‘Se quiser uma chance, Haddad terá de se colocar acima do PT’, diz Rafael Cortez

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Por Renée Pereira

Para o analista político da Tendências Consultoria Integrada, Rafael Cortez, o segundo turno vai exigir um esforço muito maior do candidato do PT Fernando Haddad do que de Jair Bolsonaro (PSL), que teve maioria dos votos no domingo, 7. “Haddad tem de se colocar como líder acima do partido se quiser ter alguma chance”. Veja, a seguir, trechos da entrevista do analista político.

Como o sr. vê segundo turno?

Vejo uma dinâmica eleitoral muito peculiar porque vão se contrapor duas forças com uma rejeição muito alta. Ainda que Bolsonaro já esteja no limiar da vitória, a eleição ainda é muito competitiva. Do ponto de vista do PT, que tem o desafio de recuperar um déficit grande em relação ao Bolsonaro, vai ser justamente a capacidade de fazer uma união com forças distintas do petismo. Uma parcela dessa votação no Bolsonaro é o eleitorado punindo o PT pelo desempenho ao longo do governo Dilma e, depois, por causa dos desdobramentos da Operação Lava Jato. Então, para tirar um pouco essa marca negativa de associação com o PT, o Haddad tem de se colocar como um líder acima do partido, se quiser ter alguma chance relevante.

É uma tarefa difícil diante do crescimento do antipetismo?

Sim. O eleitorado antecipou um movimento esperado par o segundo turno. O antipetismo estava razoavelmente disperso enquanto não havia o crescimento do Haddad. Na medida que ele emergiu, o antipetismo veio a galope. Daí a necessidade de ele se colocar como uma liderança multipartidária. Se ficar simplesmente como continuidade do Lula, provavelmente não vai ter resultado.

Ele fez isso no primeiro turno?

Sim, e entendemos a razão. O PT fez uma campanha apostando num nome (de Lula) que não teria condições legais de disputar a eleição e o crescimento do Haddad, num curto espaço de tempo, teria de vir por essa identificação. De fato, isso ocorreu, mas não é suficiente para gerar uma vitória quando a competição é de dois turnos e com esse sentimento antipetismo muito elevado.

E o Bolsonaro?

Acredito que ele vai tentar trazer algum elemento que não ficou destacado no primeiro turno, como atrair o baixa renda do Nordeste. Mas o Bolsonaro tem uma vantagem não só por ter desempenho positivo no primeiro turno, mas pelo papel que se coloca na campanha. Ele é resultado de uma dupla rejeição: ao PT e ao governo Temer/política tradicional. O fato de o Bolsonaro representar um descolamento maior do sistema torna a relação dele com o eleitorado mais livre e com menos constrangimento.

Como o País sai dessa eleição?

O Brasil conseguiu preservar a democracia. Contudo, o desafio é superar o questionamento da legitimidade de algumas instituições que são fundamentos da democracia e especialmente a capacidade do sistema político brasileiro de gerar coalizões estáveis, que foi algo que esteve ausente nesse último período 2015/2018. Estabilidade de coalizão significa que o mecanismo da cooperação ainda é positivo, em que os conflitos são canalizados pelos partidos políticos e eles não impedem tomadas de decisões importantes, como as reformas. Temos um quadro social muito complicado por causa da crise econômica e a não resolução dos problemas tem consequências sociais sérias.

 

Fonte: Estadão conteúdo

Novato, Amoêdo surpreende e vira ativo eleitoral

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Por Matheus Lara, com colaboração de Fernanda Nunes e Marcio Dolzan

O empresário João Amoêdo ficou minutos na fila até chegar sua vez de votar, ontem pela manhã em sua zona eleitoral no Rio de Janeiro. Não passou à frente de pessoas comuns como costuma acontecer quando presidenciáveis vão votar. Fechou sua campanha da forma como a conduziu desde o início: tentando se vender como diferente dos políticos “que estão aí”. Estreante na política, desconhecido do eleitorado e único outsider desta corrida presidencial, o candidato do Partido Novo surpreendeu e terminou a eleição entre os cinco candidatos mais votados do primeiro turno.

Com discurso liberal, sem usar recursos públicos e apostando na militância online e nas ruas, Amoêdo viu sua candidatura crescer e sai da eleição com mais força do que entrou. Amoêdo não descarta apoio ao candidato do PSL, Jair Bolsonaro, no segundo turno. Só diz que “não há possibilidade de apoiar o PT”. “O PT se mostrou muito desalinhado com os ideais e as práticas do Novo Vamos ver se existirá apoio ou não a Bolsonaro. Algo muito importante e que sempre destacamos é que nós apoiamos ideias.”

