Ministro de Lula usou orçamento secreto para beneficiar fazenda própria, diz jornal

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Juscelino Filho é o ministro das Comunicações do governo Lula (Foto: Divulgação/Câmara dos Deputados)
Obra para asfaltar a estrada foi orçada em R$ 7,5 milhões

O ministro das Comunicações, Juscelino Filho (União Brasil-MA), direcionou R$ 5 milhões do orçamento secreto para asfaltar a estrada de terra que passa em frente à sua fazenda, em Vitorino Freire, no Maranhão.

Segundo reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, os recursos foram direcionados para a cidade maranhense que tem a irmã dele, Luanna Rezende, como prefeita.

Além disso, a empresa contratada para realizar a obra é de um amigo de longa data e o engenheiro que assinou o parecer autorizando o valor para a pavimentação foi indicação de seu grupo político.

Como o dinheiro foi usado

  • Ministro Juscelino Filho enviou R$ 7,5 milhões do orçamento secreto para obras em Vitorino Freire;
  • R$ 5 milhões foram destinados para asfaltar uma estrada que passa em fazendas dele e da família —o trecho tem 19 km e o restante atende 11 ruas em povoados da cidade;
  • Irmã e prefeita da cidade Luanna Rezende contratou a Construservice para a obra em fevereiro de 2022;
  • A Construservice disputou licitação sozinha;
  • De acordo com a PF, a empresa está em nome de laranjas e o verdadeiro dono, conhecido como Eduardo Imperador, é suspeito de pagar propina a servidores federais para obter obras na cidade.

Vitorino Freire

  • A cidade na zona rural do Maranhão:
  • Tem 31 mil habitantes;
  • Possui saneamento básico precário;
  • 42% da população não tem calçamento na frente de casa;
  • Metade dos moradores vive com meio salário mínimo.

Orçamento secreto

Na campanha eleitoral, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse que o orçamento secreto era o maior esquema de “bandidagem” da República.

“O Orçamento é chamado de secreto porque o destino desses recursos é mantido em segredo. Mas todo mundo sabe para onde esse dinheiro vai: fraudes e desvios de verbas.”

Já o atual ministro da Justiça, Flávio Dino, que na época era governador do Maranhão, classificou a prática como “o momento de maior corrupção da história política”.

O STF (Supremo Tribunal Federal) já condenou o orçamento secreto e mandou pôr fim à distribuição de recursos sem critérios e determinou que os parlamentares informassem quanto de verba haviam direcionado. Porém, segundo o Estadão, o agora ministro Juscelino omitiu as informações do STF.

Portal Yahoo Notícias

PL, PP e Republicanos unidos para derrubar Rodrigo Pacheco

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Presidente do PL, Valdemar Costa Neto, fechou um bloco para eleger Rogério Marinho

O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, fechou um bloco com o PP e o Republicanos para eleger Rogério Marinho à presidência do Senado e derrubar Rodrigo Pacheco. A oficialização da união das legendas estava prevista para às 15h desta quinta-feira (26), mas será na manhã do próximo sábado, na sede do PL.

O adiamento ocorreu para que dê tempo para Ciro Nogueira, presidente do PP, que está em viagem, consiga estar presente durante o comunicado oficial, junto a Marcos Pereira, presidente do Republicanos, e de Valdemar Costa Neto. As informações são da coluna de Lauro Jardim, de O Globo.

Por Portal Novo Norte

Mais de 5 mil advogados assinam carta contra eleição de Pacheco

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Profissionais afirmam que o senador causou um mal “quase irreversível” ao país e pedem voto para Rogério Marinho

Um grupo de mais de 5 mil advogados divulgou, nesta quarta-feira (25), uma carta com críticas ao presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), e contra a reeleição do parlamentar para mais dois anos no comando da Casa. Os responsáveis pelo documento fazem parte do Movimento Advogados de Direita Brasil.

No texto, subscrito por 5.341 advogados, os profissionais afirmam que Pacheco, “de forma reiterada, permaneceu omisso e inerte em suas atribuições, deixando de atuar em prol da satisfação dos anseios de maciça parte da população”. O grupo afirma também que o senador permitiu deliberadamente a intervenção do Poder Judiciário nos poderes Executivo e Legislativo.

