, Alessandra Monnerat e Cecília do Lago

A menos de uma semana das eleições 2018, o candidato a presidente Jair Bolsonaro (PSL) subiu quatro pontos porcentuais e chegou a 31% de intenção de votos, seu patamar mais alto desde o início da série de pesquisas Ibope/Estado/TV Globo. Em segundo lugar, o petista Fernando Haddad se manteve com os 21% registrados no levantamento anterior, divulgado no dia 26.

A seguir aparecem Ciro Gomes (PDT), que oscilou de 12% para 11%, e Geraldo Alckmin (PSDB), que manteve seus 8%. Marina Silva (Rede) passou de 6% para 4%, sua taxa mais baixa desde o início da campanha.

No universo dos votos totais, a vantagem de Bolsonaro sobre Haddad aumentou de 6 pontos porcentuais para 10 em cinco dias. Quando se considera apenas os votos válidos, ou seja, sem contar os brancos e nulos, o candidato do PSL lidera por 38% a 25%.

Na simulação de segundo turno entre os candidatos do PSL e do PT, há um empate: ambos com 42%. Na pesquisa anterior, Haddad tinha 42% e Bolsonaro, 38% – um empate no limite da margem de erro, de dois pontos porcentuais para mais ou para menos.

No quesito rejeição, o candidato do PSL segue líder, com 44%. Mas a quantidade de eleitores que não admitem votar em Haddad de jeito nenhum deu um salto, passando de 27% para 38%.

O Ibope ouviu 3.010 eleitores, em 208 municípios, entre os dias 29 e 30 de setembro. A margem de erro máxima é de dois pontos porcentuais, e o nível de confiança, de 95%. Isso quer dizer que há probabilidade de 95% de os atuais resultados retratarem o atual quadro eleitoral, considerando a margem de erro. O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o protocolo BR-08650/2018.

 

Fonte: Estadão conteúdo

Lewandowski ataca decisão de Fux e reafirma autorização para entrevista de Lula

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Por Amanda Pupo e Rafael Moraes Moura

O ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF), reafirmou nesta segunda-feira, 1º de outubro, a autorização para que o ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva, preso e condenado no âmbito da Operação Lava Jato, possa conceder entrevistas da prisão. O ministro frisa “a autoridade e vigência” de sua decisão, que, segundo ele, serve “como mandado”.

No despacho, Lewandowski afirma que a decisão tomada pelo vice-presidente da Corte, ministro Luiz Fux, de proibir Lula de conceder entrevistas possui “vícios gravíssimos”, é “questionável” e “desrespeita todos os ministros do STF ao ignorar a inexistência de hierarquia jurisdicional entre seus membros e a missão institucional da Corte”.

Em uma crítica contundente à determinação de Fux, Lewandowski também diz que o conteúdo do despacho do colega é “absolutamente inapto a produzir qualquer efeito no ordenamento legal” e “não possui forma ou figura jurídica admissível no direito vigente”.

Na noite da última sexta-feira, 28, Fux decidiu suspender a autorização que havia sido dada por Lewandowski para que Lula concedesse entrevistas da prisão.

O ex-presidente está preso na superintendência da Polícia Federal em Curitiba, desde abril. Fux determinou que a suspensão valesse até o julgamento do caso pelo plenário da Suprema Corte, que poderá referendar ou não o posicionamento do ministro.

Segundo Lewandowski, o Partido Novo não tem “legitimidade” para apresentar na Suprema Corte um instrumento processual chamado suspensão de liminar, que foi utilizado para derrubar a decisão de Lewandowski.

Surpresa

Lewandowski ainda lança dúvidas sobre o motivo de Fux haver decidido no lugar do presidente, ministro Dias Toffoli, responsável por julgar uma suspensão de liminar.

