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Alto dos Cajueiros aguarda melhorias em infraestrutura

Solicitações que já vêm sendo feitas há anos continuam na lista de reivindicações dos moradores

Em 12/03/2018 às 11h46


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Moradores cobram modernização do bairro, um dos mais antigos da cidade Moradores cobram modernização do bairro, um dos mais antigos da cidade
Um bairro que divide duas realidades e, ao mesmo tempo, tem problemas em comum. Esse é o Alto dos Cajueiros, na Região Central, que, assim como as demais localidades em Macaé, carece de diversos serviços de infraestrutura. 

Essa semana, a equipe de Bairros em Debate esteve no local conversando com os moradores, que apontaram os principais problemas. Alguns deles chegaram a ser ressaltados na última visita, em novembro de 2016, mas, ao que tudo indica, quase nada mudou desde então. Entre as pendências estão a falta de manutenção nas vias e a sujeira em terrenos baldios. 

Segundo histórias relatadas pelos habitantes mais antigos, no século passado o local era caminho de carvoeiros, o que motivou a escolha do nome "Morro do Carvão". A localidade servia como passagem para esses profissionais e para o trem da extinta Leopoldina que, anos mais tarde, passaria a se chamar RFFSA.

O bairro foi crescendo, assim como a diferença social. Basta caminhar um pouco pelas ruas para ter a sensação de estar em dois bairros diferentes. Por um lado casas de médio e alto padrão, e de outro, construções humildes. Mas se tem uma coisa certa ali é que o poder público tem deixado de fazer o seu papel. 

Ele fica situado em um local estratégico, pois está exatamente entre a Região Central da cidade e a Praia dos Cavaleiros. Em poucos minutos de caminhada é possível chegar ao centro comercial de Macaé ou às praias.

"O Alto dos Cajueiros é um dos bairros mais antigos de Macaé. Já passou da hora de ser modernizado. Moramos a menos de um quilômetro da casa do prefeito e ele nada faz por nós aqui. E isso é algo que vem sendo motivo de descaso desde as gestões anteriores", lamenta o vice-presidente da Associação de Moradores, Robson Santos de Souza.

Obras sem previsão de serem retomadas

Mais uma promessa que nunca saiu do papel. O projeto de urbanização na linha férrea, no trecho que divide a Costa do Sol e o Alto dos Cajueiros, está cada dia mais longe de se tornar uma realidade. Pelo menos é isso o que relatam os moradores.
Na semana passada, o jornal O DEBATE publicou uma reportagem falando sobre o caso. Até então, a prefeitura ainda não havia se pronunciado sobre as obras, que seguem paradas há mais de três anos.

Presidente do bairro, Robson, mostra local que seria área de lazer 


"Eles iniciaram em 2015,  mas até hoje a única coisa que fizeram foi o manilhamento. Antes o esgoto corria a céu aberto aqui. Pelo menos isso parou de acontecer depois que o serviço foi feito. No entanto, a gente aguarda a urbanização, conforme nos foi prometido na época que seria feito e até hoje nada. Inclusive, isso foi anunciado pela prefeitura nas suas redes sociais. Existe um projeto de urbanização e pavimentação, mas não sabemos se isso um dia vai se tornar realidade ou não", diz Robson.

Ele enfatiza que já procurou as autoridades algumas vezes, mas sem sucesso. "Estive na secretaria de Obras em busca de respostas e me informaram que a prefeitura não tem verba para infraestrutura. Eu me pergunto, não tem recurso para melhorias nos bairros? E os milhões arrecadados em royalties e impostos? O que dá a impressão é que não existe interesse", lamenta.
Além do Executivo, ele busca apoio do poder Legislativo. "Procurei um vereador e pedi a ele que fizesse esse requerimento, que já está tramitando na Câmara, ao prefeito Dr. Aluízio. Essas obras serão de grande importância para a população. Esperamos que os vereadores nos ajudem a cobrar da prefeitura que a urbanização seja concluída", finalizou. 


