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Kwanita Waa, grupo macaense de canoagem, vence competição nacional com equipe feminina 60+ e traz ouro para Macaé

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Vitória demonstra a garra das mulheres que encontram no esporte força, saúde e novas possibilidades

Seis mulheres com mais de 60 anos enfrentaram mais de 30 quilômetros e cerca de quatro horas de remada, entre correntezas e ventos contrários, para conquistar o ouro para Macaé, na “Volta à Ilha de Vitória – 30K”. A equipe do Kwanita Waa venceu a competição nacional na categoria OC6, em uma prova de longa distância que exigiu resistência física, concentração e entrosamento entre as seis remadoras. O tempo oficial da equipe ainda será confirmado pela organização.

A equipe campeã foi formada por Ana Maria Alves, 66 anos; Clarice Araújo, 62; Denise Góes, 67; Maria Aparecida da Silva, 67; Regina dos Santos Soares, 68; e Maria Elisete Bisan Vitória, também com mais de 60 anos. As seis eram as pessoas mais velhas entre todos os participantes da competição.

Para chegar ao pódio, as atletas mantiveram uma rotina de treinos semanais na água e preparação física fora dela, trabalhando resistência e entrosamento técnico. Uma prova com mais de 30 quilômetros exige horas de remada contínua e capacidade de manter o ritmo mesmo diante das mudanças nas condições do percurso.

“Uma maratona de mais de 30 km exige muito tempo de dedicação focada em resistência física e entrosamento técnico. Nós mantemos uma rotina rígida de treinos semanais na água, e buscamos ter uma preparação física fora dela”, explica Clarice.

Durante a prova, a equipe enfrentou um percurso técnico, com diferentes condições de água. Na metade da competição, quando conseguiram manter a mente firme e o ritmo constante, veio a percepção de que poderiam chegar à vitória. O trecho mais difícil aconteceu na transição das águas, quando correntezas e ventos contrários exigiram ainda mais das seis remadoras.

“O percurso da Volta à Ilha é muito técnico e varia bastante; o trecho onde enfrentamos a transição das águas e a força das correntezas e ventos contra foi o mais duro. Ali, a força física e a conexão técnica entre as seis remadoras foram testadas ao máximo para não deixar a canoa travar”, conta Clarice.

A chegada foi marcada pela emoção de completar o percurso e, ao mesmo tempo, alcançar o primeiro lugar. “Foi uma explosão de emoção e um orgulho indescritível. Cruzar a linha de chegada, sabendo que éramos a equipe com a maior média de idade do evento e que havíamos superado aquele desafio brutal, é a prova viva de que a idade é apenas um número”, afirma.

A comemoração também foi compartilhada com os amigos que acompanharam a prova à distância e torceram pela equipe em Macaé. “Sentimos uma gratidão imensa uma pelas outras e pelos nossos amigos que ficaram torcendo por nós em Macaé.”

Uma conquista que continua fora da água

Para as atletas, a canoa polinésia representa muito mais do que a possibilidade de competir. A prática passou a fazer parte da rotina e trouxe mudanças na disposição, na saúde e na relação entre as integrantes. “A canoa polinésia hoje representa nossa saúde, nossa terapia e nossa comunidade. Ela mudou completamente nossa rotina, trazendo mais vigor físico, disposição e um propósito coletivo”, afirma Clarice.

A dinâmica da canoa também reforça um princípio que as atletas levam para além dos treinos: ninguém rema sozinho. Na embarcação, as seis precisam manter o mesmo ritmo e confiar umas nas outras. “Na canoa, aprendemos que ninguém faz nada sozinho; se uma fraquejar, as outras sustentam. Esse espírito de união e pertencimento trouxe uma energia e uma força que transbordam para as nossas vidas fora da água.”

O Kwanita Waa reúne, no cotidiano, pessoas de diferentes idades. Nesta competição, porém, foram as seis mulheres 60+ que representaram o grupo na prova e levaram o ouro para Macaé.

A vitória também carrega uma mensagem para quem acompanha a conquista. As atletas querem que outras mulheres e pessoas de qualquer idade enxerguem na experiência uma possibilidade de experimentar algo novo. “Gostaríamos que as pessoas olhassem para nós e pensassem: ‘Eu também posso’.”

Para elas, envelhecer também pode significar potência, esporte, saúde e novas conquistas. “O título é maravilhoso, mas a mensagem de superação que deixamos para as próximas gerações é o nosso maior prêmio.”

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