“Ou seja, desprezando-se o fato de que o Presidente do Supremo Tribunal Federal encontrava-se no território nacional, mais precisamente na cidade de São Paulo (conforme consta da anotação de sua agenda oficial), e, portanto, com poderes jurisdicionais para apreciar a medida, inclusive por meio eletrônico, como é habitual, bem como a circunstância de que o Vice-Presidente também estava fora da Capital Federal, em pouco mais de uma hora depois da distribuição da Suspensão da Liminar, os autos foram surpreendentemente remetidos ao Ministro Luiz Fux que, em cerca de uma hora após seu recebimento, proferiu a decisão questionada e questionável”, afirma o ministro.

Estratégia

Lewandowski ainda diz que não é admissível que o Presidente ou o vice “se transformem em órgãos revisores das decisões jurisdicionais proferidas por seus pares”.

Para Lewandowski, a “estratégia processual” “foi arquitetada com o propósito de obstar, com motivações cujo caráter subalterno salta aos olhos, a liberdade de imprensa constitucionalmente assegurada a um dos mais prestigiosos órgãos da imprensa nacional”.

 

Fonte: Estadão conteúdo

Facada contra Bolsonaro não trouxe nem tirou votos, diz presidente do Ibope

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Jair Bolsonaro
Por Denise Luna

A facada que tirou o candidato à Presidência do PSL, Jair Bolsonaro, do dia a dia da campanha eleitoral, há quase um mês, não trouxe nem tirou votos da sua candidatura, mas reduziu um pouco o ódio do pleito, avaliou o presidente do Ibope, Carlos Montenegro. Ele observou que o crime deu mais tempo a Bolsonaro na TV, mas nem isso se refletiu em aumento de intenção de votos para o candidato nas eleições 2018.

“Eu acho que a facada não mudou o quadro eleitoral, acho que ninguém vai votar nele por causa da facada, a rejeição que tinha a ele continuou, até a manutenção do número (porcentual) dele por algum tempo mostra que não tirou votos nem cresceu, só reduziu o ódio”, afirmou a jornalistas após almoço na Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ).

Montenegro destacou que as próximas pesquisas, de hoje, quarta e sábado devem revelar alguns impactos importantes, como a repercussão das acusações da ex-mulher de Jair Bolsonaro, as declarações do vice Hamilton Mourão, de acabar como 13º salário e o bônus de férias. Para o PT, o grande abalo, na sua avaliação, foi a retirada de 4 milhões de eleitores do Nordeste pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

“Tirar 4 milhões de eleitores no Nordeste não é uma noticia boa parta o PT. Isso no primeiro turno não tem influência, mas no segundo turno pode ter influência sim”, afirmou.

Para Montenegro, a eleição deste ano enterrou alguns dogmas, como ser importante o tempo da propaganda eleitoral gratuita e as inúmeras coligações para se conseguir mais tempo de TV. “O que vai eleger o presidente da República este ano será a descrença nos políticos, as redes sociais e os programas das televisões abertas e fechadas”, avaliou.

Nem mesmo os debates estão mais funcionando, segundo Montenegro, que vê uma percepção de maior sinceridade nas entrevistas que estão sendo realizadas pelas tevês do que nos programas produzidos pelos partidos. “A propaganda obrigatória perdeu o valor, a cobertura das TVs, da imprensa, é muito mais importante para o eleitor, parece mais sincero do que os programa montado pelos políticos”, explicou.

Montenegro disse ainda que a pesquisa que será divulgada hoje pelo Ibope vai mostrar se houve alguma mudança da tendência eleitoral, especialmente se o candidato do PT, Fernando Haddad, cresceu mais nas pesquisas, depois de já ter tirados votos de Ciro Gomes e Marina Silva. “Estou curiosíssimo para saber se esse movimento está avançando ou recuou”, informou.

Na época da eleição de Dilma Rousseff, em 2010, Montenegro chegou a dizer que seria impossível ela ser eleita, porque o ex-presidente Lula não poderia eleger “um poste”.

Segundo ele, depois dessa frase, resolveu não dar mais palpite. “Lancei uma expressão com isso, do eleger poste, e até por eu ter falado isso, eu não vou falar mais nada”, brincou. Segundo o executivo, a eleição está muito polarizada de depois da experiência de 2014 – quando Aécio Neves do PSDB estava com 10 pontos na frente de Dilma Rousseff e perdeu – ele não prevê mais nada.