Infestação de ratos e mosquitos

Sem prazo de retomar os trabalhos, o morador conta que nem mesmo o serviço básico de manutenção vem sendo feito. Nas imagens feitas é possível ver que o matagal toma conta da linha do trem. 

Aedes aegypti foi encontrado pela nossa equipe em local sem limpeza


"Estamos esquecidos pelo poder público. O local está totalmente abandonado. O mato cobrindo tudo. Nem mesmo a limpeza tem sido feita", diz ele, ressaltando que a situação gera inúmeros transtornos. Um deles é o problema de zoonoses. "Sem capina, o local está virando criadouro de mosquitos. Estamos sofrendo com uma infestação. A prefeitura nos abandonou", conta.

Durante o período em que ficou no local, a nossa equipe de reportagem pôde comprovar as reclamações da infestação de mosquito. Entre os insetos encontrados estava o Aedes aegypti. 

"Quem mora nas proximidades está reclamando demais dos mosquitos e ratos. Enquanto não limparem essa área, isso nunca vai ter solução", lamenta.


Sem área de lazer

Direito de todos, mas acessível para poucos. Essa é a realidade da população em Macaé quando o assunto é lazer. Apesar de o governo municipal ter realizado a reforma de algumas praças ao longo dos últimos anos, e ter criado algumas novas, muitos espaços seguem abandonados pelo poder público. 

É o caso do Alto dos Cajueiros que há anos luta pela construção de uma praça no bairro. "Isso é uma reivindicação antiga nossa. Eu nasci e fui criado aqui. Era um sonho meu quando era novo e agora vejo que outras gerações surgiram e passam pelo mesmo que meus vizinhos e eu passamos no passado. Tem vários terrenos aqui. A prefeitura poderia comprar um deles e fazer a praça aqui, ou então, no local onde seria urbanizado na linha do trem. As crianças e os jovens não têm onde se divertir. Tudo depende de ir para outros bairros ou então na rua, correndo o risco de serem atropelados", diz Robson, que mora há 30 anos no local. 


Limpeza precisa melhorar

A cada 10 bairros, pelo menos 9 registram reclamações sobre a limpeza. E no Alto dos Cajueiros não tem sido diferente. Canteiros e meios-fios sem capina evidenciam o abandono da prefeitura, que tem "deixado a desejar", segundo os moradores.
"Eles atendem apenas se a gente fizer a solicitação. Não existe um cronograma que atenda o bairro periodicamente, como deveria ser. As reclamações são muitas", diz Robson. "Na linha do trem está tudo abandonado, o mato com mais de 2 metros de altura. Precisamos de um mutirão aqui", completa.

Matagal retrata a falta de serviço de capina no bairro


Mas não são só os espaços públicos que acabam sendo alvos do desrespeito. Terrenos particulares também viram depósito para tudo que é tipo de material. Vale ressaltar que, além de comprometer o meio ambiente, esses resíduos acabam virando criadouros para o Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue, febre chikungunya e zika vírus. 

NOTA - A Prefeitura informou em nota que o atendimento ao bairro está no cronograma do Centro de Controle de Zoonoses(CCZ) da próxima semana. Caso haja chuvas fortes, o cronograma pode ser alterado. Para solicitações de visitas ou dúvidas, o cidadão pode entrar em contato com o CCZ, pelo telefone: 0800-0226461 ou pelo email: cczmacae@yahoo.com.br.




Sobre a limpeza das ruas (capina), retirada de entulhos emanutenção das galerias pluviais, a prfeitura disse que o trabalho de manutenção é contínuo no município, porém, a Secretaria Adjunta de Serviços Públicos informou que vai enviar uma equipe para verificar a situação do local.

Autor: Marianna Fontes marifontes@odebateon.com.br

Foto: Kaná Manhães


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Tags: bairros em debate


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