Empresários de Campos conheceram planejamento para implantação do empreendimento, que prevê investimentos, geração de empregos e aproveitamento de sucata metálica da cadeia de óleo e gás

A BR Offshore apresentou na Firjan Norte Fluminense, o planejamento para a instalação da unidade de reciclagem de embarcações e estruturas offshore em Barra do Furado, na divisa entre Campos dos Goytacazes e Quissamã. Atendendo a convite do presidente da Firjan Norte Fluminense, Francisco Roberto de Siqueira, o CEO da BR Offshore, Ricardo Vianna, apresentou o projeto a empresários de Campos, São João da Barra e Macaé durante reunião de Conselho na Representação Regional, na quarta-feira, 12/8.

Com área de aproximadamente 6 milhões de metros quadrados, o complexo foi projetado para atender demandas de apoio logístico e contar com uma área destinada à reciclagem de partes, equipamentos e estruturas de embarcações e plataformas de petróleo e gás. A previsão é que as obras tenham início entre o final deste ano e o começo de 2027.

Para Siqueira, a combinação entre a localização de Barra do Furado, a disponibilidade de mão de obra e a proximidade com importantes ativos da indústria de óleo e gás reforça o potencial do empreendimento para consolidar a região como um polo de apoio, logística, descomissionamento e reciclagem da cadeia offshore. “A implantação do projeto Barra do Furado representa uma oportunidade estratégica para o desenvolvimento do Norte Fluminense. É um empreendimento que vai atrair investimentos, gerar empregos, movimentar a economia e agregar ainda mais valor à vocação industrial e energética do nosso território”, afirmou.

Segundo Ricardo Vianna, a iniciativa responde a uma demanda crescente, tanto nacional quanto internacional, por serviços especializados de reciclagem e descomissionamento. “Existe uma demanda mundial por serviços de reciclagem de embarcações. No Brasil, teremos nos próximos anos um volume significativo de unidades flutuantes que precisarão ser descomissionadas e a capacidade hoje é insuficiente para atender a demanda. Barra do Furado reúne características estratégicas para esse tipo de operação”, destacou Vianna.

De acordo com a BR Offshore, atualmente apenas um estaleiro no Rio Grande do Sul atua com esse tipo de descomissionamento.

*Sucata e descarbonização da siderurgia*
O projeto também está relacionado à crescente demanda da indústria siderúrgica por sucata metálica. De acordo com Vianna, a siderurgia brasileira consome cerca de 2,5 milhões de toneladas de sucata metálica por ano e importa aproximadamente 5 milhões de toneladas do material.

“A reciclagem de estruturas provenientes da indústria de óleo e gás pode contribuir para ampliar a oferta de matéria-prima para a siderurgia e, consequentemente, para os esforços de descarbonização do setor”, pontuou o CEO da BR Offshore. Segundo os dados apresentados pela empresa na Firjan Norte Fluminense, somente a reciclagem de embarcações de óleo e gás movimentou cerca de 9 milhões de toneladas de material nos últimos dez anos.

No Brasil, a expectativa é de que, nos próximos dez anos, a reciclagem de embarcações e estruturas de óleo e gás possa representar 1,5 milhão de toneladas de aço reciclado e gerar receita estimada em R$ 5 bilhões com a comercialização do aço reciclável.

A implantação do projeto em Barra do Furado deve atrair novos investimentos, gerar empregos diretos e indiretos e ampliar a geração de renda, além de criar novas oportunidades para empresas fornecedoras de bens e serviços da região Norte Fluminense.

*Retomada dos voos em Macaé*
A Firjan Norte Fluminense também destacou a retomada dos voos comerciais no Aeroporto de Macaé, uma demanda defendida pela Federação e pelo empresariado regional.

De acordo com o presidente da Firjan Norte, Francisco Roberto de Siqueira, a retomada de voos em Macaé deve ser celebrada. “É um marco. Celebramos esse avanço importante para Macaé e seguimos defendendo que o aeroporto de Campos também retome a operação de voos comerciais. Além do emprenho da Federação e outras instituições, é importante a atuação efetiva do poder público neste processo para que aconteçam negociações para a retomada de voos no aeroporto Bartolomeu Lisandro”, destacou Siqueira.

O conselheiro da Firjan Norte Fluminense, Aristóteles Cliton, destacou a atuação da Comissão Empresarial em Macaé na defesa da retomada da conectividade aérea e classificou o retorno dos voos como importante conquista para a região. “Foi uma pauta defendida com insistência pela Firjan e a Comissão Empresarial de Macaé. A conectividade aérea é fundamental para a atividade empresarial, atração de investimentos e para o desenvolvimento do Norte Fluminense. Celebramos o anúncio da Latam como uma vitória do diálogo e da mobilização regional”, afirmou Cliton.

Para a Firjan, a melhoria da infraestrutura logística, a conectividade aérea e a implantação de novos empreendimentos ligados à cadeia de óleo e gás são fatores estratégicos para ampliar a competitividade do Norte Fluminense.

A Latam já iniciou a venda de passagens para os novos voos, com previsão de início das operações em dezembro deste ano.