“Nessa eleição a experiência não serve de nada, nunca tive eleição com facada, com rejeição contra rejeição, nunca vi”, afirmou.

Rio e São Paulo

O ex-prefeito do Rio Eduardo Paes é o favorito na eleição para governador no Rio de Janeiro e em São Paulo pode surgir uma terceira via com Marcio França, disse Montenegro.

“Pode ter um movimento de terceira via no final, pode aparecer”, disse ele referindo-se ao candidato do PSB, Marcio França, que disputa com o candidato do PSDB, João Doria, e com o candidato do MDB, Paulo Skaf.

“No Rio é uma eleição que caminha para o lado do Paes, apesar da convivência dele no passado nada ficou marcado em cima dele. A única coisa que ficou marcada foi Maricá”, avaliou.

Paes disse em tom de brincadeira em conversa telefônica grampeada com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, usada em processo da Lava Jato, que ter um sítio em Atibaia, que está sob suspeita de ser um presente ao ex-presidente, era o mesmo que ter um sítio em Maricá, balneário na região dos Lagos.

“Com o Garotinho saindo você pode até ter uma indefinição no primeiro turno, mas temos que ver, não saiu nenhuma pesquisa sem Garotinho ainda”, explicou.

Fonte: Estadão conteúdo

Gilmar: em vez de constituintes, vamos discutir próximos 30 anos da Constituição

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Por André Ítalo Rocha e Carla Bridi

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), reconheceu nesta segunda-feira, 1º de outubro, que a Constituição Federal tem defeitos, mas espera que, em vez de o País discutir novas constituintes, o debate seja sobre como a carta de 1988, que completa 30 anos, vai conduzir o Brasil a mais 30 anos de “normalidade institucional”.

“A Constituição, sem nenhuma dúvida, tem defeitos, é uma obra de seres humanos, detalhada, analítica, que nos prepara inúmeras armadilhas na sua aplicação. No entanto, em vez de falarmos sobre novas constituintes, que possamos discutir os próximos 30 anos numa mesma quadra de normalidade institucional”, disse, durante evento na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP).

A declaração foi dada num momento em que novas constituições foram propostas durante a campanha para presidente da República

Na semana passada, o candidato do PT, Fernando Haddad, disse que pretende “criar condições” para a convocação de uma nova Assembleia Nacional Constituinte.

Há três semanas, o vice da chapa de Jair Bolsonaro (PSL), general Hamilton Mourão (PRTB), disse que o Brasil precisa de uma nova Constituição, elaborada por “notáveis” e aprovada em plebiscito pela população, sem a eleição de uma Assembleia Constituinte.

Pela manhã, no mesmo evento, o presidente do STF, ministro Dias Toffoli, também fez uma defesa da Constituição. “Foi um pacto que deu estabilidade institucional e política ao Brasil e deu voz àqueles que por décadas, ou até séculos, foram excluídos da participação dos direitos reais de igualdade, não somente perante a lei, mas na própria lei”, afirmou.

 

Fonte: Estadão Conteúdo

Em delação, Palocci diz que Lula sabia da corrupção na Petrobras desde 2007

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Por Luiz Vassallo, Ricardo Brandt, Julia Affonso e Fausto Macedo

O ex-ministro Antonio Palocci (governos Lula e Dilma) detalhou, em delação premiada, o suposto loteamento de cargos na Petrobras com o fim de captação de recursos para campanhas petistas. No primeiro termo de sua colaboração com a Polícia Federal, tornado público nesta segunda-feira, 1, pelo juiz federal Sérgio Moro, ele reafirma que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria conhecimento de esquemas de corrupção na estatal.

A delação de Palocci contém uma narrativa minuciosa e explica como foi montado o esquema de propinas e loteamento de cargos estratégicos atendendo interesses de partidos políticos na Petrobras, a partir das indicações de Paulo Roberto Costa (Diretoria de Abastecimento) e de Renato Duque (Serviços).