– Sua omissão causou um mal que julgamos quase irreversível, posto que permitiu que aqueles que deveriam guardar o cumprimento de nossa Carta Magna, a vilipendiassem diuturnamente, razão pela qual o país jaz em completo estado de exceção – sustentam.

O documento, que tem como destinatários os senadores que votarão no dia 1° de fevereiro para escolher o novo presidente do Congresso Nacional, diz ainda que os parlamentares “receberam a incumbência de externar as vozes das ruas, sendo imperioso que representem com liberdade a vontade de cada estado e, assim, façam com que se reerga o Senado brasileiro”.

– A atuação firme e presente do Senado Federal é imprescindível para que os entes públicos de quaisquer dos Três Poderes e a sociedade civil convivam harmonicamente, certos de que a segurança nas políticas de Estados desenvolvidas sejam legais e sempre emanem da vontade popular – defendem.

O grupo conclui a mensagem pedindo o apoio dos senadores ao nome de Rogério Marinho (PL-RN) como novo presidente do Senado e também o esforço dos políticos para que seja instituído o voto nominal aberto para escolher quem comandará a Casa no próximo biênio.

– Mister se faz evidenciar que embora expressemos precipuamente o nosso apoio à candidatura do senador Rogério Marinho, entendemos que os senhores senadores tenham como principal missão o derrocamento do atual presidente do Senado, um dos maiores causadores do caos instalado em nosso país e da perda da independência do Congresso Nacional – finalizam.

Por Portal Novo Norte

No Uruguai, Lula polemiza e chama Temer de “golpista”

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Declaração ocorre dois dias após Lula dizer na Argentina que Dilma sofreu “golpe de Estado”

Após declarar na Argentina que a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) sofreu, em 2016, um “golpe de Estado” no Brasil, o presidente Lula (PT) voltou a chamar o ex-presidente Michel Temer (MDB) de “golpista”. Desta vez, a acusação foi feita no Uruguai, durante declaração à imprensa, após reunião com o presidente do país, Luis Alberto Lacalle Pou, nesta quarta-feira (25), em Montevidéu.

O contexto da fala foi quando o presidente petista traçou uma comparação entre o final de seu primeiro governo, em 2010, e a situação atual do Brasil, alegando ter herdado, em 2023, um país “semidestruído”.

– O Brasil não tinha mais fome quando deixei a Presidência e hoje tem 33 milhões de pessoas passando fome. Significa que quase tudo que fizemos de beneficio social no país, em 13 anos de governo, foi destruído em seis anos. Ou melhor, em sete anos. Três do golpista Michel Temer e quatro do governo Bolsonaro. Por isso, que o tema do meu governo é reunião e reconstrução – disparou Lula.

Em tom ainda de campanha, Lula continuou ostentando seus números.

– Quando deixamos a Presidência, o Brasil era a sexta economia do mundo. Voltamos agora, e o Brasil é a 13ª economia. Isso é um desafio que não me deixa triste. É um desafio que me dá otimismo, me dá coragem e me obriga a estabelecer metas – disse o atual chefe do Executivo do Brasil, sem considerar em sua análise delicados momentos econômicos atuais, como a pandemia do novo coronavírus e a guerra entre a Rússia e Ucrânia.

Apesar de governar um país com inúmeras carências em diversas áreas, Lula lembrou de quando assumiu a Presidência, em 2003, e voltou a falar sobre sua perene visão econômica de colocar dinheiro brasileiro em países com “menor suporte econômico”, por entender que o Brasil é o maior da América Latina. Na ocasião, o petista classificou o ato como “política generosa”.

Por Portal Novo Norte

Lula desmente Marina Silva e diz que erradicou a fome no Brasil

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Declaração ocorreu em Montevidéu, ao lado do presidente do Uruguai

Nesta quarta-feira (25), o presidente Lula (PT) desmentiu [sem querer] a fala descabida da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, durante declaração à imprensa, após encontro com o presidente uruguaio, Luis Alberto Lacalle Pou, em Montevidéu.

Lula afirmou que erradicou a fome no Brasil ao término de seu segundo mandato, em 2011, mas disse que, atualmente, 33 milhões de pessoas passam fome no país.

No entanto, esse número foi superdimensionado por Marina Silva em sua fala no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, no dia 17. Na ocasião, a ministra de Lula disse que atualmente 120 milhões de pessoas passam fome no Brasil, número que corresponde a mais da metade da população do país.