Com 99,89% das seções apuradas, Amoêdo tinha 2,5% dos votos, à frente de nomes como Marina Silva (Rede), terceira colocada nos pleitos de 2010 e 2014. Somou mais de 2,6 milhões de votos, superando também Henrique Meirelles (MDB) e Alvaro Dias (Podemos), que apareciam tecnicamente empatados com o empresário nas pesquisas de intenção de voto. Amoêdo manteve cerca de 2,5% dos votos durante toda a apuração dos votos, sempre na quinta posição, com 2 a 3 pontos porcentuais atrás de Geraldo Alckmin (PSDB). Para Amoêdo, o resultado “superou todas as nossas expectativas e mostra que dá para fazer uma política diferente no Brasil.”

Sua campanha se fortaleceu também com o crescimento da adesão ao partido nos Estados. Em Minas Gerais, Romeu Zema confirmou as pesquisas que apontavam sua tendência de alta e obteve 43% dos votos. Está no 2.º turno na disputa pelo governo estadual. Ele enfrentará Antônio Anastasia (PSDB), que fez 29% (mais informações à pág. A26). Em São Paulo, apesar de ter ficado longe do 2.º turno, Rogério Chequer obteve mais votos que candidatos que participaram de debates televisivos, como Rodrigo Tavares (PRTB) e Professora Lisete (PSOL).

Na comparação com a Rede, o outro partido também criado entre as corridas eleitorais de 2014 e 2018, fez mais, já que Marina ficou para trás e o partido não foi ao segundo turno em nenhum Estado. Para Amoêdo, as eleições deste ano, a primeira do partido, fazem o Novo despontar como uma força política no País. “O Novo está apenas começando. Nosso desempenho foi sensacional”, disse. “Terminamos essa eleição em 5.º lugar, acima de candidaturas consolidadas e tradicionais, tudo sem usar dinheiro público.”

Nas redes

Com 5 segundos em cada bloco do horário eleitoral dos presidenciáveis na TV, em que tentava reforçar a ideia de que não era como os outros, Amoêdo fortaleceu sua imagem na internet Com vídeos diários, o candidato conseguiu mobilizar uma militância online engajada e que tentava formar uma “onda laranja”.

Durante os debates na TV, seus militantes faziam coro protestando contra a ausência de Amoêdo entre os debatedores. Ele não participou de nenhum debate.

Ao todo, sua campanha gastou R$ 5 milhões, quase tudo arrecadado por meio de uma vaquinha virtual. Na reta final da campanha, atacou as “fake news” ao ver nas redes notícias que estaria disposto a desistir de sua candidatura a favor de Bolsonaro – para uma possível vitória do capitão reformado ainda no primeiro turno. Ele acredita que, não fosse isso, teria recebido ainda mais votos. “Tivemos algumas notícias falsas tentando levar votos para decidir no primeiro turno. Achamos isso inadequado”, afirmou ontem, depois de votar.

Em sabatina do jornal O Estado de S. Paulo e FAAP, Amoêdo afirmou que seu partido busca ser mais do que uma legenda antipetista. “Queremos ser uma opção à velha política, dos privilégios, das alianças que são feitas para o processo eleitoral e não para o governo”, afirmou.

Ele ainda disse que seu partido busca práticas e ideias diferentes. “Foi por isso que nos últimos oito anos entramos no mundo político. Nós não enxergamos, no cenário que tem aí, uma opção que gostaríamos de votar. Sempre votei no menos pior e cansei. Ao votar continuamente no menos pior, ele fica muito próximo do pior.”

PSDB

Amoêdo rejeita a ideia de comparar o Novo ao PSDB. Para ele, o “raciocínio” das siglas é muito diferente. Questionado sobre a comparação durante a campanha, ele respondeu que o PSDB estava se associando a nomes como Roberto Jefferson e Valdemar Costa Neto, ambos presos no mensalão, para ganhar poder – e que os tucanos pretendiam se perpetuar no poder se aliando a quem já foi aliado da presidente cassada Dilma Rousseff.

