Fogo de palha

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Após duas semanas de campanha, os candidatos de Macaé que almejam obter significados positivos nas urnas, passam a reconhecer o preço da coragem de encarar o desafio que é participar de um dos mais enigmáticos pleitos eleitorais do país.

Com vistas a antecipar uma batalha para lançar projetos com foco na sucessão do governo da mudança, os postulantes aos cargos de deputados, seja estadual ou federal, reconhecem que, mesmo que as eleições deste ano sejam um ensaio para o que virá em 2020, não é fácil participar de um pleito que sofre a pressão de renovar a política nacional.

Mais curto, o tempo de batalha pelo voto força os candidatos a recorrerem a práticas e estratégias não muito convincentes, que já funcionaram em eleições anteriores.

Por isso, das cavernas, surgem ex-prefeitos, ex-vereadores e até ex-lideranças comunitárias que sempre apostam no vácuo gerado pela insatisfação da sociedade, ao esperar que a Operação Lava Jato e a prisão de ex-lideranças políticas, sejam de fato o início do processo de transformação política que o país ainda precisa enfrentar.

Sair candidato no pleito deste ano possui um significado ainda maior, quando se encara o desafio de reduzir a falta de vontade do povo de comparecer às urnas. E quando a sociedade se ausenta deste processo, vence aqueles que se perpetuam há anos nas veredas do poder público nacional.

Por conta disso, ao tentar representar o novo, os agentes políticos de Macaé não focam apenas as suas campanhas na cidade. Enveredando por cidades que dependem economicamente da Capital Nacional do Petróleo, eles avançam por redutos acéfalos de lideranças que sucumbiram ao próprio efeito de retrocesso, seja por derrotas nas urnas, seja pela passagem de mandatos.

Hoje, para quem não almeja ser apenas um fogo de palha nas eleições deste ano, é preciso sim gastar bem mais que sola de sapato, já que a batalha pelo voto torna-se ainda mais acirrada, não por critérios de escolhas entre candidatos, mas sim da escassez de eleitores dispostos a participar da decisão do futuro do Estado e do país.

E, enquanto a democracia brasileira for definida por insatisfação, ausência nas urnas, manutenção de projetos de poder e visão sobre a impunidade, nada vai mudar. E isso só vai piorar a situação caótica em que o país se encontra.