– O Brasil não tinha mais fome quando deixei a Presidência e hoje tem 33 milhões de pessoas passando fome. Significa que quase tudo que fizemos de beneficio social no país, em 13 anos de governo, foi destruído em seis anos. Ou melhor, em sete anos – disse Lula.

Recentemente, a Organização das Nações Unidas (ONU) também divulgou um documento que desmente a fala de Lula e ainda mais da ex-senadora.

O Panorama da Segurança Alimentar e Nutricional 2022 relata que o Brasil possui 4,1% da população subalimentada, o que equivale a quase 9 milhões de pessoas. O relatório tem periodicidade anual e foi divulgado no dia 18.

Dados apontam para a Venezuela como o país que tem mais pessoas, de fato, passando fome na América do Sul. Aproximadamente 20% da população está inserida nessa situação crítica, o que representa 6,5 milhões de pessoas.

ASSISTA AO VÍDEO:

Por Portal Novo Norte

Polícia Legislativa pede reforço policial para posse de senadores

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Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Interventor diz que foram detectados riscos para a segurança do evento

A Polícia Legislativa pediu reforço de policiamento para a cerimônia de posse dos senadores eleitos nas eleições de 2022 e para a sessão de abertura dos trabalhos, que serão realizadas nos dias 1 e 2 de fevereiro, respectivamente.

Em ofício sigiloso enviado no dia 18 de janeiro ao interventor nomeado pelo governo federal, Ricardo Cappelli, o diretor da secretaria da Polícia do Senado, Alessandro Morales Martins, afirma que foram detectados riscos para a segurança dos eventos.

“Cumpre ainda adiantar que diante da conjuntura nacional, esta Secretaria de Polícia identificou como cenários de riscos a invasão em áreas não autorizadas, a tomada de refém, a presença de atirador ativo, ameaça de explosivo e ainda, a sabotagem em infraestruturas críticas”, informou o diretor.

De acordo com Martins, os riscos estão relacionados com os atos golpistas de 8 de janeiro. “Ambas as cerimônias contam com projeção política, característica cuja sensibilidade foi incrementada em razão dos últimos acontecimentos ligados à invasão dos Três Poderes em 8 de janeiro último. Ressalte-se que eventos dessa magnitude contam com a previsão de participação de diversas autoridades, e no caso da cerimônia de abertura dos trabalhos legislativos, há ainda a expectativa de comparecimento dos chefes dos Três Poderes da República”, diz o documento.

Ontem (24), o ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, prorrogou a atuação da Força Nacional na Esplanada dos Ministérios até 4 de fevereiro. A medida foi tomada para garantir a segurança dos eventos no Congresso e também no Supremo Tribunal Federal (STF), que fará a primeira sessão presencial após a depredação do plenário no dia 1 de fevereiro.

Por Portal Novo Norte

Deputado quer lei para impedir uso do BNDES para outros países

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Ideia é alterar a Lei das Estatais para que o dinheiro brasileiro não seja usado em obras estruturais no exterior

O deputado federal Vicentinho Júnior (PP-TO) irá apresentar um projeto de lei que tem como objetivo impedir que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) seja utilizado pelo Governo Lula para financiar obras em outros países.

Segundo o parlamentar tocantinense, o projeto visa alterar a Lei das Estatais e assim vetar que o banco seja utilizado para empréstimos externos para obras estruturantes até que as obras estruturantes no Brasil estejam em dia.

– Não faz sentido investirmos fora, sem antes cuidarmos daqui! – revelou o parlamentar reeleito.

Vicentinho Júnior lista algumas obras estruturantes que precisam ser feitas a começar pelo seu próprio estado onde é preciso investir nas obras da BR-235, BR-010, BR-242, Ponte Xambioá e outras.

– Vejo o governo federal, via BNDES, querer financiar gasoduto na Argentina. Nada contra nossos vizinhos, mas a favor de continuarmos a construir e edificar nosso país. Dinheiro é como cobertor curto, “ou cobre a cabeça, ou cobre os pés”. Lembro ainda que, em outros tempos, foram esses empréstimos externos os objetos de grandes escândalos no Brasil – declarou o parlamentar no Twitter.