O relato do ex-ministro aponta, inclusive, locais onde o ex-presidente teria tratado pessoalmente da ocupação dos cargos na estatal, o 1.º andar do Palácio do Planalto.

“Em fevereiro de 2007, logo após sua reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva convocou o colaborador, à época deputado federal, ao Palácio da Alvorada, em ambiente reservado no primeiro andar, para, bastante irritado, dizer que havia tido ciência de que os diretores da Petrobras Renato Duque e Paulo Roberto Costa estavam envolvidos em diversos crimes no âmbito das suas diretorias”, relatou Palocci.

Ainda segundo o ex-ministro, Lula indagou dele “se aquilo era verdade, tendo respondido afirmativamente”.

“Que (Lula) então indagou ao colaborador quem era a pessoa responsável pela nomeação dos diretores; Que o colaborador afirmou que era o próprio Luiz Inácio Lula da Silva o responsável pelas nomeações; Que também relembrou a Luiz Inácio Lula da Silva que ambos os diretores estavam agindo de acordo com parâmetros que já tinham sido definidos pelo próprio Partido dos Trabalhadores e pelo Partido Progressista.”

Segue a delação de Palocci. “Acredita que Lula agiu daquela forma porque as práticas ilícitas dos diretores da estatal tinham chegado aos seus ouvidos e ele queria saber qual era a dimensão dos crimes, bem como sua extensão, e também se o colaborador aceitaria sua versão de que não sabia das práticas ilícitas que eram cometidas em ambas as diretorias, uma espécie de teste de versão, de defesa, com um interlocutor, no caso, o colaborador; Que essa prática empregada por Lula era muito comum ”

Palocci está preso desde setembro de 2016, alvo da Operação Omertà, desdobramento da Lava Jato. O juiz Moro o condenou em uma primeira ação a 12 anos e dois meses de reclusão.

O termo número 1 de colaboração do ex-ministro foi anexado à mesma ação penal em que ele confessou crimes pela primeira vez. O processo se refere a supostas propinas de R$ 12,5 milhões da Odebrecht ao ex-presidente por meio da aquisição de um apartamento em São Bernardo do Campo e de um terreno onde supostamente seria sediado o Instituto Lula, que teria sido bancado pela empreiteira.

Em setembro de 2017, Palocci confessou crimes em depoimento no âmbito desta ação penal, em que atribuiu a Lula um “pacto de sangue” de R$ 300 milhões entre Lula e a empreiteira.

Segundo o ex-ministro, no primeiro governo Lula, a Odebrecht, “alinhada ao PP”, passou a “atuar” para derrubar o então diretor da estatal, Rogério Manso, único remanescente do governo Fernando Henrique Cardoso. De acordo Palocci, Manso teria imposto “dificuldades” à empreiteira.

Palocci afirma que “isso se deu porque o PP estava apoiando fortemente o governo e não encontrava espaço em Ministérios e nas estatais” e que Lula estava “observando esse cenário”.

“Lula decidiu resolver ambos os problemas indicando Paulo Roberto Costa para a Diretoria de Abastecimento”, diz, em colaboração.

Segundo Palocci, a indicação “também visava garantir espaço para ilicitudes, como atos de corrupção, atendia tanto a interesses empresariais quanto partidários”. Ele afirma que “assim, nas Diretorias de Serviço e Abastecimento houve grandes operações de investimentos e, simultaneamente, operações ilícitas de abastecimento financeiro dos partidos políticos”.

O ex-ministro ainda diz que “o governo não sabia, à época, qual era o ganho pessoal dos diretores nessas operações” e que “isso não interessava ao governo que, embora não gostasse da prática, não trazia grandes preocupações”.

Palocci relata que se sabia que já existia na estrutura da Petrobras, em áreas de menor escalão, cometimento de ilicitudes e que “se julgava que isso era o mínimo aceitável dentro de uma engrenagem tão grande como a da Petrobras, prática que é comum dentro de grandes empresas públicas e privadas, salvo raríssimas exceções”.

