Transbordamento do Rio Macaé e rompimento de um dique atingiram bairros, deixaram famílias desabrigadas e isolaram comunidades da região serrana
Em fevereiro de 1998, Macaé enfrentou uma das grandes enchentes de sua história. O transbordamento do Rio Macaé e o rompimento de um dique inundaram áreas habitadas e obrigaram famílias a abandonar suas casas. A destruição de pontes e caminhos também comprometeu o acesso à região serrana.
O desastre foi retratado pela imprensa local, como o jornal O Debate, e pela mídia nacional. A Folha de S.Paulo publicou reportagens nos dias 17 e 20 daquele mês, registrando resgates, abrigos e as dificuldades enfrentadas pelo município.
Na edição de 17 de fevereiro, Nova Holanda, Malvinas e Parque Aeroporto apareciam entre os bairros mais atingidos. Moradores eram acolhidos em escolas, clubes e instalações da prefeitura. O então prefeito Sylvio Lopes relatava a necessidade de retirar pessoas das áreas de risco diante da elevação do rio.
No dia 20, o levantamento divulgado contabilizava 2.486 pessoas acolhidas em 22 abrigos municipais. As inundações haviam alcançado 13 bairros. Na serra, aproximadamente 15 mil moradores estavam isolados e dependiam de helicópteros para receber alimentos e medicamentos.
A tragédia permaneceu na memória dos moradores. Em publicação da Prefeitura de fevereiro de 2008, Nelzira Valadão Maravilha, das Malvinas, recordou que sua casa foi praticamente destruída e precisou ser reconstruída sobre estacas. Segundo ela, a água ultrapassou o muro que separava a residência do dique da Virgem Santa.
A revisão do Plano Municipal de Saneamento Básico, concluída em 2021, também preserva esse registro: uma fotografia aérea da cheia mostra uma extensa planície inundada e áreas atingidas nas Malvinas, junto ao canal Virgem Santa e à foz do canal do Capote.
Passados 28 anos, reportagens, relatos e documentos ajudam a preservar a memória da enchente que levou famílias aos abrigos e marcou diferentes regiões de Macaé.








