Tempo de arrumação

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A população brasileira não merecia e nem merece o castigo pelo qual passou durante os dez últimos dias, com o desabastecimento do mercado após ter sido desencadeada a greve dos caminhoneiros que paralisou todas as estradas país afora, tendo como objetivo principal, dentre outras medidas, a redução do preço do diesel nas bombas, e várias reivindicações.

O movimento que “deixou as autoridades do governo de calças curtas” por não terem dado importância a um clamor desde há mais de um ano, até dia 21 de maio, quando realmente a mobilização ganhou força, foi uma queda de braço porque as autoridades, pareciam não ter autoridade para negociar e fazer valer o que realmente estava sendo atendido. Como por trás da greve dos caminhoneiros, muitas empresas de transporte acabaram aproveitando a ocasião para provocar o locaute, já apurado pela Polícia Federal, seguiu-se a desordem.

Nem mesmo a ameaça de utilizar as forças armadas para garantir a lei e a ordem, atemorizou os grevistas que acabaram no decorrer do tempo, vítimas de piquetes de esquerda ou direita e até mesmo do centro. Para onde caminhava o movimento, ninguém sabia. Estavam todos como baratas tontas e a população em busca de combustível, remédios, comidas, transportes, e até o abastecimento de água chegou a ser questionado.

Depois que o governo decidiu cumprir o que prometera, caberia ao Congresso Nacional, apreciar as medidas adotadas, mas, durante todo o tempo, não se viu no Senado e na Câmara dos Deputados, nas Assembleias Legislativas e nas Câmaras Municipais, nenhuma ação que pudesse com brevidade, atenuar os efeitos do desarranjo feito. Parece que em Brasília, onde todos vivem como se estivessem na ilha da fantasia, já esqueceram das manifestações populares espontâneas da população que saiu às ruas a partir de junho de 2013, pedindo a diminuição do preço da passagem, o fim da corrupção e outras reivindicações que, ao longo do tempo, parece estarem esquecidas.

Como teremos eleições este ano e muitos parlamentares trocam de posição colocando familiares para manter-se no poder, os eleitores estão de olho porque é tempo de arrumação.

O caos instalado

Igual ao restante do país, o município de Macaé também sofreu as consequências e o que se viu durante todo o período e acontece, ainda, é a rearrumação do desarranjo provocado pela crise do movimento grevista. Ninguém – governo e autoridades – estava ou demonstraram preocupação em estar preparados, tanto que não foi instalado nenhum “gabinete de crise”, como ocorreu quando o preço do petróleo desabou e os royalties desapareceram das contas das prefeituras.

Alguns proprietários de postos, pela rede social, chegavam a alertar a população para a crise que haveria, mas até que o caos acabasse instalado, as providências adotadas foram mínimas, e quando tudo caminhava para a regularidade, o pedido de apoio da Polícia Militar para proteger o transporte de combustível das distribuidoras até aos postos. Os veículos quase que desapareceram das ruas, os supermercados, hortifrutis e até ambulantes viram desaparecer as mercadorias e, quem pôde fazer pelo menos um pouco de estoque, conseguiu safar-se da crise.

Estamos saindo de um movimento grevista de caminhoneiros que acabaram levando coragem a algumas categorias que decidiram aproveitar o momento para anunciar greve, como os sindicatos dos petroleiros que tiveram o movimento considerado ilegal pelo Tribunal Superior do Trabalho que estabeleceu multa de até R$ 2 milhões por dia, até ações de pequenos grupos de outras categorias que fizeram um pouco de barulho, mas sem nenhum efeito prático.

Agora, depois de passado o sufoco, muitos voltam a lembrar da falta de prioridade na construção de ferrovias já planejadas há anos, mas que nunca saíram da prancheta, principalmente a linha Vitória (ES) ao Rio de Janeiro, com linha passando pelo porto do Açu e, também, por Macaé, município que se tornou importante quando as rodovias ainda eram sonho mas acabaram olhadas com importância graças a instalação das unidades da Petrobras. Como sabemos que o aeroporto será privatizado e o terminal portuário está em vias de avançar com mais rapidez, tomara que as lideranças políticas esqueçam as desavenças e se unam para reivindicar atenção especial para a cidade que, pelo menos até aos próximos 40 ou 50 anos, continuará conhecida como Capital Nacional do Petróleo.

PONTADAS

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Todos os contribuintes sabem que a prefeitura utiliza a cobrança da Enel para garfar de todos os proprietários de imóveis, a importância de R$ 6,48 como Contribuição de Iluminação Pública, para pagar a conta de energia. Este mês de junho a Agência Nacional de Energia Elétrica já informou que haverá cobrança extra de R$ 5,00 a cada 100 kw/hora, com aplicação da bandeira vermelha. Tadinho do povo.

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O Tribunal Superior Eleitoral (TSE), decidiu obrigar os partidos a direcionarem 30% da verba do fundo eleitoral para as campanhas de mulheres. A decisão provocou reações e um grupo de partidos prometeu recorrer à Justiça contra a determinação. Além da grana, o TSE estipulou que o percentual de 30% deve ser obedecido também na distribuição do tempo de rádio e TV para as candidatas.

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Os atuais administradores de estados e municípios que recebem royalties provenientes da exploração de petróleo e gás já estão sendo beneficiados pelo grande aumento de receita decorrente da elevação da cotação do barril e do crescimento da produção da Petrobras. Agora, o que é necessário, é fazer o Conselho Municipal dos Royalties ser conhecido e fiscalizar a aplicação dos recursos