Em 1º turno, Câmara de Curitiba sinaliza perda de mandato de vereador petista que invadiu igreja; julgamento segue amanhã

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Foto: Divulgação

Foram 25 votos a favor da cassação do mandato, 7 contra e 2 abstenções.

Os vereadores da Câmara Municipal de Curitiba (CMC) concluíram, às 18h06, desta terça-feira (21), a primeira das duas sessões especiais convocadas para o julgamento do Processo Ético Disciplinar (PED) 1/2022 pelo Legislativo. Hoje, o resultado foi 25 a 7 votos pela perda do mandato do vereador Renato Freitas (PT), cumprindo o requisito da maioria absoluta e sinalizando positivamente pela aplicação da pena. A cassação depende de nova submissão ao plenário, agendada para amanhã, quarta-feira (22), às 15h30, do projeto de resolução que declara a perda do mandato parlamentar (004.00003.2022). Se não for atingido o mínimo de 20 votos favoráveis pela cassação na segunda votação, o caso será arquivado. 

O PED 1/2022 é resultado de cinco representações movidas contra Renato Freitas, de teor semelhante, nas quais o vereador é acusado de quebra de decoro parlamentar ao participar, no dia 5 de fevereiro, de manifestação contra o racismo e em protesto aos assassinatos de Moïse Kabagambe e de Durval Teófilo Filho. No dia 11 de maio, o Conselho de Ética e Decoro Parlamentar (CEDP) entendeu, por 5 a 2 votos, acompanhando o parecer do relator Sidnei Toaldo (Patriota), que Freitas exerceu liderança no ato, perturbou o culto religioso e realizou ato político dentro da Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos.

Com o resultado da votação de hoje, a CMC secunda o entendimento do CEDP sobre os acontecimentos na Igreja do Rosário e sobre a gravidade da conduta atribuída ao representado. A sessão de julgamento estava inicialmente marcada para o dia 19 de maio, mas foi suspensa pelo Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR), por um mês, enquanto a juíza de Direito Patricia de Almeida Gomes Bergonse, da 5ª Vara de Fazenda Pública, nos autos 0001507-54.2022.8.16.0179, analisava pedido da defesa de Freitas acerca da repercussão processual de um e-mail racista contra o parlamentar, cujo remetente se mostrou fraudado mediante serviço de anonimização baseado na República Tcheca.

Votaram a favor do projeto de resolução Alexandre Leprevost (Solidariedade), Amália Tortato (Novo), Beto Moraes (PSD), Denian Couto (Pode), Ezequias Barros (PMB), Flávia Francischini (União), Hernani (PSB), Indiara Barbosa (Novo), João da 5 Irmãos (União), Jornalista Márcio Barros (PSD), Leonidas Dias (Solidariedade), Marcelo Fachinello (PSC), Mauro Bobato (Pode), Mauro Ignácio (União), Noemia Rocha (MDB), Nori Seto (PP), Oscalino do Povo (PP), Sabino Picolo (União), Sargento Tânia Guerreiro (União), Serginho do Posto (União), Sidnei Toaldo (Patriota), Tico Kuzma (Pros), Tito Zeglin (PDT), Toninho da Farmácia (União) e Zezinho Sabará (União).

Foram contrários à cassação Carol Dartora (PT), Dalton Borba (PDT), Herivelto Oliveira (Cidadania), Marcos Vieira (PDT), Maria Letícia (PV), Mestre Pop (PSD) e Professora Josete (PT). Professor Euler (MDB) e Salles do Fazendinha (DC) se abstiveram. Osias Moraes (Republicanos), Pastor Marciano Alves (Solidariedade) e Pier Petruzziello (PP), por serem autores de representações contra Freitas no âmbito do PED 1/2022, foram declarados impedidos de votar. A sessão de julgamento foi acompanhada pelos advogados Alexsandro Ribeiro Martins e Eliza Ferreira da Silva, respectivamente secretário e membro da Comissão de Igualdade Racial da OAB-PR (Ordem dos Advogados do Brasil).

Defesa não compareceu
Nem o vereador Renato Freitas, nem a sua junta de defesa compareceram à sessão de julgamento. No início dos trabalhos, o presidente da CMC, Tico Kuzma (Pros), informou que a realização da sessão nesta terça foi questionada pelos advogados do representado, que pleitearam a aplicação de outros prazos de convocação diferentes do utilizado pelo Legislativo. Discordando dos argumentos levantados pela defesa, o presidente do Legislativo informou que seguiu estritamente o Regimento Interno, com a orientação da Procuradoria Jurídica da CMC, e manteve esse posicionamento após Professor Euler (MDB) e Dalton Borba (PDT) insistirem no questionamento.

