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Operação Quinto do Ouro: delações do TCE levam a esquema de ônibus

Segundo a Justiça, mais de R$ 260 milhões foram pagos por empresários a agentes políticos em esquema de propinas

Em 04/07/2017 às 12h54


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As delações apuradas pela Operação Quinto do Ouro, que prendeu em março deste ano cinco conselheiros do Tribunal de Contas do Estado (TCE), levaram a Justiça a descobrir uma nova ramificação do esquema de corrupção, que envolve empresários e políticos do Estado.

Através das investigações apuradas também apela Operação Lava Jato, a Polícia Federal realizou ontem (3) prisões de suspeitos de participação de um esquema de pagamento de mais de R$ 260 milhões em propinas, que tinham como pano de fundo contratos de concessão de transportes públicos no Estado.

A Operação Ponto Final foi iniciada na madrugada de domingo (2) para segunda (3) , quando começaram a ser cumpridos pela Polícia Federal nove mandados de prisão temporária, expedidos pelo juiz Marcelo Bretas, da 7ª Federal Criminal/RJ, a pedido do Ministério Público Federal (MPF) no Rio de Janeiro.

Um dos principais empresários do ramo no Estado do Rio, Jacob Barata Filho, foi preso ainda na noite de domingo no Aeroporto Internacional Tom Jobim tentando embarcar para Portugal. Ontem,  foram presos o Presidente-Executivo da Fetranspor Lélis Teixeira e o ex-presidente do Detro, Rogério Onofre.

Segundo informações do MPF, durante as investigações foi possível identificar vários núcleos e operadores financeiros da organização criminosa e nos depoimentos prestados ao MPF foram confirmados os pagamentos de propinas nos moldes dos realizados pelas empreiteiras, só que dessa vez no setor de transporte público com o objetivo de garantir tarifas e contratos com o Governo do Estado do Rio. 

As investigações contaram com depoimentos prestados em sede de colaboração premiada, extraídos pela Operação Quinto do Ouro junto também a ex-conselheiros do TCE, que detalharam a forma como era feita a custódia do dinheiro em espécie em transportadoras de valores para a posterior distribuição de propina a políticos e agentes públicos. 

Por meio de documentos e planilhas com registros da distribuição de propina entregues, os colaboradores permitiram identificar a estrutura montada pelas empresas de ônibus e Fetranspor para obter vantagens indevidas nos contratos públicos firmados.
De acordo com as investigações, entre 2010 e 2016, o ex-governador Sérgio Cabral recebeu R$ 122,8 milhões. Já Rogério Onofre, ex-presidente do Detro, recebeu R$ 44,1 milhões em propinas pagas pelas empresas de ônibus.

Além dos termos colhidos em sede de colaboração premiada, Luiz Carlos Bezerra, apontado pela Justiça como operador financeiro de Sérgio Cabral, confessou voluntariamente que recolhia propina na sede da empresa Flores, em São João de Meriti. 

Bezerra admitiu também que codinomes como "Jardim", "Flowers" e "Garden" constantes de anotações de contabilidade feitas em agendas, apreendidas durante a deflagração da Operação Calicute, em novembro de 2016,  eram referentes à Companhia Viação Flores, cujo sócio administrador é o empresário José Carlos Reis Lavouras - sócio também de mais 13 empresas ligadas ao ramo de transporte. Lavouras também figura como membro do Conselho de Administração da Riopar Participações SA (Bilhete Único e Riocard) juntamente com o empresário Jacob Barata Filho (na condição de presidente) e Lélis Marcos Teixeira (como secretário da mesa apuradora).

Para o MPF, o esquema de corrupção encontra-se organizado a partir de quatro núcleos básicos: núcleo econômico, formado pelos executivos das empresas organizadas em cartel; o núcleo administrativo, composto por gestores públicos do governo do Estado, os quais solicitaram/receberam propinas; núcleo operacional cuja principal função era promover a lavagem de dinheiro desviado; e núcleo político, integrado pelo líder da organização Sérgio Cabral.

Autor: Márcio Siqueira

Foto: Divulgação


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Tags: geral


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