O ex-ministro relata que “era comum Lula, em ambientes restritos, reclamar e até esbravejar sobre assuntos ilícitos que chegavam a ele e que tinham ocorrido por sua decisão” e que “a intenção de Lula era clara no sentido de testar os interlocutores sobre seu grau de conhecimento e o impacto de sua negativa”.

O ex-ministro ainda diz que “explicitou a Lula que ele sabia muito bem porque houve a indicação pelo PP de um diretor, uma vez que o PP não fez aquilo para desenvolver sua política junto à Petrobras, até porque nunca as teve”, e que a “única política do PP era a de arrecadar dinheiro”.

Palocci afirmou ainda “que não havia sentido em se acreditar que o PP estaria contribuindo com políticas para a exploração do petróleo”.

Defesa

Em nota, o advogado Cristiano Zanin Martins, que defende Lula, afirmou: “A conduta adotada hoje pelo juiz Sérgio Moro na Ação Penal nº 5063130-17.2016.4.04.7000 apenas reforça o caráter político dos processos e da condenação injusta imposta ao ex-presidente Lula.

Moro juntou ao processo, por iniciativa própria (‘de ofício’), depoimento prestado pelo Sr. Antônio Palocci na condição de delator com o nítido objetivo de tentar causar efeitos políticos para Lula e seus aliados, até porque o próprio juiz reconhece que não poderá levar tal depoimento em consideração no julgamento da ação penal. Soma-se a isso o fato de que a delação foi recusada pelo Ministério Público. Além disso, a hipótese acusatória foi destruída pelas provas constituídas nos autos, inclusive por laudos periciais.

Palocci, por seu turno, mentiu mais uma vez, sem apresentar nenhuma prova, sobre Lula para obter generosos benefícios que vão da redução substancial de sua pena – 2/3 com a possibilidade de ‘perdão judicial’ – e da manutenção de parte substancial dos valores encontrados em suas contas bancárias.”

Fonte: Estadão conteúdo

O terreno movediço das ‘fake news’

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Por Pablo Pereira, Luiz Fernando Toledo e Alessandra Monnerat, com colaboração de ricardo galhardo e gilberto amendola

Marina Silva invadindo uma fazenda no Acre: mentira. Ciro Gomes agredindo a atriz Patrícia Pillar: mentira. O padre Marcelo Rossi declarando voto: igualmente mentira. E até a apresentadora Fátima Bernardes, da TV Globo, pagando por uma reforma na casa do homem que deu uma facada em Jair Bolsonaro: outra mentira. São só algumas das postagens repelidas pelas vítimas das fake news, praga que prolifera nas redes sociais nesta reta final da corrida eleitoral.

“A campanha provocou um aumento na divulgação das fake news e isso é preocupante”, disse o desembargador André Gustavo Corrêa de Andrade, vice-presidente da Associação dos Magistrados do Estado do Rio (Amaerj), que estuda o assunto. “Essa é uma questão que preocupa por causa do discurso de ódio. Tem de ser combatida culturalmente.” Para o magistrado, a própria internet pode ser usada para esclarecer “esses casos de pessoas que se sentem protegidas pelo anonimato e têm prazer em espalhar ódio e preconceitos”.

Foi exatamente o que fez Fátima Bernardes. Com sua imagem ligada a Adelio Bispo de Oliveira, a apresentadora divulgou um vídeo em sua conta do Instagram. “Mais uma notícia falsa me obriga a fazer esse esclarecimento (…). Eu jamais apoiaria qualquer ato de violência”, disse ela na mensagem postada no dia 21. Uma semana depois, o post já contava 2,5 milhões de visualizações. Procurada na semana passada, via assessoria, Fátima não respondeu.

A internet foi também o terreno encontrado pela atriz Patrícia Pillar para desmentir uma fake news. Ela publicou um vídeo em que diz que sua imagem está sendo usada para disseminar notícias falsas contra seu ex-marido, o candidato Ciro Gomes (PDT). Até a tarde da última sexta-feira, o post tinha 7,3 mil comentários, 38 mil compartilhamentos e mais de 1,6 milhão de visualizações.