Argumentos pela cassação
Denian Couto, Amália Tortato e Flávia Francischini manifestaram-se a favor da cassação do mandato de Renato Freitas. Durante o debate, Couto defendeu que a aplicação da pena máxima ao parlamentar vai “corrigir seu histórico recente [da CMC] de conivência com os desmandos que já houve aqui”, referindo-se ao Legislativo não ter cassado as ex-vereadoras Fabiane Rosa e Kátia dos Animais, acusadas de “rachadinha” (apropriação indevida de parte da remuneração dos assessores”. Sobre o caso atual, disse que o direito ao protesto não está acima do direito à liberdade religiosa..  “Entrar numa igreja sem convite e transformar espaço sagrado em lugar de manifestação não tem amparo legal ou constitucional”, afirmou.

“Chamar de ‘racista’, dizer que a cor da pele do vereador está em questão aqui hoje é uma afronta à inteligência da sociedade curitibana e especialmente uma afronta à dignidade e à moral de cada um dos vereadores que votaram aqui hoje. Eu defendo a liberdade com responsabilidade e que cada pessoa deve responder pelos seus atos”, disse Amália Tortato, ao justificar seu voto pela perda do mandato. Ela rebateu as críticas ao embasamento do PED 1/2022, que viu como críticas à atuação da Corregedoria da CMC, que a vereadora dirige neste ciclo administrativo.

“Estou triste porque eu sei bem o que é a retirada de um mandato conseguido nas urnas. O Renato foi uma das minhas grandes surpresas aqui na CMC e todos sabem o carinho especial que eu tenho por ele. Entretanto, talvez pela juventude, neste caso, o Renato se excedeu. Apesar de ser muito a favor da liberdade de expressão, todos nós, cristãos, sejam católicos ou evangélicos, nos sentimos um pouco violados na famigerada invasão. A fé mexe conosco de forma diferente e certos limites devem ser sempre respeitados”, opinou Flávia Francischini.

Favoráveis ao parlamentar
“Por que o vereador Renato Freitas precisa ser cassado? Não tem como enquadrar essa situação como quebra de decoro. Foi feito um relatório que aponta aspectos sem embasamento técnico”, queixou-se a vereadora Professora Josete, que apresentou argumentos históricos contra o racismo estrutural, que ela julga ter pautado a votação do PED 1/2022. “Peço desculpas à população negra, àqueles que pela sua caminhada votaram em um vereador negro e periférico e que se sentem representados na pessoa do vereador Renato Freitas”, disse.

“O privilégio nunca esteve do nosso lado”, disse Carol Dartora, primeira vereadora negra da história de Curitiba, naquela que foi a defesa mais aguerrida do mandato de Freitas em plenário. “Curitiba assiste hoje um ataque à democracia, que escancara o racismo estrutural que vivemos nessa cidade. O mandato de Freitas foi eleito democraticamente e não há fundamento jurídico que justifique a sua cassação”, afirmou. A parlamentar falou que a acusação contra Freitas se transformou em um “ritual de espetacularização do sofrimento”. “Temos uma cassação sem crime. Querem mandar um recado às periferias da cidade, que essa ainda é uma Curitiba das mesmas famílias, dessa mesma suposta elite que se cala”.

“Faço um convite, que busquem se inteirar do processo”, continuou Maria Leticia (PV). Segundo a parlamentar, o parece de Toaldo que embasa a cassação “estica os limites da realidade, para criar um episódio que não aconteceu”. “Não houve invasão, a porta estava aberta. Não houve manifestação partidária do vereador dentro da igreja. Ele não era dono da manifestação para ser responsabilizado por atos de terceiros. Não houve interrupção do culto. A decisão é tudo, menos justa”, afirmou a parlamentar. 

Presidente do CEDP, Dalton Borba elencou pontos no processo de cassação que julga embasarão a reversão da perda do mandato na Justiça e classificou a situação como “vexame”. “As ilegalidades serão reconhecidas pelo Poder Judiciário. Espero que a Justiça brasileira corrija esse erro”, disse. Referindo-se à fala de Couto, disse que também estudou o processo e esteve em todas as sessões e que, por isso, “tenho a absoluta convicção que não visualizei nenhuma das condutas atribuídas ao vereador Renato Freitas”. Borba criticou o colega por censurar o Supremo Tribunal Federal. “É quando atacamos a Suprema Corte que começamos a romper as bases democráticas”, disse.