Por Portal Novo Norte

Moro diz que governo segue sem rumo e critica moeda comum

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“Propor moeda comum com a Argentina é cortina de fumaça”, critica o ex-juiz

O senador eleito Sergio Moro (União Brasil-PR) desaprovou a ideia de criação da moeda sul-americana comum. Os entusiastas do projeto são os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Alberto Fernández, da Argentina.

Moro utilizou suas redes sociais, nesta segunda-feira (23), para alertar para o que chamou de “cortina de fumaça”, pois de acordo com ele o “PT não tem qualquer projeto substancial para a economia brasileira”.

– Propor moeda comum com a Argentina é cortina de fumaça para a inexistência, até o momento, de qualquer projeto substancial para a economia brasileira e ilustra que o Governo do PT segue sem rumo – disparou o ex-juiz.

https://twitter.com/SF_Moro/status/1617476340588105729?ref_src=twsrc%5Etfw%7Ctwcamp%5Etweetembed%7Ctwterm%5E1617476340588105729%7Ctwgr%5Edef68cc7e09a46ff777578f844fd58b72e6b5179%7Ctwcon%5Es1_&ref_url=https%3A%2F%2Fpleno.news%2Fbrasil%2Fpolitica-nacional%2Fmoro-diz-que-governo-segue-sem-rumo-e-critica-moeda-comum.html

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Deputados eleitos em outubro tomam posse no dia 1º e elegem a nova Mesa Diretora da Câmara

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Foto: Ilustração Thiago Fagundes/Agência Câmara

Ilustração Thiago Fagundes/Agência Câmara Os 513 deputados federais eleitos em outubro do ano passado tomarão posse no próximo dia 1º em sessão m…

Os 513 deputados federais eleitos em outubro do ano passado tomarão posse no próximo dia 1º em sessão marcada para as 10h, no Plenário Ulysses Guimarães. No mesmo dia, às 18h, começa a sessão destinada à eleição do novo presidente e da Mesa Diretora para o biênio 2023/2024.

Entre e posse e a eleição da Mesa será aberto o prazo para a formação de blocos partidários e o lançamento de candidaturas. Quanto maior o bloco partidário, maior o número de cargos na Mesa. Os cargos são distribuídos entre os partidos integrantes de cada bloco. Se preferirem, os partidos podem atuar sozinhos, sem integrar nenhum bloco.

A Mesa é responsável pela direção dos trabalhos legislativos e dos serviços administrativos da Casa. Entre suas atribuições, também está a promulgação de emendas à Constituição, juntamente com o Senado.

A Mesa Diretora compõe-se da Presidência (presidente e dois vice-presidentes) e da Secretaria — formada por quatro secretários e quatro suplentes.

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Pautas anticorrupção colocam Moro em rota de colisão com Lula a partir de 2023

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Moro: existe uma insatisfação com a prestação da Justiça no país, e o Senado é um dos campos para que isso seja enfrentado - Reprodução/Tv Senado

Identificado com as pautas anticorrupção e da segurança pública, o ex-juiz Sérgio Moro (União-PR) garante que não será senador “de uma nota só”. El…

Identificado com as pautas anticorrupção e da segurança pública, o ex-juiz Sérgio Moro (União-PR) garante que não será senador “de uma nota só”. Eleito pelos paranaenses com quase dois milhões de votos, o ex-ministro da Justiça (2019-2020) na gestão Jair Bolsonaro declara abertamente sua oposição ao atual governo.

— O combate à corrupção e a integridade na política, duas questões indissociáveis e, igualmente, a segurança pública. Mas vou estar envolvido em todos os assuntos que sejam relevantes para o país: economia, política social, saúde, educação. Ou seja, podem esperar um senador muito presente nas atividades políticas dessa Casa.

Moro teve grande projeção de imagem nos últimos anos, sobretudo por causa da Operação Lava Jato, força-tarefa do Ministério Público Federal e da Polícia Federal que entre 2014 e 2021 investigou lavagem de dinheiro e crimes de corrupção na Petrobras, em outras estatais e em grandes empreiteiras. Cerca de 100 pessoas foram condenadas a partir dessas investigações, entre elas, em 2017, o então ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva. Ele permaneceu preso por 580 dias em Curitiba entre 2018 e 2019, mas teve as ações penais nas quais era acusado anuladas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 2021. O Supremo entendeu que os processos relativos aos casos do triplex do Guarujá, do sítio de Atibaia e do Instituto Lula (sede e doações) não tinham correlação com os desvios de recursos da Petrobras e com a Operação Lava Jato. Não eram, portanto, da competência da 13ª Vara da Justiça Federal de Curitiba.