“Nós queremos mudar o que está aí. Já o PSDB está aí há muito tempo e tem uma linha diferente da nossa”, disse o candidato. “Não privilegiamos acordo por tempo de TV. Podemos dizer que os fins não justificam os meios.” As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Eleições: Macaé elege três deputados federais e um estadual para os próximos quatro anos

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Parlamentar dá início a mandato cuja posse ocorrerá no próximo dia 1º de fevereiro

Com 100% das urnas apuradas, o vereador de Macaé, Welberth Rezende (PPS), foi eleito deputado estadual com 31.723 votos. A Capital do Petróleo volta a ter um parlamentar na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). Por sua vez, Soraya Santos (PR), Christino Áureo (PSD) e Felício Laterça (PSL) obtiveram êxitos nas urnas e conquistaram uma cadeira no Congresso Federal.

Soraya Santos (PR) foi reeleita com 48.328 votos. A parlamentar macaense vai para seu segundo mandato na Câmara Federal. Já o deputado estadual Christino Áureo concorreu pela primeira vez a uma vaga federal e foi eleito com 47.101 votos. Felício Laterça, delegado da Polícia Federal, conquistou 47.065 votos.

 Welberth teve que construir em pouco menos de dois meses sua campanha, herdando a única candidatura à Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) pelo PPS, do padrinho político Comte Bittencourt (PPS), que concorreu a vice-governador na chapa de Eduardo Paes (DEM).

“Estou muito feliz com o resultado obtido nas urnas nesta eleição. Só tenho que agradecer cada voto conquistado. Serei o representante de Macaé e de nossa região na Alerj. A força do trabalho é a melhor opção para todos nós”, afirmou Welberth.

Confira a votação dos candidatos macaenses nesta eleição.

 Deputado Federal

. Soraya Santos (PR) – 48.328 votos (eleito)

. Christino Áureo (PP) – 47.101 (eleito)

. Felício Laterça (PSL) – 47.065 (eleito)

. Danilo Funke (PSOL) – 11.337

Deputado Estadual

. Welberth Rezende (PPS) – 31.725 votos (eleito)

. Chico Machado (PSD) – 30.067

. Julinho do Aeroporto (MDB) – 10.623

. Marcel Silvano (PT) – 9.414

. Dr. Luiz Fernando (PTC) – 5.291

. Marcelo Carnaval (Novo) – 3.205

. Val Barbeiro (PHS) – 3.180

. Pastor Eliezer Pacheco (PSC) – 1.847

 

Flávio Bolsonaro e Arolde de Oliveira são eleitos para Senado pelo RJ

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Com 99,96% das urnas apuradas, o deputado estadual Flávio Bolsonaro (PSL) e o deputado federal Arolde de Oliveira (PSD) foram eleitos para o Senado pelo Rio de Janeiro, com 31,36% e 17,06% dos votos válidos, respectivamente.

Flávio Bolsonaro é filho do candidato a presidente Jair Bolsonaro. É advogado e deputado estadual há quatro mandatos.

Arolde tem 81 anos e está no seu sétimo mandato como deputado federal pelo Rio de Janeiro.

César Maia (DEM) com 16,67%, o senador Lindbergh Farias (PT) com 10,17% e o deputado federal Chico Alencar (PSOL) com 9,17% não foram eleitos.

Wilson Witzel e Eduardo Paes disputam o segundo turno para o governo do Rio

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Os candidatos Wilson Witzel (PSC) e Eduardo Paes (DEM) vão disputar o segundo turno das eleições para governador no Rio de Janeiro no dia 28 de outubro. Com 99,94% das urnas apuradas, Wilson contabilizou 41,28% dos votos válidos e Paes, 19,56%.

O juiz federal Wilson Witzel nasceu em Jundiaí, em 1968. Aos 19 anos se mudou para o Rio de Janeiro, onde se tornou fuzileiro naval e defensor público. Fez mestrado em Processo Civil e doutorado em Ciência Política. Foi professor de Direito Penal Econômico por maios de 20 anos, ministrando aulas em instituições como a Fundação Getulio Vargas e a Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Para se candidatar ao cargo do governo do Rio, Witzel filiou-se este ano ao Partido Social Cristão (PSC). Em 2001, ele entrou para a magistratura, atuando em varas criminais e cíveis, chegando a presidir, entre 2014 e 2016, a Associação dos Juízes Federais do Rio de Janeiro e Espírito Santo (Ajuferjes).

