Renúncia

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O percentual expressivo de abstenção de eleitores que não compareceram àas urnas de Rio das Ostras e Cabo Frio, durante as eleições suplementares que ocorreram no domingo passado (24), representa a renúncia que a sociedade brasileira assume contra a política.

E se por um lado os números ajudam a comprovar o alto grau de insatisfação da população com o atual modelo arcaico, viciado e nocivo de se representar o povo em cargos eletivos, por outro, a ausência do eleitorado no momento exato em que se pode buscar um novo caminho para as cidades mais afetadas pela crise econômica do petróleo, acaba afundando ainda mais qualquer alternativa de mudanças na região que mais sente os efeitos da corrupção que assola o Estado do Rio de Janeiro.

Apesar de resultados surpreendentes, em que lideranças de voz da oposição conseguiram superar o poder da máquina e vencer a situação, os casos de Rio das Ostras e Cabo Frio ajudam a contextualizar o processo de restruturação profunda da democracia no Estado, que começou a partir dos desdobramentos da Operação Lava Jato.

E isso fica cada vez mais evidente à medida em que a sociedade se afasta das decisões das urnas. Seja por falta de candidatos à altura dos anseios da população, seja pela sensação de descrédito com qualquer projeto político que se apresente para governar as cidades.

E a atual situação das duas cidades já pode ser considerada como um reflexo do que irá ocorrer em outubro, quando acontecem as eleições gerais no país.

Mas, engana-se quem acredita que a abstenção é um recado claro por mudança. Quanto mais ausente o cidadão de bem estiver das urnas, mais sairá favorecido o candidato que mantém jogos de poder focados em manter esquemas que ainda assombram a democracia, destroem o patrimônio publico, afetam diretamente a sociedade e impedem que dias melhores verdadeiramente ocorram nos municípios, no Estado e no país.