Quando eleito senador, Moro postou nas redes sociais: “A Lava Jato vive”. Para ele, sua eleição, de certa maneira, representa a confiança que as pessoas têm na pauta do combate à corrupção.

— Agora vamos poder defendê-la diretamente no Congresso Nacional. Antes, como juiz, eu não interferia na atividade política, tinha uma série de limitações do que eu podia falar, do que eu podia fazer. Depois, como ministro da Justiça, embora a gente tivesse uma relação de dinâmica com o Senado, com o Congresso, não é exatamente a mesma coisa — explica em entrevista à TV Senado.

Como parte da estratégia em prol de mudanças estruturais, o futuro senador pelo Paraná destaca, por exemplo, a eleição do ex-procurador da República Deltan Dallagnol (Podemos-PR) — coordenador da força-tarefa da Lava Jato — para a Câmara dos Deputados. Também iniciará um mandato na Câmara a mulher do ex-juiz, Rosangela Moro (União-SP).

— Então a ideia é a gente pegar os parlamentares envolvidos nessas causas de combate à corrupção e reunir, aglutinar essas pessoas, para a gente poder construir uma posição coletiva forte. Tem aquela velha frase: o preço da liberdade é a eterna vigilância. Eu diria que o preço da integridade também é a eterna vigilância. O Congresso tem o papel essencial na fiscalização do Executivo — lembra.

O ex-juiz reconhece que há muitas lendas em relação à Lava Jato, mas assinala o papel transformador que a força-tarefa teve. O Brasil, ressalta, tem uma tradição de impunidade para a grande corrupção e outros crimes praticados por pessoas poderosas:

— A Lava Jato, juntamente com o [processo do] Mensalão, rompeu essa tradição de impunidade para casos de grande corrupção. Eu tenho absoluta certeza que quem foi preso, condenado na Lava Jato, foi porque ou pagou suborno ou recebeu suborno. Em qualquer país do mundo, é um passo civilizatório importante você responder com consequências a um crime de corrupção.

Na avaliação do próprio Moro, o trabalho que ele desenvolveu no Ministério da Justiça foi do mesmo modo importante, principalmente no combate ao crime organizado e na redução da criminalidade violenta.

Fiscalização 

Moro afirma que será um senador independente. Agora com quatro anos na política, o ex-juiz adianta que pretende adotar uma postura de humildade, necessária, em sua opinião, por ser ele “um marinheiro de primeira viagem”. Chega, porém, muito disposto a trabalhar e a ocupar o espaço do debate de forma combativa, embora respeitosa e construtiva. O essencial numa casa parlamentar é o respeito o ponto de vista alheio, entende o representante pelo Paraná. Na definição de Moro, “quem diverge não é seu inimigo, apenas não compartilha da mesma ideia”.

Apesar de estar na oposição, o futuro senador assegura que, como todo brasileiro, deseja o sucesso do Brasil: “gostaríamos de ter um governo eficiente e que tome as decisões certas”.

— O papel do Parlamento é ser fiscalizador, [fazer] esse contraponto. Vamos receber as propostas, vamos analisar. Claro que se vierem propostas positivas para o país, você endossa aquilo que entende favorável. Agora, pelo perfil ideológico pelo PT, eu certamente estarei na oposição e contrário a boa parte dos projetos. Mas não vamos apitar o pênalti antes da falta, vamos esperar vir as propostas para ver o que acontece.

Economia

Ao se declarar um liberal na questão econômica, Moro afirma que, no âmbito que for possível, o Congresso pode tentar adotar um protagonismo, se as reformas não vierem do Poder Executivo. Ele destaca como essencial a reforma tributária, que tramita entre as duas Casas por cerca de duas décadas:

— É uma reforma importante para melhorar a produtividade da nossa economia. Claro que a gente pode ter divergências relevantes em cima de detalhes, como por exemplo a distribuição desses recursos, mas uma reforma simplificadora é importante para dinamizar a nossa economia.

Abrir a economia é fundamental, segundo Moro:

— O Brasil é um país relativamente fechado em termos de sua interação comercial com o exterior. Se não inserirmos nossas empresas nas cadeias produtivas globais, nós perdemos competitividade. Também temos de buscar abrir mercado para o país lá fora. Acredito na dinâmica de uma sociedade aberta, plural, democrática.