Campanhas

No meio dessa “guerra de desinformação”, as campanhas tiveram de se adaptar. Antes mesmo do início da disputa eleitoral, o PT montou uma equipe de monitoramento de redes sociais que selecionou centenas de sites responsáveis pela propagação de fake news.

Cada vez que o nome de Fernando Haddad, presidenciável do partido, é citado, a equipe recebe um alerta, avalia o potencial de perigo e executa as “vacinas”, como são chamados os desmentidos.

Os responsáveis pelo monitoramento das redes têm canal direto com o departamento jurídico da campanha que, se for o caso, aciona a Justiça para que a mentira seja removida das redes.

Vítima de um boato recentemente, a vice na chapa de Haddad, Manuela d’Ávila, diz que enfrenta a questão política e juridicamente. “Acredito que precisamos denunciar a rede de mentiras e exigir investigação com relação a autores e financiadores das fake news. Não me acostumo com nenhuma injustiça com nenhum cidadão. Comigo também não.”

As campanhas de Ciro e Marina Silva (Rede) trabalham de maneira semelhante: monitoram as redes e, se avaliam que é o caso, acionam o departamento jurídico. As equipes de Jair Bolsonaro (PSL) e Geraldo Alckmin (PSDB) não responderam.

Termos

Levantamento feito pelo jornal O Estado de S. Paulo no Google Trends, plataforma que mostra quais as buscas que estão sendo feitas por internautas, aponta que, desde o início da campanha, em 16 de agosto, pelo menos um boato relacionado aos presidenciáveis esteve entre os dez termos que mais cresceram em buscas no Google por semana.

Bolsonaro é o que mais tem notícias falsas ligadas ao seu nome. Dos 12 boatos que mais tiveram crescimento nas buscas, sete são ligados ao candidato do PSL, dois a Ciro, um a Haddad e um a Marina.

Para efeito de comparação, em 2014, mesmo considerando o período eleitoral mais extenso, desde julho daquele ano houve somente três boatos relacionados aos presidenciáveis – todos referentes à então candidata do PT, Dilma Rousseff.

Os dados, no entanto, não apontam se houve um aumento da proliferação da desinformação, mas que mais pessoas têm se interessado em buscar mais informações sobre as notícias a que têm acesso. “Com certeza, esse é o assunto das eleições”, afirma o diretor do Instituto Tecnologia & Equidade, Ariel Kogan. “Houve um processo de mudança de cultura. As pessoas estão muito mais atentas ao que estão lendo.”

Kogan lembra que, no início do ano, 28 partidos firmaram um acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para evitar a disseminação de notícias falsas. “Vemos, da parte dos políticos, uma certa responsabilidade sobre o tipo de conteúdo que é veiculado”, diz.

Ações violentas

“O que estamos vendo é diferente de outras campanhas, como a de 1989, porque as manifestações de violência acontecem no âmbito das plataformas sociais”, explicou Eugênio Bucci, professor da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP). “É muito preocupante. São fatos que podem estimular novos episódios”, afirmou Bucci, ressaltando que observa o quadro como um estudioso da Comunicação.

“Esse contexto encoraja as pessoas a tomar atitudes violentas. É preciso ter cuidado, ter respeito pela democracia”, disse. Para o professor da USP, “esse tipo de violência veio à tona com o discurso de ódio na campanha, que ‘desreprime’ as manifestações de violência física”. Segundo Bucci, os episódios devem ser observados junto com outros casos. “O ataque a tiros à caravana de Lula, no interior do Paraná, o assassinato da vereadora Marielle Franco, no Rio, e a facada no candidato Jair Bolsonaro, em Minas Gerais”, citou. O professor da ECA lembrou ainda que há também as ameaças, como no caso de Manuela d’Ávila.

Bucci argumentou que os casos de violência não são episódios ligados entre si, “com nexo orgânico”, especificou, “mas estão conectados pela exacerbação da linguagem violenta da radicalização”. Para ele, “o que vincula os episódios violentos é a elevação da temperatura de setores sem compromisso com a democracia”.