Formado em Direito, Eduardo Paes, de 48 anos, é candidato a governador do Rio de Janeiro pelo DEM, em uma coligação com outros 11 partidos, incluindo MDB, PSDB, PP, PTB, PPS e PV. Começou na política no início da década de 1990, como subprefeito da zona oeste do Rio de Janeiro, de 1993 a 1996. Em 1996, foi eleito vereador, como o mais votado da cidade. Permaneceu no cargo até 1999, quando assumiu seu primeiro mandato como deputado federal. Manteve-se como parlamentar até 2006.

Elegeu-se prefeito do Rio de Janeiro em 2008, com 1,7 milhão de votos, e reelegeu-se em 2012, com 2,1 milhões de votos, ainda no primeiro turno. Paes já havia se candidatado ao governo fluminense em 2006, mas ficou apenas em quinto lugar, com 5% dos votos válidos.

Eleição acirrada leva 160,5 mil macaenses às urnas neste domingo

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Macaé possui poder de eleger três deputados estaduais e três federais nestas eleições

Com segundo maior colégio eleitoral do Norte do Estado, Capital do Petróleo possui força para redefinir composição da Alerj e do Congresso Nacional

Em um dos pleitos mais controversos e disputados da história da democracia recente brasileira, mais de 160,5 mil eleitores de Macaé irão às urnas neste domingo (7), com a força de redefinir as cadeiras da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) e do Congresso Nacional.

Seguindo uma tendência nacional, o posicionamento do eleitor da cidade ouvido nas urnas segue o indicativo das recentes pesquisas que apontam o quadro de intenção de votos para a presidência da República. Neste cenário, Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT), polarizam a briga seguidos por Ciro Gomes (PDT), Marina Silva (REDE), Geraldo Alckmin (PSDB) e Henrique Meirelles (MDB).

Mas, é na batalha pelas cadeiras do poder Legislativo, no Estado e em Brasília, que a força do eleitorado da cidade deverá ser percebida. De acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), exatos 160.555 pessoas estão aptos a comparecer às urnas, nas 475 seções eleitorais espalhadas pela cidade.

Veja a lista dos locais da 109ª Zona Eleitoral

Veja a lista dos locais da 254ª Zona Eleitoral 

Esse volume de eleitores está dividido entre as seções administradas pelos dois Cartórios Eleitorais da cidade. No que representa a 109ª Zona Eleitoral, 86.376 eleitores estão cadastrados divididos em 262 seções eleitorais. Ao todo foram cancelados 6.621 títulos e outros 302 suspensos. Já na 254ª Zona Eleitoral, estão inscritos 74.179 eleitores divididos em 213 seções eleitorais. Ao todo foram cancelados 5.964 títulos e outros 344 suspensos.

Ao apresentar o segundo maior colégio eleitoral do Norte Fluminense, perdendo apenas para Campos dos Goytacazes com mais de 300 mil, Macaé possui poder de garantir a participação de, ao menos, três candidatos locais na futura composição da Assembleia Legislativa do Estado, assim como outros três integrantes da Câmara dos Deputados, em Brasília.

Além disso, Macaé possui um peso significativo para a escolha do futuro governador.

Vale lembrar que, para votar, é preciso saber o local da seção eleitoral, além de apresentar o Título de Eleitor ou um documento com foto. A votação ocorre entre 8h e 17h. O resultado das urnas deverá ser divulgado até às 20h.

Filho de Cabral é condenado por ‘carteiradas’ em presídio para visitar o pai

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Por Roberta Pennafort

O deputado federal Marco Antonio Cabral (MDB), candidato à reeleição, foi condenado por improbidade administrativa pela Justiça Federal. O filho do ex-governador Sérgio Cabral (MDB) e seu herdeiro político foi sentenciado “à perda da função pública, à proibição de contratar com a administração pública por três anos e ao pagamento de multa de 337 mil reais” por ter usado sua carteira de deputado para visitar o pai na prisão por 23 vezes.

A decisão foi do juiz Ricardo Levy Martins, da 11ª Vara Federal do Rio de Janeiro, e decorre de ação do Ministério Público Federal ajuizada em 2017. Marco Antônio utilizou a carteira para entrar no presídio Bangu 8 em dias e horários proibidos para visitação. “Em 11 dessas visitas irregulares, o deputado sequer estava exercendo o mandato parlamentar, porque à época atuava como secretário Estadual de Esporte e Lazer”, apontou a Justiça Federal.

