Consumo consciente

318

No momento em que a população macaense e toda a sociedade brasileira vivem na pele o excesso da dependência de produtos de consumo, que movimentam um mercado cada vez mais voraz e excludente, é preciso haver uma profunda reflexão sobre a sustentabilidade de outros produtos que geram dependência da sociedade, mas que não podem ser produzidos em indústrias ou laboratórios.

O combustível, tão enraizado no cotidiano da cidade, representa de forma clara como as facilidades e o comodismo, vendidos através da ótica de mercado, determinam a rotina de milhares de pessoas que deixaram de reconhecer e de aproveitar o básico. E quando esses valores se invertem, o que sobra é só infelicidade, estresse e o caos.

Se a mesma atenção dada a esses produtos fosse migrada para os recursos naturais não renováveis da cidade, certamente a situação do Rio Macaé, do Canal Macaé/Campos, do Rio das Águas Maravilhosas, do Rio São Pedro, e tantos outros mananciais de vida, seria absolutamente diferente.

Apesar de abastecer quase 500 mil pessoas que vivem em três cidades do Norte Fluminense e da Região Serrana do Estado, o Rio Macaé segue assoreado, recebendo diariamente toneladas de dejetos que afetam o seu ecossistema, o que eleva o volume de produtos químicos aplicados no tratamento da Nova Cedae, responsável por fornecer água limpa para a população local.

Com um hiato de três anos dos investimentos em saneamento básico, o município cai em um retrocesso tão profundo, que só será capaz de ser medido na hora em que a água não for suficiente para matar a sede de toda a população do ‘emirado do petróleo fluminense’.
Enquanto o mercado valoriza apenas as operações de exploração e de produção de petróleo no mar, o tratamento adequado e o planejamento para a preservação dos recursos naturais ficam em segundo plano, algo bastante perigoso diante do alto nível de comprometimento das nascentes, dos afluentes e do verdadeiro mar de água doce, que podem não sobreviver a mais quatro décadas de poluição, abandono e descaso.