Há o que se comemorar

286

Domingo, dia 29 de julho de 2018, Macaé celebrou 205 de emancipação política e administrativa, data que ainda tem muito mais relação com a prosperidade econômica registrada ao longo das últimas duas décadas, mas que não pode bloquear a história de superação de momentos marcantes de um município que ainda possui muito a acrescentar ao Estado e ao país.

Com visão focada na renovação das expectativas de progresso, com base no mercado do petróleo, o município tenta se reerguer de um cenário de crise, impulsionado por um modelo de gestão que sacrifica a base da gestão pública, para financiar programas sociais que fazem transferência direta para empresas que há décadas estão atreladas ao poder.

Muito mais que a passagem a R$ 1, a cidade possui um grande potencial de transformar os bilhões arrecadados anualmente em combustível para o desenvolvimento que ainda é esperado pelos cidadãos que vivem na margem da sociedade do petróleo.

Com base nos superlativos que o petróleo volta a garantir aos cofres públicos, o governo busca financiar programas de transferência direta de renda para cidadãos, em especial estudantes, um caminho positivo, mas que não resolverá o problema a longo prazo.

É fato que o comportamento do mercado local de trabalho depende, de forma direta, da dinâmica das atividades do petróleo. E isso só se fortalece à medida que variáveis internacionais criem o ambiente favorável para investimentos, um caminho a ser trilhado mediante as alterações políticas criadas pelo governo federal, a partir do impeachment e da interferência direta da classe empresarial.

No entanto, o governo é capaz de adotar medidas que possam fortalecer a base da economia da cidade, restabelecendo assim uma conexão perdida. É fato que a ingerência do público sobre o privado deve ser menor. No entanto, é errado acreditar que a gestão municipal não pode ser uma financiadora de ações que possam elevar o potencial comercial local.

Por mais que o dinheiro do povo seja destinado ao financiamento de serviços de assistência ao cidadão, Macaé chega aos 205 anos arrecadando muito, sem conseguir de fato mudar a vida de quem mais precisa.

E o atual capítulo dos 205 anos de história da cidade precisa ser escrito com histórias de superação e de retomada, posições que ainda são assumidas pela gestão municipal apenas pelo discurso.