Tendo se abstido na votação, Salles do Fazendinha (DC) afirmou que “se a Igreja perdoou o ocorrido, não me sinto superior para condenar [o vereador Renato Freitas]”. Ele defendeu a aplicação de uma pena alternativa, como a suspensão. “A perda do mandato é uma pena de morte eleitoral”, reconheceu.

Por Portal Novo Norte

Veja quanto cada partido político vai gastar de dinheiro público nas Eleições de 2022

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União Brasil, PT, MDB, PSD e PP receberam 47,24% dos R$ 4,9 bilhões

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) divulgou na noite de ontem (15) a partilha dos R$ 4,9 bilhões do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), o Fundo Eleitoral, destinado às legendas para as Eleições Gerais de 2022. O maior Fundo Eleitoral da história foi dividido entre os 32 partidos políticos registrados no TSE. O União Brasil, PT, MDB são os partidos com maior quantia recebida.

O União Brasil, nascido da fusão entre Democratas e PSL, teve direito a mais de R$ 782 milhões. Já o PT, principal partido de oposição ao governo federal, recebeu pouco mais de R$ 503 milhões. O MDB teve direito a R$ 363 milhões. Além disso, o PSD recebeu R$ 349 milhões e o PP aproximadamente R$ 344 milhões. Juntas, essas cinco legendas respondem por 47,24% dos recursos distribuídos.

O Fundo Eleitoral foi criado em 2017. Sua criação se seguiu à proibição do financiamento privado de campanha. Em 2015, o Supremo Tribunal Federal (STF) proibiu doações de empresas a campanhas políticas, sob a alegação de haver desequilíbrio na disputa política e exercício abusivo do poder econômico.

Para distribuir o Fundo Eleitoral, o TSE utiliza critérios definidos em lei. Dois por cento do total são divididos igualmente por todos os partidos registrados no tribunal.

Além disso, 35% são divididos entre os partidos que tenham pelo menos um representante na Câmara dos Deputados, na proporção do percentual de votos obtidos por eles na última eleição. Outros 48% são divididos entre os partidos na proporção do número de representantes na Câmara e 15% divididos na proporção do número de representantes no Senado.

Os recursos do Fundo Eleitoral não são repassados aos partidos a título de doação. Eles devem ser usados exclusivamente no financiamento das campanhas eleitorais, e as legendas devem prestar contas do uso desses valores à Justiça Eleitoral. A verba repassada só ficará à disposição do partido político depois que ele definir critérios para a distribuição dos valores. Esses critérios devem ser aprovados pela direção executiva nacional do partido e precisam ser divulgados publicamente.

Confira abaixo os dez partidos que mais receberam receitas do Fundo Eleitoral:

– União Brasil: R$ 782.549.751,69

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– PT: R$ 503.362.324,00

– MDB: R$ 363.284.702,40

– PSD: R$ 349.916.884,56

– PP: R$ 344.793.369,45

– PSDB: R$ 320.011.672,85

– PL: R$ 288.519.066,50

– PSB: R$ 268.889.585,68

– PDT: R$ 253.425.162,09

– Republicanos: R$ 242.245.577,52

A lista completa pode ser acessada no site do TSE .

Por Portal Novo Norte

Lira reúne líderes nesta segunda para discutir taxação de lucros da Petrobras

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Para Lira, faltou "sensibilidade" à Petrobras ao anunciar aumentos em meio ao esforço do Congresso para reduzir tributos dos combustíveis - (Foto: Paulo Sérgio/Câmara dos Deputados)

Paulo Sérgio/Câmara dos Deputados Para Lira, faltou “sensibilidade” à Petrobras ao anunciar aumentos em meio ao esforço do Congresso para reduzir…

O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), vai reunir os líderes partidários nesta segunda-feira (20) para analisar proposta de taxação dos lucros da Petrobras e mudanças na política de preços praticada pela estatal. Em entrevista à Globonews, ele fez duras críticas ao novo aumento anunciado ontem pela empresa: 5,18% na gasolina e 14,26% no diesel.

Lira também defendeu a renúncia presidente da Petrobras, José Mauro Ferreira Coelho. “Estamos perplexos. Claramente esse anúncio é uma retaliação pela sua demissão. Está fazendo mal ao Brasil e à economia brasileira”, disse Lira. O governo anunciou a demissão de Coelho no fim de maio, mas a substituição depende de nova assembleia de acionistas da empresa.

A Câmara acaba de aprovar o PLP 18/22, que torna os combustíveis serviços essenciais e limita a tributação de ICMS sobre o produto. O presidente da Câmara criticou a “falta de sensibilidade” do conselho diretor da Petrobras pelo anúncio do aumento em meio a essa discussão. “Isso faz com que tenhamos que tomar medidas mais duras contra a Petrobras”, afirmou.

