Retorno

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Como um grande teatro ensaiado, o plenário Nacif Salim Sélem, do Palácio Natálio Salvador Antunes, voltou a registrar ontem a atuação dos 17 parlamentares que compõem hoje a atual formação da Câmara de Vereadores.

Com uma divisão marcada entre bloco de oposição e bancada governista, a atuação política de cada representante do povo segue a linha de “salve-se quem poder”, mediante a má visão da classe política perante a opinião pública.

Com um orçamento anual de mais de R$ 60 milhões, maior que a grande parte da arrecadação total de cidades do entorno do emirado do petróleo, a Câmara passa a ser cobrada por posicionamentos que precisam levar em consideração os anseios da sociedade, que sofre com as falhas da segurança pública, com déficits nas obras de saneamento, com atrasos nos índices de desenvolvimento social e com o desemprego, a principal marca da crise do mercado do petróleo.

Amarrada aos interesses do governo, a bancada aliada ao prefeito assume a maioria dos votos em plenário, o que fere os princípios da independência e das atribuições de cada um dos poderes, cuja formação provém da decisão do eleitorado, que espera a mudança prometida há quase oito anos.

Na linha da oposição, a Frente Parlamentar Macaé Melhor cumpre o papel de expor as falhas de uma gestão que ainda arrecada muito, falha na transparência e na eficiência, e ainda deixa a desejar na forma de encarar as demandas crescentes da sociedade, que se acumulam mediante a uma voraz rotina econômica, que se mantém firme mesmo com a recessão dos negócios offshore.

Com a iminência de um dos mais conturbados processos eleitorais, a Câmara também sentirá os impactos da discussão sobre quem será eleito dentro de um universo de 150 mil eleitores que ainda esperam a representação política efetiva da cidade, tanto na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, quanto no Congresso Nacional.

Cada vez mais ausente das poltronas da assistência do plenário, e das transmissões ao vivo pela internet, a sociedade precisa voltar a assumir um protagonismo nas discussões políticas que surgem de dentro da Câmara, mas que ecoam no cotidiano de todos os mais de 240 mil habitantes da cidade.

Mais que votar, o povo precisa se fazer presente nos debates que ocorrem em plenário, para aprovar ou reprovar o que os vereadores discutem e produzem, quase sempre influenciados por enfrentamentos políticos que destoam da dura realidade das ruas da cidade.