O juiz entendeu que as visitas eram de foro íntimo, sem relação com o exercício do mandato, e que, portanto, o uso do documento foi indevido, representando “grave violação às regras de visitação das unidades prisionais do Estado do Rio”. Ele considerou que Marco Antônio violou “princípios da moralidade, honestidade e legalidade, na forma do art. 11 da Lei 8429/92, consistente na indevida utilização de prerrogativa parlamentar para realizar visitas de interesse exclusivamente particular a seu genitor”.

A sentença diz ainda: “Não se deve perder de vista que o membro do Poder Legislativo, justamente por ser o principal formulador das leis, deveria ser um dos principais defensores da aplicação geral e despersonalizada das normas que produz. Esta verdade inafastável revela o especial desvalor daquele que utiliza indevidamente suas prerrogativas para, violando os princípios mais básicos da moralidade, honestidade e legalidade, colocar-se à margem da incidência da norma que rege a vida dos demais cidadãos”.

E também que “a sanção no presente caso merece ser tal que, em primeiro lugar, evidencie à sociedade o quão grave e intolerável é a desvirtuação das prerrogativas atribuídas aos mais altos cargos da República, e em segundo lugar, impacte na consciência do agente ímprobo, de forma que sirva como uma grave lembrança de que o mandato que lhe foi atribuído pelo voto não pode ser utilizado para atingir interesses exclusivamente privados.”

O procurador da República Gustavo Magno Albuquerque, autor da ação, considerou que a sentença “é um belo presente de aniversário pelos 30 anos da Constituição de 1988, e reafirma a ideia fundamental de que a lei deve valer para todos. O deputado deu 23 ‘carteiradas’ para burlar normas que devem ser respeitadas pelos visitantes de presídios e abusou das prerrogativas que recebeu do povo para o exercício do mandato parlamentar. A condenação é mais uma importante contribuição do MPF e da Justiça Federal para pôr fim à dinastia da improbidade iniciada por Sérgio Cabral, já condenado a quase 200 anos de prisão, e levada à frente por seu filho Marco Antônio.”

Marco Antônio respondeu assim à notícia, por meio de sua assessoria de imprensa: “A divulgação de uma suposta condenação que não está no processo, na véspera da eleição, tem objetivo de influenciar o processo eleitoral. O deputado federal afirma que não cometeu nenhum ato de improbidade e que irá tomar as medidas legais contra esse vazamento.”

Governador do Rio entre 2007 e 2014, Cabral está preso desde novembro de 2016, e já foi condenado por crimes como corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. A ele é atribuído o maior esquema de corrupção de que o Rio já teve notícia, com cobrança de propina em áreas como transportes, saúde e obras e uma movimentação de cerca de R$ 1 bilhão.

Fonte: Estadão conteúdo

Sistema político brasileiro extrai o pior das pessoas, diz Barroso

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Por Vinicius Neder

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso afirmou nesta sexta-feira, 5, que considera “muito ruim” uma convocação de uma nova Constituição Federal no atual contexto político. Segundo Barroso, o mais urgente agora é fazer uma reforma política, pois o sistema político brasileiro “extrai o pior” das pessoas.

O candidato a vice-presidente na chapa de Jair Bolsonaro pelo PSL, general Hamilton Mourão, já declarou que a Constituição poderia ser reformada por um “conselho de notáveis”, enquanto o presidenciável do PT, Fernando Haddad, disse durante a campanha que queria “criar as condições” para a convocação de uma assembleia constituinte.

“Embora não seja a Constituição ideal, se é que isso existe, é a Constituição das nossas circunstâncias”, afirmou Barroso, em palestra durante evento promovido pela Fundação Getulio Vargas (FGV), no Rio.

Segundo o ministro, a Constituição de 1988 ajudou o País a fazer uma “travessia bem sucedida” de um Estado autoritário e violento para um Estado democrático. “Considero muito ruim se desperdiçar o capital político dessa Constituição e se convocar uma nova Constituição”, completou o ministro, ressaltando que “dificilmente sairá alguma coisa melhor”.