Lira vai reunir o colégio de líderes para discutir como dobrar a taxação do lucro da empresa (CSLL) e alternativas à política de preços a Petrobras, hoje indexada no dólar. “A Petrobras não dá um sinal a diminuir seu lucro de 30%, está trabalhando pra pagar dividendos a fundos de pensão internacionais. Não custava nada esperar resultados do que estamos fazendo para diminuir a inflação para os mais vulneráveis antes de anunciar novos aumentos”, criticou.

Com a nova taxação, Lira espera reverter recursos para população e criar, por exemplo, “voucher combustível para caminhoneiro e taxistas”.

Por Portal Novo Norte

Contador do PCC ligado a Lula tem bens bloqueados pela Justiça

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A Justiça de São Paulo determinou o bloqueio de R$ 40 milhões em imóveis e ônibus de integrantes do PCC e do contador João Muniz Leite. 

Leite é suspeito de ser operador de um complexo esquema de lavagem de dinheiro do narcotráfico por meio de prêmios da Loteria Federal e foi responsável pelo Imposto de Renda do ex-presidiário Lula (PT) e, até hoje, cuida da contabilidade e divide sala com empresas do filho do petista, Fábio Luís, o Lulinha.

O contador teria ganho 55 vezes na loteria e embolsado cerca de R$ 401 milhões. Dessa quantia, R$ 16 milhões teriam ficado com o contador e o restante teria ficado com o traficante de drogas Anselmo Becheli Santa Fausta, o Cara Preta, morto em dezembro de 2021 durante uma emboscada de bandidos na Zona Leste de São Paulo.

Relações de criminosos com Lula

Segundo o Estadão, Muniz é contador da família do ex-presidiário Lula até os dias atuais. Levam o logo da JML Assessoria Contábil e Fiscal os documentos de cadastro, na Junta Comercial de São Paulo, em fevereiro de 2022, da mais recente empresa criada por Lulinha, a LLF Tech Participações LTDA, sediada no apartamento onde o filho do ex-presidente reside. O imóvel em questão está em nome do empresário Jonas Suassuna, que foi sócio de Lulinha e proprietário formal do sítio Santa Bárbara, em Atibaia, propriedade em razão da qual Lula foi processado na Lava Jato.

Por Portal Novo Norte

Contador ligado a Lula é suspeito de lavar R$ 16 milhões em loteria com PCC

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Jornal O Estado de São Paulo – Marcelo Godoy, Luiz Vassallo – 16 JUNHO 2022

“O Departamento Estadual de Investigações sobre Narcóticos (Denarc) pediu à Justiça o sequestro de bens do contador João Muniz Leite por suspeita de lavagem de dinheiro do crime organizado. O investigado e sua mulher ganharam 55 vezes em loterias federais somente em 2021, segundo apurações. Em uma das vezes, ele dividiu prêmio de R$ 16 milhões na Mega Sena com o traficante de drogas Anselmo Becheli Santa Fausta, o Cara Preta, considerado um dos principais fornecedores de drogas do Primeiro Comando da Capital (PCC). Santa Fausta foi morto em dezembro do ano passado.

O Ministério Público estadual concordou com o pedido da polícia. Muniz foi contador do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), de quem fez as declarações de Imposto de Renda de 2013 a 2016. Seu escritório atual, na Rua Cunha Gago, em Pinheiros, fica no mesmo endereço em queFábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do ex-presidente, mantém três empresas: a FFK Participações, a BR4 Participações e a G4 Entretenimento, conforme dados da Junta Comercial de São Paulo. Não há menção na investigação do Denarc a Lula e a seu filho, além da coincidência de endereços.

O prêmio de R$ 16 milhões foi dividido em cinco partes. Muniz ficou com duas; Santa Fausta, com três. Os policiais do Denarc desconfiam de que foi com esse dinheiro, esquentado por meio do prêmio pago pela Caixa Econômica Federal, que Santa Fausta comprou a empresa de transporte UPBus em parceria com cinco integrantes do PCC e 18 de seus familiares. A empresa mantém contrato de R$ 600 milhões com a Prefeitura de São Paulo e opera 13 linhas de ônibus na zona leste.

