Ausência de lideranças

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O cidadão brasileiro vive atordoado com o noticiário policialesco sobre políticos proeminentes. Diariamente somos submetidos a uma carga informativa denunciando falcatruas contra os cofres públicos, não apenas em Brasília, mas por todo o país. Poucos, infelizmente, pagam por isso na justiça.

Sobre as acusações criminais contra os parlamentares da atual legislatura iniciada em 2015, mais de 130 deputados federais respondem a inquéritos ou ações penais no Supremo Tribunal Federal, correspondendo a 26% daquela casa. No Senado, o índice já se aproxima de 40%.

Desde a promulgação da Constituição em 1988 mais de 500 congressistas foram acusados de atos criminosos, mas somente 16 foram condenados e apenas poucos chegaram a cumprir pena. Em muitos casos, os processos simplesmente prescreveram sem que os ministros do STF tivessem julgado o comportamento dos réus.

Colabora para o mau momento da política a baixa popularidade do presidente Michel Temer, suspeito por corrupção, as suspeitas de envolvimento dos presidentes das duas casas do Congresso Nacional com o escândalo da Petrobras e a citação de parlamentares e servidores nas investigações promovidas pelo Ministério Público e pela Polícia Federal. A elite política do país está no banco dos réus e a sociedade, sedenta de ética e decência, tem sido inflexível no seu julgamento sumário.

Agravado pela crise econômica que corrói ainda mais a confiança dos cidadãos nos seus governantes, fica mais evidente a carência de lideranças capazes de assumir as rédeas do país para conduzi-lo a um futuro mais digno. Não podemos associar a política à desonestidade, e também parece inquestionável que os detentores de mandatos e os partidos que representam não estão fazendo o trabalho de forma correta.

Na falta de lideranças políticas que deem exemplo de integridade, a população tem dedicado sua atenção e sua admiração a agentes públicos que investigam e julgam os desvios da política – caso de juízes como Sérgio Moro e promotores que se destacam no exercício de suas atribuições. O Brasil está carente de líderes éticos e comprometidos com os interesses coletivos.