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Leite especial: Pais denunciam falta de atenção do poder público

De acordo com relatos, crianças com necessidades especiais estão desde o inicio do ano sem receber leite especial fornecido pela Catan

Em 13/03/2017 às 12h00


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A pequena Bruna Moreira é uma das crianças que está sem receber o leite especial A pequena Bruna Moreira é uma das crianças que está sem receber o leite especial
Em pleno século XXI a atual crise econômica e financeira enfrentada pelo país se tornou a principal desculpa para o descaso que já vem se arrastando há anos em várias cidades. Em Macaé, município até então conhecido como a Capital Nacional do Petróleo não tem sido diferente e desde o início do ano a Redação do Jornal vem recebendo denúncias do total descaso do poder público com os munícipes como, por exemplo, instituições filantrópicas e pessoas com necessidades especiais. 

De acordo com o Art 11 do Estatuto da Criança e do Adolescente, é assegurado acesso integral às linhas de cuidado voltadas à saúde da criança e do adolescente, por intermédio do Sistema Único de Saúde, observado o princípio da equidade no acesso a ações e serviços para promoção, proteção e recuperação da saúde.

O documento diz ainda que a criança e o adolescente com deficiência serão atendidos, sem discriminação ou segregação, em suas necessidades gerais de saúde e específicas de habilitação e reabilitação e que incumbe ao poder público fornecer gratuitamente, àqueles que necessitarem, medicamentos, órteses, próteses e outras tecnologias assistidas relativas ao tratamento, habilitação ou reabilitação para crianças e adolescentes, de acordo com as linhas de cuidado voltadas às suas necessidades específicas. Mas na prática a realidade vivida por crianças com necessidades especiais e seus familiares, é bem diferente.    

No início desta semana pais e responsáveis procuraram a redação do Jornal mais uma vez na tentativa de impedir que o descaso com a saúde, em especial com crianças assistidas pela Divisão Especial da Área Técnica de Alimentação e Nutrição - CATAN siga adiante. De acordo com relatos, desde janeiro crianças com a Síndrome de Down, por exemplo, estão sem receber um leite especial - que até então era fornecido pela Prefeitura. 

"O descaso para com nossas crianças e com a saúde de modo geral está grande demais. Minha filha tem Down e assim como outras crianças está desde janeiro sem receber o leite neocate - que custa em média R$ 200,00 a lata. E não só isso, além de não estar fornecendo o leite, consultas e exames estão sendo desmarcados. Eu, assim como outros pais, já acionei o Ministério Público, o Conselho Tutelar e a Ouvidoria da Prefeitura e aguardo uma resposta positiva. Minha filha tinha exame oftalmológico sedado agendado e depois de marcado, simplesmente foi desmarcado e não há nenhum prazo para remarcação novamente", disse o pai Marcos Moreira.  

Além da fórmula Neocate, outros leites especiais também não estão sendo distribuídos. Marcos conta ainda que segundo informações que lhe foram repassadas, o Prefeito disse que não irá fornecer o leite às crianças simplesmente porque existe a grande possibilidade do Programa que disponibiliza as fórmulas, ter fechado.  

Para ajudar a comprar o leite para a filha, a esposa de Marcos tem feito artesanato e com a venda dos produtos tenta ajudar no custeio das despesas. "Só nosso salário não dá, por isso optei pelo artesanato como uma forma de renda extra para não deixar faltar o alimento da nossa pequena", disse a dona de casa. 

Segundo informações institucionais do próprio órgão municipal, a Prefeitura possui diversos programas na área de vigilância nutricional, como o Programa Municipal do Leite que atende crianças de zero a quatro anos. Além disso, a Catan também oferece o Programa de Suplementação Alimentar para gestantes e o Programa de Suplementação Alimentar para crianças com intolerância à lactose e alergia à proteína do leite de vaca (lactoglobulina) que são custeados com recursos municipais e atendem dezenas de crianças de até cinco anos com a distribuição de leite de soja.

A Catan ainda oferece atendimento com profissionais da assistência social, pediatria, alergologia e nutrição. Os interessados pelo serviço podem ir até o órgão e marcar consulta. A Catan atende na rua Dr. Luiz Belegard, 139, no Centro. Informações podem ser conseguidas pelo telefone (22) 2759.1024. 

"Se o Programa for fechado simplesmente não saberemos o que fazer. As fórmulas são caras e não temos condições para custeá-las. Sem contar as consultas. Precisei acionar a justiça para tentar agendar o exame da minha filha. Isso é de cortar o coração", disse o pai. 

A redação do Jornal entrou em contato com a Prefeitura, mas até o fechamento da edição, o órgão não havia se pronunciado. 

Autor: Juliane Reis Juliane@odebateon.com.br

Foto: Divulgação


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Tags: geral, social


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