Valores
Conforme as investigações do Denarc, a mulher do contador – cujo nome não foi revelado – ganhou 49 vezes na loteria, somando R$ 2,16 milhões em prêmios. Em muitas das vezes ela teve prejuízo nas apostas. O delegado Fernando Santiago descobriu que ela gastou R$ 480 mil em uma ocasião para obter um prêmio de R$ 330 mil. Em uma outra oportunidade, apostou R$ 114 mil e ganhou R$ 62 mil.

Já o contador ganhou R$ 34,1 milhões em seis oportunidades. Em duas delas, os prêmios foram de R$ 16 milhões. Em uma terceira, apostou R$ 662 mil e ganhou R$ 425 mil. Na quarta vez, apostou R$ 84 mil e recebeu R$ 74 mil. A suspeita é de que os prêmios da loteria serviam para esquentar dinheiro ilícito, daí porque, na maioria das vezes, as apostas eram de valor superior aos prêmios obtidos pelos casal.

Muniz prestaria serviços a Santa Fausta na abertura de empresas com nomes falsos. Segundo a polícia, há indícios de lavagem de dinheiro com os prêmios de diferentes loterias da Caixa. Entre as empresas que ele teria aberto estaria a Eduardo Participações Patrimoniais.

O caso está na 1.ª Vara de Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem de Dinheiro da Capital, que decidiria se decreta ou não o bloqueio dos bens do contador. A Justiça negou pedido de prisão de Muniz.

Aluguel
Há mais de uma década, Muniz é o contador de confiança da família de Lula. Em dezembro de 2017, ele chegou a prestar depoimento no âmbito de um incidente de falsidade aberto para apurar se eram frios os comprovantes de quitação de aluguel entregues pela defesa do ex-presidente à Justiça Federal.

À época, o Ministério Público Federal sustentava que a Odebrecht bancava aluguéis de um apartamento vizinho ao de Lula em um edifício em São Bernardo do Campo (SP). O imóvel pertencia a Glaucos da Costamarques, primo do pecuarista José Carlos Bumlai, próximo do petista, e réu confesso na Lava Jato. E, segundo a apuração, ficava também à disposição do ex-presidente.

Então juiz do caso, Sérgio Moro descartou a falsidade dos recibos. No entanto, a Procuradoria afirmou que, mesmo não tendo sido fabricados, os comprovantes eram frios. Ou seja, que Lula nunca havia pago pelos aluguéis do apartamento. Após a decisão que tornou o ex-juiz da Lava Jato suspeito, o processo teve suas provas anuladas e acabou sendo arquivado.

Mapa da mina
Depois do processo contra o ex-presidente, Muniz voltou a ter uma vida reservada. Sua relação com a família, no entanto, se estreitou. Os movimentos ficaram evidentes em novembro de 2019, um mês antes da Operação Mapa da Mina, fase da Lava Jato que investigou contratos milionários da Oi com empresas de Lulinha.

Naquele mês, Lulinha rompeu a sociedade com Jonas Suassuna, empresário que era dono do sítio Santa Bárbara, em Atibaia. Foi por causa desse sítio que Lula foi condenado pela segunda vez na Lava Jato, caso que também teve suas provas invalidadas.

No mesmo ato em que Lulinha rompeu a sociedade com Suassuna, registrado na Junta Comercial de São Paulo, o endereço da sede da BR4 Participações foi transferido para a Rua Cunha Gago, número 700, conjunto 11. Outras duas empresas de Lulinha, a G4 Entretenimento e Tecnologia, e a FFK Participações, também se mudaram para aquele endereço. Somadas, as três possuem capital de R$ 4,3 milhões.

O endereço é o mesmo utilizado por Muniz para sediar, desde outubro de 2017, sua empresa de venda de equipamentos de informática, a CDigital Network Security. No mesmo prédio, no bairro de Pinheiros, mas cinco andares acima, o contador já registrou outras cinco empresas.

O Estadão esteve ontem no endereço do contador em Pinheiros, mas não conseguiu localizar Muniz ou a sua defesa. A empresa JML Assessoria Contábil funciona no endereço em salas dos 1.º e 6.º andares, conforme registrado em painel na entrada do prédio. Mas ali não há registro de nenhuma das empresas de Lulinha que estão registradas na Junta Comercial.

A reportagem procurou ainda a assessoria de Lula e a sua defesa e a de seu filho. O advogado Cristiano Zanin Martins, que defende Lula, disse não saber se Muniz ainda presta serviços para o petista. O criminalista Fábio Tofic, que defende Lulinha, não se manifestou.

A defesa da família Santa Fausta e dos demais integrantes do PCC investigados pelo Denarc também não foi localizada pela reportagem.