Para Barroso, independentemente de quem for eleito presidente, a reforma política é a primeira que deveria ser feita. “Ganhe quem ganhar, eu começaria pela reforma política”, afirmou o ministro. Segundo o ministro, é preciso que a reforma política seja capaz de baratear o custo das eleições, aumentar a representatividade dos parlamentares e aumentar a governabilidade.

fonte: Estadão conteúdo

Espero que Bolsonaro debata ‘olho no olho’, diz Haddad em MG

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Por Leonardo Augusto, Especial para o Broadcast Político

Em segundo lugar nas pesquisas de intenção de voto, e ainda vendo o rival Jair Bolsonaro (PSL) subir mais, o candidato do PT à Presidência da República, Fernando Haddad, afirmou nesta sexta-feira, 5, que o adversário se esconde nas redes sociais e que quer que o oponente debata “frente a frente”.

Haddad, ao lado do candidato à reeleição pelo PT ao governo de Minas, Fernando Pimentel, da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), que disputa vaga ao Senado pelo Estado, e da vice Manuela D’Ávila (PCdoB), participou de ato público em Venda Nova, Belo Horizonte.

Sobre a possibilidade de a disputa ir para o segundo turno, o petista disse que “a expectativa é que ele (Bolsonaro) debata”. “Frente a frente. Olho no olho. Ao invés de usar as redes sociais para se esconder”, afirmou. Haddad disse ainda que a campanha vai “atuar nas redes sociais contra a difamação e a injúria”.

Fonte: Estadão conteúdo

Valor da ação de fabricante de armas dobra na Bolsa de SP

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Por Dayanne Sousa

Mais de cinquenta vezes em dois meses. Esse foi o crescimento do volume de transações na Bolsa de Valores envolvendo uma ação que, até pouco tempo, não figurava entre as principais movimentações no mercado: a da fabricante de armas de fogo Forjas Taurus.

No mesmo período, o valor dos papéis preferenciais mais que dobrou e o de mercado da empresa saltou de R$ 139,3 milhões para R$ 332 milhões. Tudo isso apesar de a companhia acumular prejuízos e dívida em alta.

As ações da Forjas Taurus têm ganhado atenção no mercado em meio ao cenário eleitoral. Desde o início da campanha em rádio e TV – dia que marca a entrada do debate político nas atenções do público – o volume negociado das ações preferenciais da empresa de armamentos aumentou de R$ 255 mil ao dia para mais de R$ 14 milhões. O preço do papel, que no primeiro dia de campanha era de R$ 2,34, chegou aos R$ 4,98 nesta quinta-feira, 4.

No mercado, há quem ligue o movimento do papel à posição favorável de Jair Bolsonaro (PSL), candidato líder nas pesquisas de intenção de voto, ao armamento da população. Mesmo porque, o desempenho da ação da Forjas Taurus não encontra respaldo nos dados financeiros da companhia. No primeiro semestre de 2018, a empresa acumula prejuízo de R$ 92,6 milhões, perda mais de três vezes superior à verificada no mesmo período do ano passado.

Embora a receita com a venda de armas venha crescendo, a companhia está sendo impactada pelo aumento de despesas financeiras, que cresceram 98% no segundo trimestre deste ano ante igual período do ano anterior, chegando a R$ 118,6 milhões. A companhia afirmou em seus resultados que a alta das despesas ocorre em função da valorização do dólar ante o real.

Nesse sentido, a queda da divisa norte-americana, que veio junto com o bom desempenho de Bolsonaro nas últimas pesquisas, pode ter contribuído para uma leitura melhor em relação à Forjas Taurus. Ainda assim, o endividamento da companhia vinha crescendo. A dívida líquida aumentou 12% em um ano, para R$ 805 milhões ao final de julho.

Sobre o endividamento, a companhia afirmou em julho que já houve assinatura de contratos para captação de recursos para o pagamento ou renegociação de dívidas.

É inevitável a associação do movimento com a ascensão nas pesquisas eleitorais do candidato à presidência pelo PSL, que sustenta posição favorável ao armamento da população. Desde o início da campanha eleitoral até hoje, o auge de valorização nos papéis ocorreu no dia 20 de setembro, quando a cotação das ações preferenciais chegou a R$ 5,30. O mercado repercutia o crescimento de Bolsonaro na pesquisa de intenção de voto que, naquela data, mostrava o candidato do PSL oscilando de 26% para 28% de intenção de voto.

Todo esse movimento, no entanto, é visto por alguns analistas como puramente especulativo. Até mesmo porque, o próprio Bolsonaro já falou que, se eleito, quebraria o monopólio da fabricante de armas, o que seria negativo para a empresa que fornece material para diversas polícias do Brasil. A empresa não retornou aos contatos de reportagem. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.