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Parque Jurubatiba: 20 anos de preservação da fauna e flora

A Unidade de Conservação presente nos municípios de Macaé, Carapebus e Quissamã é um reduto intocável de belezas naturais

Em 30/04/2018 às 12h23


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Entre os principais desafios para os próximos anos, está garantir a proteção da Unidade de Conservação Entre os principais desafios para os próximos anos, está garantir a proteção da Unidade de Conservação
Criado em 29 de abril de 1998, o Parque Nacional da Restinga de Jurubatiba - considerada uma das unidades de conservação mais bem preservadas do país completa neste domingo 20 anos. Ele está localizado no norte do estado do Rio de Janeiro e engloba os municípios de Macaé (1%), Carapebus (34%) e Quissamã (65%)  e é composto por 44km de praias e 18 lagoas costeiras de rara beleza e de grande interesse ecológico.

De acordo com o analista ambiental e biólogo, Marcos César dos Santos, o Parque Nacional é o mais jovem do estado do Rio de Janeiro. "Para se ter uma ideia, o Parque Nacional de Itatiaia tem 81 anos. Embora ainda existam muitos desafios para a conservação de Jurubatiba podemos dizer que houve muitos avanços desde a sua criação", pontua o analista.

Em entrevista ao Jornal, Marcos fala das principais conquistas ao longo dessas duas décadas de existência da U.C. "Quando da criação do Parque em 1998 havia uma série de ameaças às restingas e lagoas do Parque, tais como: desmatamento para plantações de coco e criação de gado; expansão urbana que ameaçava as lagoas da unidade; pesca indiscriminada nas lagoas; abertura das barras das lagoas sem qualquer critério técnico; proposta de implantação de loteamentos, ocupações irregulares e incêndios constantes.

Também como a área era privada, o acesso das pessoas a determinadas áreas era impedido pelos proprietários, sendo que até mesmo a realização de pesquisas científicas eram dificultadas por alguns proprietários sem consciência ambiental. O cenário que se vislumbrava para o futuro, sem a criação na área de uma unidade de conservação, era que a mais extensa restinga do país seria degradada e perderia diversos habitats e nichos ecológicos" ressalta.

Já após a criação do Parque, o IBAMA e posteriormente o ICMBio, dotaram Jurubatiba de funcionários para a gestão da área. "E então, desde 1998 podemos citar como avanços reais: a área passou a ser pública, onde os proprietários de terra que antes eram donos da área passaram a ter direito à justa indenização (boa parte da área do parque já foi regularizada, e os demais proprietários que ainda não foram indenizados podem fazer seu requerimento e ter suas propriedades indenizadas de acordo com o que dispõe a legislação em vigor); além das terras existentes em parques nacionais serem públicas elas ainda possuem uma característica fundamental: passam a ser de conservação de proteção integral, sendo que apenas uma lei federal pode fazer com que a área deixe de ser protegida; a fiscalização da área foi ampliada - desde sua criação a área passou a ser fiscalizada constantemente.

A caça e a pesca predatória foram imensamente reduzidas, as ocupações irregulares na área de domínio do parque foram praticamente extintas; as águas das lagoas passaram a ser protegidas com rigor e o monitoramento é frequente. Desmatamentos na área passaram a ser fortemente coibidos. Algumas das plantações de coco em áreas que deveriam ser protegidas foram retiradas e incentivada a recuperação natural da área. Além disto, os incêndios florestais são combatidos com eficiência e o número deles reduziu drasticamente ao longo dos anos. Com apoio do Ministério Público Federal o Parque passou a contar com sobrevoos trimestrais de helicóptero para monitoramento, o que aumenta a eficiência da fiscalização e ajuda a garantir a proteção da área para as futuras gerações", disse Marcos.

O analista ambiental ressalta ainda que, após a criação da unidade, foram estabelecidas parcerias entre o ICMBio e as guardas ambientais dos municípios do entorno, o que amplia a capacidade de monitoramento e fiscalização da área; e graças a um termo de ajustamento de conduta conduzido pelo Ministério Público Federal a Petrobras construiu na área do Parque um centro de visitantes capaz de receber estudantes, pesquisadores e  visitantes em geral. Além de ampliar e melhorar a visitação na área, a construção do centro de visitantes permitiu ao ICMBio mudar a sede do Parque Nacional para dentro do Parque, ampliando a presença pública na área e reduzindo pressões naquele ambiente. "Além disso, as pesquisas científicas se intensificaram e, atualmente, Jurubatiba é uma das unidades de conservação mais pesquisadas de todo o país. Na área são realizadas pesquisas farmacêuticas, sobre fauna e flora, acerca da limnologia e hidrologia locais, pesquisas socioeconômicas, entre outras", frisou Marcos.

Sobre os principais desafios para as próximas décadas Marcos destaca: difundir ainda mais a importância acerca da preservação da área; incentivar o uso público ordenado e consciente do parque; realizar a indenização dos proprietários de terra que ainda não receberam por suas terras; garantir a proteção da unidade e possibilitar atividades de educação ambiental e pesquisas científicas na área.

Autor: Juliane Reis Juliane@odebateon.com.br

Foto: Kaná Manhães


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Tags: meio ambiente, educação


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