Integrantes da facção eram acionistas de empresa
No caso da empresa de ônibus do PCC, a UPBus, o traficante Anselmo Santa Fausta teria usado o nome falso de Ubiratan Antonio da Cunha para fazer o negócio. Além dele, três integrantes da cúpula do PCC estavam entre os acionistas da empresa. Ela foi alvo de operação do Departamento Estadual de Investigações sobre Narcóticos (Denarc) em 2 de junho. Policiais descobriram que Santa Fausta tinha como sócios Silvio Luiz Ferreira, o Cebola; Cláudio Marcos de Almeida, o Django; e Décio Gouveia Luis, o Português, todos acusados de compor a cúpula da facção.

Outros dois integrantes do PCC foram identificados como sócios da UPBus: Alexandre Salles Brito, o Xandi; e Anísio Amaral da Silva, o Biu.

De acordo com o delegado Fernando Santiago, da 4.ª Delegacia do Denarc, a investigação começou depois do assassinato de Santa Fausta, em dezembro de 2021, no Tatuapé. Ele estava com Antonio Corona Neto, o Sem Sangue, também assassinado.

Na operação do dia 2 de junho, o Denarc cumpriu 62 mandados de busca e apreensão. Os policiais apreenderam celulares, computadores, documentos, dois fuzis, pistolas, revólveres e grande quantidade de munição.”

Contador ligado a Lula é suspeito de lavar R$ 16 milhões em loteria com PCC

Fachin deu uma “tremenda colaboração com o narcotráfico e com a bandidagem geral”, diz Bolsonaro

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Bolsonaro criticou ministro por decisão que limitou a atuação da Polícia em morros do RJ

Durante sua participação no Brasil Investment Forum 2022, organizado pela ApexBrasil, em São Paulo, o presidente Jair Bolsonaro subiu o tom e falou o que pensa sobre as decisões do ministro Edson Fachin que limitaram a polícia de realizar operações em moros do Rio de Janeiro.

Para Bolsonaro, as decisões de Fachin foram uma “tremenda colaboração” com o narcotráfico

“Hoje, o fazendeiro monta no cavalo, bota a arma na cintura e anda em todo o perímetro da propriedade. Se for CAC, coloca um 762 (um fuzil) nas costas. Os morros do Rio, onde o Fachin diz que a polícia não pode entrar nem sobrevoar de helicóptero, está cheio de fuzil. Virou um refúgio da bandidagem do Brasil todo. Parabéns, ministro Fachin. Tremenda colaboração com o narcotráfico e com a bandidagem geral”, disse Bolsonaro.

Bolsonaro também defendeu o direito de criticar decisões de ministros da Suprema Corte. “Não podemos criticar decisão? Por que não? Quem eles pensam que são?”, disse.

Em uma liminar junho de 2020, o ministro determinou que, enquanto a pandemia de Covid19 perdurar, as operações policiais nas comunidades do Rio só podem ser feitas em situações excepcionais, que deverão ser justificadas por escrito e comunicadas imediatamente ao Ministério Público do Rio de Janeiro. O ministro também restringiu o uso de helicopteros, formando uma verdadeira zona refúgio nas favelas para os traficantes.

Por Portal Novo Norte

Lira diz que versão do Senado a projeto que limita ICMS a 17% será votada hoje

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Lira afirma que não haverá diminuição de receita - (Foto: Marina Ramos/Câmara dos Deputados)

Marina Ramos/Câmara dos Deputados Lira afirma que não haverá diminuição de receita O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), dis…

O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), disse, nesta terça-feira (14) em entrevista à CNN, que o Projeto de Lei Complementar 18/22, que limita a cobrança de ICMS

Continua depois da publicidadea 17% para combustíveis, energia, transporte e comunicações será votado hoje. Os deputados precisam analisar as mudanças aprovadas pelos senadores.

A proposta já havia sido aprovada pela Casa no mês passado, mas ontem, o Senado aprovou o texto com um destaque que garante os repasses carimbados para os municípios para as áreas da saúde, educação e para o Fundeb nos casos de perdas de arrecadação dos estados. Com isso, caso haja perda de arrecadação, a União deverá compensar os estados com os mesmos recursos que tinham antes da entrada em vigor da medida.

Lira afirmou que essas alterações ainda serão analisadas pelos líderes, mas ele acredita que a proposta será rejeitada já que não haverá perda de arrecadação. “É importante se dizer que não estamos prevendo, em todas as análises que fizemos, diminuição de arrecadação nos estados. Não haverá perdas para saúde e para educação, isso foi uma versão criada pelos governadores e seus secretários”, afirmou o presidente. “Nós queremos proteger os mais vulneráveis dos efeitos danosos da inflação”, concluiu.