O ex-ministro defende ainda a reponsabilidade fiscal. Com o descontrole, observa, há aumento da inflação e o concomitante aumento de juros. O Brasil, país emergente, com gigantesco potencial, tem limitações orçamentarias muito significativas, justamente por conta de alto endividamento.

— A gente não pode fazer grandes liberalidades, generosidades com o orçamento público. Até porque, quem paga por isso é o contribuinte. Já ficou claro aqui no Brasil que não há aceitação a qualquer proposta de aumento de tributo. Temos que ganhar produtividade na nossa economia, sim, criando aquele ambiente favorável para os negócios, sem capitalismo de compadrio, fomentando a livre competição, privatizando. Claro que o governo que entrou tem uma pauta diferente, mas o Congresso é um Poder independente.

Prisão em segunda instância

Para o senador eleito, a prisão em segunda instância é uma questão de justiça, acima de tudo, seja no caso dos crimes de corrupção, seja no caso de outros crimes:

— Quando eu era ministro, a gente conseguiu aprovar uma mudança na lei para ter execução em primeira instancia para crimes de assassinato, homicídio e feminicídio, julgados pelo tribunal do júri. Foi um avanço importante. Infelizmente não conseguimos a aprovação da prisão em segunda instância [para crimes na esfera da Administração Pública]. Mas se a gente quer ter um processo efetivo, seja cível, seja criminal, temos de ter um processo que não seja interminável. Esse é um tema essencial para a diminuição da impunidade no Brasil.

O fim do foro privilegiado é outra questão que transcende a questão partidária, em uma agenda necessária para modernizar o Brasil, de acordo com Moro:

— Não é porque agora fui eleito senador, que eu vou passar a defender [o foro privilegiado]. Ao contrário, defendo a supressão total. Claro que tem argumentos que podem ser colocados a favor do foro privilegiado — evitar que as autoridades fiquem sujeitas a ações judiciais frívolas — e elas existem —, mas os danos causados pelo foro privilegiado são muito maiores que esses benefícios.

O terceiro ponto a ser discutido é autonomia das agências responsáveis pela investigação e combate ao crime, conforme o parlamentar. Ele defende, por exemplo, um mandato fixo de quatro anos para o diretor da Polícia Federal, com a possibilidade de demissão apenas por má conduta ou manifesta insuficiência de desempenho:

— Colocar esses temas na pauta do dia significa mobilizar a sociedade civil, despertando a atenção dela via imprensa, debate, discurso.

Judicialização da política

Para Moro, o Senado vai ter oportunidades de tratar a questão da judicialização da política quando da definição das próximas duas vagas que abrem no Supremo Tribunal Federal em 2023. A indicação dos nomes para ministros do STF  é do presidente da República, mas a sabatina e a aprovação cabe aos senadores.

— Historicamente, o Senado não tem feito um crivo rigoroso. Isso é exemplificado pelo fato de que, em 131 anos, desde a primeira constituição republicana, apenas um nome foi rejeitado, e ainda na época do Floriano Peixoto, que vivia às turras com o Supremo, e indicou Barata Ribeiro, um médico. Para ministro do Supremo tem que ser um jurista — opina.

Desde então, nenhum nome foi rejeitado, o que revela, nas palavras do ex-juiz, “passividade do Senado na aferição desse mérito”. O senador eleito defende a discussão da reforma do Judiciário, em diálogo com o STF, com o Superior Tribunal de Justiça (STJ) e com as instancias ordinárias:

— Porque existe, sim, uma insatisfação em relação à prestação da Justiça no país, e o campo para que isso seja enfrentado, um dos campos, é o do Senado, é o do Congresso.

Liberdade de expressão

Cabe ao Congresso discutir ainda sobre limites à liberdade de expressão, na opinião de Moro:

— É uma liberdade fundamental, não só para a expressão da dignidade da pessoa humana, mas igualmente para o próprio funcionamento da democracia. A gente precisa ter a liberdade de adotar um discurso veemente no âmbito político, inclusive muitas vezes, com críticas às autoridades. (…) Qualquer remédio nessa área tem que ser muito bem estudado para que a gente não vá nem para a censura, nem para o lado da permissividade.

Por Portal Novo Norte