Correndo atrás do vento

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Existe atualmente uma crença cada vez mais arraigada, que qualquer resultado obtido irá depender do esforço que empregamos. Uma relação biunívoca com precisão matemática: o prêmio virá proporcional à determinação e força dedicadas. Simples, não? Até mesmo fácil. Nesta equação ficamos livres das nuances, incertezas e surpresas que são matéria constante no jogo da vida.

Nessa concepção maniqueísta, somos aqueles bonecos de dar corda, uma vez colocados numa direção vão seguir até a corda acabar. Existe uma base equivocada que alimenta essa crença: felicidade depende de resultados, e os resultados dependem de nós. Parecemos uma manada de bois aflitos rumo a um destino desconhecido. Um bom exemplo são os yupies, obcecados por metas, jovens e ambiciosos perseguindo o que julgam ser o melhor conceito de felicidade.

Atrás desse jovem bem sucedido, sempre existe uma família queixosa e carente de atenção e afeto. Essa corrida individual nos esquecemos que não estamos sós no mundo. E as outras pessoas? Não teriam influência em nosso caminho? Enquanto miramos a meta, perdemos o processo em si. Os pequenos tesouros estão camuflados numa superfície imediatamente abaixo da sua ânsia e pressa. Dessa convicção se originam sentimentos dolorosos que nos assombram nos dias de hoje: quem não exibe resultados admiráveis é incompetente. Se não tivesse preguiça e falta de coragem, obteria os mesmos resultados que admira no vizinho.

Se o outro tem, morro de inveja e de culpa pela minha incompetência. A boa notícia é que no mundo existe bem para todos nós. Aquele que usufrui de uma conquista, não está tirando uma mordida do meu pedaço. O conceito do que é ser feliz é muito pessoal, essa é a crença que devemos perseguir até o fim de nossos dias.

Não acredito nessa filosofia que reza: esforços versus objetivos igual a felicidade. Ao longo da minha vida, em vários momentos fui surpreendida por um resultado desejado que eu não havia feito esforço para conseguir. Portanto, o bem desejado está simplesmente por aí, à nossa volta. Penso que para alcançá-los precisamos de um senso de observação apurado, ao invés de usar nosso tempo e esforço para chegar lá. Seria mais apropriado dedicar o tempo para desenvolver nossa intuição, tão dentro de nós e ao mesmo tempo tão distante.

A arte da paciência para esperar o tempo diferenciado das coisas do mundo. Quantas vezes no encalço de algo, acidentalmente encontramos outras recompensas, por vezes melhores que a procurada originalmente. E aquele dinheiro necessitado que virá justamente duma fonte não prevista? A ajuda emocional tão necessária que aparece na pessoa de um estranho?

Essas indagações são fáceis e difíceis ao mesmo tempo de serem respondidas. No meu entender, dependem de outros valores colocados em prática, como: humildade, compaixão, silêncio e fé.

Por fim, convido vocês a responderem dentro de si essas questões lançadas, certamente esse desafio irá recolocar sua vida em outra perspectiva.
* Humbelina Gurgel de Mattos – escritora macaense (h_belina@hotmail.com)