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Farmácia Municipal volta a ser alvo de denúncias

Segundo o relato de pacientes, falta de alguns medicamentos já vem ocorrendo há meses no local

Em 20/02/2018 às 19h04


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Um dos pacientes relata que vem tentando dois tipos de medicamento há mais de três meses Um dos pacientes relata que vem tentando dois tipos de medicamento há mais de três meses
O acesso à saúde na rede pública de Macaé está cada dia pior. Além da falta de médicos e estrutura precária das unidades no município, os cidadãos enfrentam ainda dificuldades para conseguir itens básicos, como medicamentos.

Essa semana, alguns cidadãos procuraram o jornal O DEBATE para denunciar as dificuldades que eles têm encontrado para conseguir remédios na Farmácia Municipal. Um deles é Enir Borges, que conta que há mais de três meses tenta dois tipos de medicamentos que são indispensáveis na sua vida. 

"Estou nessa batalha desde o final do ano passado para conseguir o Ciprofibrato e a Sinvastatina. Vou, pelo menos, uma vez na semana até a Farmácia Municipal e a resposta é sempre a mesma: não temos o medicamento disponível no momento", conta. 

Desempregado, Enir diz que tem enfrentado problemas em manter o seu tratamento devido às dificuldades financeiras. "Não tenho condições de comprar o remédio. Estou apenas cobrando algo que é meu por direito. Não é um favor que eles fazem. Estou sem tomar meus remédios desde então porque não posso comprá-los. É um total desrespeito com os cidadãos", lamenta.

Paralelo a isso, ele cobra também melhorias no atendimento psiquiátrico da rede púbica municipal. "Eu faço o uso do Clonazepam, que é um medicamento controlado. No entanto, estou há dois meses sem tomar porque não consigo agendar uma consulta com o especialista. Vou na Saúde Mental e me mandam para o Posto de Saúde do Aeroporto. Chego lá e me mandam de volta para o outro. E assim fica nesse jogo de empurra. Isso tem me gerado muitos problemas. Um deles é a dificuldade de dormir. Sinto fortes dores de cabeça por conta disso também. Pedimos ao prefeito, que é médico, que olhe com mais atenção para a nossa saúde, que está precária", apela.

Já Fernando tenta há dois meses conseguir itens na Farmácia Municipal para sua esposa, que sofre de diabetes. "Vou sempre lá para buscar a fita de medição de glicose e a agulha, mas em vão, pois estão em falta. A gente questiona os funcionários e toda vez falam para gente vir na próxima semana.

E assim tem sido há dois meses", relata ele que diz que a alternativa é tirar do próprio bolso. "Mesmo sendo um direito dela, eu acabo comprando, pois a vida dela depende disso. Cada caixa com 50 fitas é R$ 100, um custo muito alto, se levar em conta que ela utiliza duas fitas por dia. É realmente lamentável a situação que Macaé se encontra hoje em dia", diz.

Inaugurada no dia 14 de julho de 2010, a Farmácia Municipal Central foi criada para facilitar o acesso da população de baixa renda aos medicamentos. Ela atualmente fica localizada na Rua Darcílio Possati, nº 134 (antiga Rua Proletariado, onde funcionava o supermercado Jpavani), no Visconde de Araújo. Ela funciona de segunda à sexta-feira, das 8h às 17h. 

A nossa equipe de reportagem procurou a prefeitura, que informou que o Ciprofibrato (para triglicerídeos) não é disponibilizado pela rede municipal e sim pelo Governo do Estado. Já a Sinvastatina (para colesterol) está em processo de licitação, que será realizada no dia 28 de fevereiro. Enquanto isso, esse medicamento pode ser adquirido com desconto de até 90% em drogarias da rede conveniada ao programa do Ministério da Saúde, com preço que varia entre R$ 2 e R$ 3, dependendo da marca. A fita e agulha para medição de glicose já chegaram na sexta-feira (16). 

Lembrando que o acesso à saúde pública de qualidade é um direito de todo cidadão brasileiro. A Lei nº 8.080/90 diz que é dever do Estado prover as condições indispensáveis ao seu pleno exercício. O mesmo direito é assegurado pela Constituição Federal de 1988. 

Autor: Marianna Fontes marifontes@odebateon.com.br

Foto: Wanderley Gil


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Tags: cidade, saúde


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