“Não conto com a possibilidade de que vai haver diminuição de receita, não haverá diminuição de receita, haverá arrecadação crescente, haverá um aquecimento da economia, mais consumo e menos sonegação”, avaliou Lira.

PEC dos Biocombustíveis
Ontem o Senado também aprovou a Proposta de Emenda à Constituição 15/22, que estimula a competitividade dos biocombustíveis em relação aos concorrentes fósseis.

O texto mantém benefícios para fontes limpas de energia por pelo menos 20 anos. A proposta faz parte do pacote de projetos com objetivo de conter a alta no preço dos combustíveis.

Lira tenta um acordo com os partidos de oposição para acelerar a tramitação da proposta. “Se nós nos detivermos a questões políticas, quem vai pagar é a população. Se tiver unanimidade, a PEC entra semana que vem.” Se não houver acordo, “poderemos ter uma votação expressa na CCJ para votarmos daqui a um mês [no Plenário]”.

O presidente da Câmara ressaltou que esse tema não é eleitoral. “É um tema vital para minimização dos efeitos da inflação para os mais necessitados do Brasil”, afirmou.

Estado de calamidade
Lira afirmou ainda que a decretação de um novo estado de calamidade para enfrentar os aumento dos combustíveis sem a limitação imposta pelos tetos de gastos não é uma boa saída. Segundo ele, a solução é diminuir impostos para combater a inflação e incluir novos setores como essenciais vai ajudar a corrigir esse aumento.

Lira, no entanto, cobrou a contribuição dos governadores para reparar distorções. “A saída é a diminuição de impostos, em alguns casos, zerar os impostos. O estado de calamidade não é uma boa ideia”, reforçou.

Por Portal Novo Norte

Sabotadores da Nação: Veja os nomes dos senadores que querem que você continue pagando caro pelo combustível

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Dos 11 senadores que votaram contra a redução do ICMS dos combustíveis, 6 são do PT

Com 65 votos a favor e 12 contra, o plenário do Senado aprovou o projeto que fixa teto de 17% do ICMS sobre combustíveis, energia elétrica e serviços de telecomunicações e de transporte público (PLP 18/2022). Por ter sido alterada, a matéria volta à Câmara.

A proposta prevê uma compensação aos estados com o abatimento de dívidas com a União, quando a perda de arrecadação passar de 5%. Os governos não endividados terão prioridade para fazer empréstimos com o aval da União, e podem ter recursos adicionais em 2023.

A mudança vai diminuir os preços dos combustíveis para o consumidor final e ajudará no controle da inflação, ajudando a economia como um todo. 

Na contramão do esforço pela redução do preço dos combustíveis, senadores do PT e outros de oposição votaram contra a medida. Veja os nomes:

Confúcio Moura (União Brasil/RO)

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Flávio Arns (Podemos/PR)

Humberto Costa (PT/PE)

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Jaques Wagner (PT/BA)

Jean Paul Prates (PT/RN)

Marcelo Castro (MDB/PI)

Nilda Gondim (MDB/PI)

Paulo Paim (PT/RS)

Paulo Rocha (PT/PA)

Rogério Carvalho (PT/SE)

Zenaide Maia (PROS/RN)

Por Portal Novo Norte

STF derruba decisão de Nunes Marques que devolveu mandato a deputado

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Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Segunda Turma do Supremo decidiu contrariamente à liminar de Marques

Por 3 votos 2, a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) confirmou a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que, em março, cassou o mandato do deputado federal Valdevan Noventa (PL-SE). Com isso, foi derrubada a decisão liminar do ministro Nunes Marques que havia devolvido o mandato ao deputado. Assim, o deputado Márcio Macedo (PT-SE) deverá retornar ao cargo. 

Valdevan Noventa é acusado de abuso de poder econômico. No início do ano o TSE cassou o mandato do parlamentar  e determinou a recontagem dos votos para a cadeira na Câmara dos Deputados. 

Ao levar o caso para julgamento, Nunes Marques reafirmou sua posição sobre a questão e afirmou que o TSE mudou sua jurisprudência sobre a anulação dos votos de candidatos eleitos que forem cassados. 

O entendimento foi acompanhado pelo ministro André Mendonça. “Demonstra-se absolutamente incontestável que se operou na espécie uma alteração jurisprudencial, assim como que essa foi aplicada de forma retroativa, em detrimento de expressa previsão em resolução do TSE”, afirmou Mendonça. 