Bucci insistiu que é preciso observar “que pode haver um debate político franco e forte, mas sempre com respeito à democracia”. Ele destacou a necessidade de reconhecer os princípios “da legitimidade do outro e do compromisso com a integridade física das pessoas”. Bucci afirmou ainda que quando começam a ser rompidas as premissas da democracia “tudo pode se esgarçar”.

Para o pesquisador Bruno Rangel, do Grupo de Estudos e Pesquisa de Direito Eleitoral da Faculdade de Direito da Universidade de Brasília (UnB), a violência por conta das fake news é novidade.

“É, sem dúvida, muito preocupante numa campanha que já teve atentado contra um candidato”, afirmou o pesquisador.

Rangel argumentou que ainda não há dados suficientes para estabelecer comparações acadêmicas, mas pode-se enxergar responsabilidades. Ele acredita também que os candidatos nestas eleições têm responsabilidades no ambiente de confrontos. “É como num jogo de futebol: se os jogadores brigam dentro do campo, é provável que as torcidas passem a brigar também.” Segundo ele, “quem perde é o eleitor”. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

 

Fonte: Estadão conteúdo

Aceno a mulheres e ataques a Bolsonaro e Haddad ganham considerações finais

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Por Cristian Favaro e Daniel Weterman

O aceno a mulheres e os ataques à polarização entre Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT) tomaram boa parte das considerações finais de candidatos à Presidência no debate promovido pela TV Record entre a noite de domingo e a madrugada desta segunda-feira, 1.

Geraldo Alckmin (PSDB) e Fernando Haddad (PT) aproveitaram para cumprimentar as mulheres, em referência às manifestações femininas contrárias a Bolsonaro, que lidera pesquisas de intenção de voto para o primeiro turno da disputa.

“As mulheres terão um papel preponderante neste novo Brasil que vai sair das urnas”, disse Alckmin, citando sua candidata a vice, Ana Amélia (PP). Além disso, o tucano reforçou que é preciso unir o País contra extremos e fazer a virada na última semana antes do primeiro turno.

Haddad fez referência aos movimentos de mulheres contra Bolsonaro e enalteceu a mulher “que foi às ruas ontem (sábado) pedir paz, democracia e exigir seus direitos garantidos na constituição.

O candidato também relembrou o passado petista e os empregos criados durante o governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, sem deixar de alfinetar Bolsonaro. “A imagem que eu vislumbro é das brasileiras e dos brasileiros com a carteira assinada e com livro na mão, não com armas”.

Já Ciro Gomes atacou a tese do voto útil. “Quero me dirigir a você que vota no Bolsonaro porque não quer o PT, ou que vota no PT porque não quer o Bolsonaro… Eu entendo vocês, mas se isso continuar acontecendo, a única certeza dessas eleições é que a crise vai continuar”, afirmou, ao pedir a oportunidade para reconciliar o País.

Na mesma direção de Ciro, Guilherme Boulos (Psol) disse que no primeiro turno o eleitor deve votar em quem acredita. “Eleição não é corrida de cavalo que você escolhe quem está em primeiro lugar”.

Marina, única mulher na disputa, usou seu tempo final para se posicionar como alternativa para unir o Brasil. “Estou aqui para oferecer a outra face de um País desunido por PT e Bolsonaro”, disse. Alvaro Dias, do Podemos, retomou sua defesa da refundação da república e defendeu o combate à corrupção.

Cabo Daciolo cumprimentou sua vice, Suelene Balduino Nascimento, nas considerações finais. Otimista, disse que acredita em “sinais” e destacou que faltam sete dias para o primeiro turno. O candidato fez uma oração para “expulsar” o Satanás do Brasil.

 

Fonte: Estadão conteúdo

Alckmin apela para ‘união’ e Marina relaciona PSDB com Bolsonaro e PT

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Por Daniel Weterman e Cristian Favaro

Na última semana antes do primeiro turno das eleições presidenciais, Geraldo Alckmin (PSDB) fez um apelo para que eleitores se “unam” contra os radicalismos representados, segundo ele, por Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT).

