Dois servidores de carreira do Banco Central estão sendo investigados por suspeita de utilizar seus cargos para repassar informações sigilosas ao banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. A apuração integra uma fase da operação conduzida pela Polícia Federal que investiga irregularidades no sistema financeiro.
De acordo com as investigações, os funcionários públicos teriam atuado como uma espécie de consultores informais do empresário dentro do próprio órgão regulador. A suspeita é de que eles forneciam orientações estratégicas sobre como o banco deveria proceder diante de fiscalizações e possíveis medidas do Banco Central.
Além disso, os investigadores apontam que documentos internos e dados considerados sigilosos teriam sido compartilhados com o grupo investigado, permitindo que o banco se antecipasse a decisões do órgão e ajustasse suas operações.
Por determinação da Justiça, os dois servidores foram afastados de suas funções e estão submetidos a medidas cautelares, como o uso de tornozeleira eletrônica, entrega de passaportes e proibição de acesso às dependências do Banco Central. Eles também estão impedidos de manter contato com outros investigados.
A Polícia Federal apura ainda se houve pagamento de vantagens indevidas em troca das informações. Segundo a investigação, parte desses repasses pode ter ocorrido por meio de contratos simulados e movimentações financeiras destinadas a ocultar a origem do dinheiro.
O caso faz parte de uma investigação mais ampla sobre suspeitas de fraudes financeiras, corrupção e vazamento de informações estratégicas dentro do sistema financeiro nacional.