Prevaleceu no julgamento o voto divergente do ministro Edson Fachin, que não referendou a decisão de Nunes Marques. Para o ministro, a liminar não poderia ser concedida pelo STF antes da análise de recurso próprio contra decisão do TSE. 

Os ministros Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski também não aceitaram a liminar. 

A votação ocorreu de forma virtual, na qual os ministros inserem os votos no sistema do Supremo. 

Por Portal Novo Norte

Forças Armadas: 39% das urnas que serão usadas neste ano não passaram por inspeção

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Em resposta ao TSE, Forças Armadas afirmam que quase 225 mil urnas não foram submetidas a teste público de segurança

Nesta sexta-feira (10), as Forças Armadas emitiram um comunicado em que afirmam que quase 225 mil urnas eletrônicas que serão usadas nas eleições deste ano não passaram pelo teste público de segurança feito pelo Tribunal Superior Eleitoral para atestar a integridade dos aparelhos.

“Cerca de 39% das urnas (224.999 das 577.125 urnas) a serem empregadas nas eleições de 2022 são do modelo UE2020. Esse modelo não foi submetido ao Teste Público de Segurança (TPS). Ou seja, não passaram pela investigação de atores externos. Portanto, é fundamental que se realize o TPS para demonstrar ao público o correto funcionamento dos softwares do TSE nas urnas”, diz o documento, ao qual o blog teve acesso.

No texto, os militares ainda defendem a possibilidade de os partidos políticos participarem do processo de fiscalização do sistema eleitoral. De acordo com as Forças Armadas, para que a confiança no sistema eleitoral seja fortalecida, “é importante melhorar a percepção de segurança e de transparência”.

“Por isso, deve-se incentivar a realização, na prática, de auditoria contratada por partidos políticos, conforme previsto em lei, de forma a segregar as funções do processo eleitoral”, pondera a instituição, acrescentando que “quem faz não deve ser quem audita”.

As Forças Armadas frisam que “o exame e o aperfeiçoamento dos sistemas do processo eleitoral devem ser contínuos, bem como deve-se admitir, ainda em 2022, a adoção de medidas que melhorem a segurança desses sistemas”.

TSE rejeitou sugestões dos militares

Em maio, o TSE rejeitou todas as sugestões das Forças Armadas para serem implementadas nas eleições deste ano. Em relatório técnico, a corte apontou erros de cálculo no documento enviado pelos militares para questionar a segurança das urnas e afirmou que várias das medidas indicadas como necessárias para ampliar a integridade do pleito já são adotadas.

Na manifestação desta sexta, as Forças Armadas rebatem que “as respostas do TSE não informaram ao público que as resoluções do Tribunal foram sendo alteradas até março de 2022, mudando premissas e parâmetros que influam no estudo” dos militares. “Portanto, não foram equívocos das Forças Armadas, mas, sim, divergência de premissas e parâmetros anteriormente adotados pelo TSE”, garantem as Forças Armadas.

Além de informar sobre a quantidade de urnas que não passaram por inspeção, a instituição destaca que o teste de integridade das urnas não é realizado nas mesmas condições da votação, com uso da biometria, liberação do voto pelo mesário e digitação das teclas pelos eleitores.

“Assim, para a maior confiabilidade, é necessária a sua realização nas condições mais próximas possível da realidade do momento da votação. Sem isso, um malware inserido no software ou alojado no hardware poderia ser capaz de identificar a realização do teste de integridade e, por conseguinte, furtar-se à realização desse teste”, alertam os militares.

Defesa à democracia

Recentemente, o presidente do TSE, ministro Edson Fachin, criticou a participação de militares no processo eleitoral e afirmou que, no Brasil, “quem trata de eleições são forças desarmadas”. O magistrado ainda ponderou que “ninguém e nada” vai interferir nas eleições presidenciais deste ano.

Em resposta, as Forças Armadas disseram que os militares foram convidados pelo próprio Tribunal para participar da Comissão de Transparência das Eleições, feita pelo TSE com o objetivo de coletar sugestões de órgãos públicos e da sociedade civil para aprimorar o processo eleitoral, e que fizeram um trabalho “unicamente técnico”. 

“Em todos os atos e fatos praticados pelo seu representante das Forças Armadas, sempre houve o espírito de colaboração e contribuição para a melhoria da segurança e transparência do processo eleitoral”, ressaltam as Forças Armadas.

Os militares também dizem que “identificar possíveis vulnerabilidades e apresentar sugestões para tratá-las não é atacar a democracia, ao contrário, é trabalhar para proteger o processo eleitoral e para fortalecer um dos pilares do estado democrático, as eleições”.

Por portal R7