Sem decolar nas pesquisas, o tucano reforçou sua aposta de crescimento na reta final. “Esta semana é que vai mudar a eleição; sempre nas últimas eleições, é a última onda aquela que vale; vamos unir o Brasil”, disse Alckmin, no terceiro bloco do debate entre presidenciáveis realizado pela TV Record.

O tucano tentou novamente vincular a imagem do PT à de Jair Bolsonaro, candidato do PSL na disputa. “Queria chamar a atenção de vocês para como os radicais são parecidos. O PT votou contra o Plano Real, Bolsonaro também. O PT votou contra a quebra do monopólio de comunicação, o Bolsonaro votou igual. O PT votou contra a quebra do monopólio do petróleo, Bolsonaro também”, disse Alckmin.

Em uma resposta indireta a Alckmin, Marina Silva relacionou o PSDB com o quadro polarizado entre PSL e PT. “O projeto autoritário do Bolsonaro foi chocado no ninho da polarização do PT e do PSDB. Não venham agora dizer que vão unir o Brasil”, declarou.

Haddad continuou sendo alvo de adversários no terceiro bloco do debate. Alvaro Dias (Podemos) criticou o PT por propor reduzir impostos e, durante o governo, ter ficado “ao lado dos banqueiros”.

Fonte: Estadão conteúdo

Dias se junta a Ciro e critica Haddad: da prisão, Lula comanda campanha do PT

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Por Daniel Weterman e Cristian Favaro

Após Ciro Gomes (PDT) atacar a aliança de Fernando Haddad (PT) com Eunício Oliveira (MDB) no Ceará, o candidato do Podemos à Presidência, Alvaro Dias, se juntou ao pedetista para atacar Haddad durante debate na TV Record, neste domingo, 30.

Alvaro citou reportagem da revista IstoÉ que aponta mandos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso em Curitiba, sobre alianças do PT no pleito. “Lá da prisão, em Curitiba, o ex-presidente Lula comanda a campanha do PT com bilhetes e autoriza repasses de recursos.” Haddad pediu direito de resposta, o que foi negado por comissão da emissora.

Fonte: Estadão conteúdo

Economia entra no debate e Alckmin ataca era Dilma, que PT “tenta esconder”

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Por Cristian Favaro e Daniel Weterman

O tema econômico ganhou destaque no segundo bloco do debate entre os candidatos ao Planalto na Record, neste domingo. Durante embate com Ciro Gomes (PDT), Geraldo Alckmin (PSDB) prometeu corte de juros com “boa política fiscal” e sem aumentar impostos. O candidato alfinetou o PT e disse que o partido “só fala de Lula e esconde Dilma (Rousseff)”. A afirmação provocou risadas de Ciro.

Em ataque, Alckmin afirmou que Ciro estudou recriar a CPMF (imposto sobre movimentações financeiras, chamado imposto do cheque). O pedetista, entretanto, negou ter cogitado a ideia.

O ex-ministro da Fazenda de Michel Temer e candidato do MDB ao Planalto, Henrique Meirelles, também foi confrontado. Alckmin questionou o motivo de o Brasil não ter crescido durante seu período à frente da pasta. Meirelles disse que a economia foi prejudicada pelos confrontos políticos. “O Brasil cresceria mais se não fossem as propostas radicais”, disse o emedebista.

Vice de Bolsonaro

As recentes falas polêmicas do vice de Jair Bolsonaro (PSL), General Mourão, foram utilizadas por Henrique Meirelles e Marina Silva para atacar a candidatura. “O vice dele quer acabar com o 13º e o adicional de férias. O economista dele quer trazer de volta a CPMF”, disse Meirelles, em referência às propostas defendidas por Mourão em eventos. Marina disparou: “Eu nunca vi na minha vida um candidato a presidente que diz que vai governar para os fortes”, disse, e emendou: “espero que no próximo debate ele (Bolsonaro) esteja para explicar seus projetos de País”.

 

Fonte: Estadão conteúdo