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Interditado há mais de 20 anos, Palácio dos Urubus segue em ruínas

A infraestrutura do local está cada vez mais danificada e se tornou motivo de preocupação para quem passa pelo local

Em 23/03/2017 às 12h01


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O casarão localizado na Rua Télio Barreto foi construído em 1865, e está prestes a desabar O casarão localizado na Rua Télio Barreto foi construído em 1865, e está prestes a desabar
"A sensação é de que um dia parte da parede irá cair sobre nós". É assim que pensa quem reside em Macaé e que diariamente passa próximo ao Palácio dos Urubus. O local é de grande  importância cultural para a cidade, mas segue abandonado e sem nenhuma obra prevista. As paredes, de acordo com relatos, parecem que vão desmoronar a qualquer momento.  

"Ao longo dos últimos anos, o que a gente observa é a destruição gradativa de um dos monumentos históricos do município. É uma pena e ao mesmo tempo uma situação que nos preocupa", disse um morador que há anos acompanha as ruínas do local. 

Outro morador diz que o local poderia ser aproveitado, e quem sabe até mesmo transformado em um palácio de cultura  para as crianças, oferecendo o ensino de música, dança, pintura, entre outras formas de arte.  

Mas enquanto nada é feito, o que se pode observar é que, além das ruínas, nada mais resta de uma história de luxo e riqueza, de um patrimônio da época dos senhores de engenho e da aristocracia macaense. 

Segundo dados históricos, o casarão, construído por dezesseis escravos na época do império, começou a ruir a partir da década de 70, quando a Defesa Civil interditou o imóvel. Atualmente, apenas a fachada principal está de pé, escorada por tapumes que escondem os escombros. 

Ainda de acordo com as informações, a decadência do prédio começou logo após o seu tombamento, em 1979, pelo INEPAC. Isso porque, na época, não houve um bom diálogo entre Prefeitura desapropriou o prédio, o Instituto Nacional de Patrimônio Artístico e Cultural (Inepac) e os proprietários, que acabaram saindo do casarão. 

A situação não para por aí. O prédio, construído na segunda metade do século XIX, tem seu projeto atribuído ao alemão Antônio Becher, que veio ao Brasil para participar de projetos arquitetônicos de outros monumentos, como os Solares da Mandiquera e Machadinha, em Quissamã. A construção do casarão contou com materiais da melhor qualidade, imprimindo alto luxo à construção. As grades e vidros de cristal foram importados da Alemanha e os azulejos de Portugal. O recheio da casa era valioso, com leitos de jacarandá com detalhes de flores, pássaros, brasão e dossel. A mobília da sala era dourada e estofada de pura seda. Em cada quarto, os oratórios ostentavam o estilo barroco. 

Em edições anteriores, quando foi procurada pela redação do Jornal, a prefeitura informou apenas que a estrutura pertence a um proprietário particular, e é tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e que, portanto, não pode fazer obras no local. Ainda segundo as informações, a Secretaria Municipal de Proteção e Defesa Civil fez a interdição da estrutura, e faz o monitoramento, assim como faz de outros prédios do município, inclusive os que não estão em risco de desabamento.

Autor: Juliane Reis Juliane@odebateon.com.br

Foto: Kaná Manhães


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Tags: geral, cidade


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