Cadastre-se e receba nossas novidades:

Notícias

Engenho da Praia vive décadas de abandono

Moradores reclamam da pouca atuação do poder público e voltam a cobrar melhorias em infraestrutura

Em 01/03/2017 às 14h15


Versão para impressão
Enviar por e-mail
RSS
Diminui o tamanho da fonte Aumenta o tamanho da fonte

Apesar de contar com ETE, moradores dizem que esgoto não tem com destinação adequada Apesar de contar com ETE, moradores dizem que esgoto não tem com destinação adequada
Quatro meses se passaram desde a última visita do Bairros em Debate ao Engenho da Praia, também conhecido como Parque Lagomar. No entanto, até hoje os moradores continuam lamentando a realidade do local. 

Situado entre o Lagomar e São José do Barreto, o bairro, que tem mais de cinco mil habitantes, ainda enfrenta várias dificuldades, inclusive a falta de zelo das ruas que estão abandonadas pelo poder público. 

Essa semana, a equipe de reportagem esteve no local e conversou com alguns moradores, que pedem uma maior atenção por parte das autoridades responsáveis. Desde 1989, quando uma grande fazenda foi sendo aos poucos loteada, dando lugar ao bairro Engenho da Praia, cerca de milhares de famílias que ali residem sofrem com a falta de infraestrutura.
Entre os problemas relatados pela população, muitos deles poderiam ser resolvidos de imediato. Na lista de reivindicações estão a limpeza, o lazer e o saneamento básico. 

"O bairro existe há quase três décadas e não temos infraestrutura nenhuma. Desde que me mudei, vários governos se sucederam e nada foi feito. O pouco que fizeram foi o calçamento e a rede, que é precária", diz Maurício Lopes do Rego, que mora no bairro desde 1990. 

Esgoto a céu aberto

Quando se fala de qualidade de vida, o saneamento básico é um item indispensável. Apesar de a Estação de Tratamento de Esgoto (ETE), que atende o bairro vizinho do Lagomar, estar situada dentro do Engenho da Praia, ainda é possível presenciar vazamentos pela rua. 

Enquanto isso, dejetos vão para o valão e para o meio da rua


Em outubro, durante a visita de nossa equipe, encontramos um vazamento na esquina das ruas Espírito Santo com a Cinco. Agora, quatro meses depois, a situação permanece a mesma. 

"Temos a rede, mas ela não tem destinação, ou seja, vai tudo para o valão. Enquanto isso, os bueiros, todos entupidos, acabam transbordando. Quando chove volta tudo para a rua e até para as casas. As pessoas vivem em situação de insalubridade, porque até mesmo para solicitar o caminhão suga-fossa é uma dor de cabeça. A prefeitura empurra para Odebrecht Ambiental e vice-versa. Ficam fugindo da responsabilidade e não resolvem o problema do morador", denuncia Maurício. 

Segundo a prefeitura esclarece em sua página na internet, a ETE já começou a funcionar e todo o esgoto está sendo captado, beneficiando cerca de 30 mil moradores. Ela conta com 60 quilômetros de redes coletoras e tem capacidade para tratar até 40 litros por segundo. 


De acordo com a ONU (Organização das Nações Unidas), o saneamento é um item fundamental para a redução da pobreza, melhoria das condições de vida das pessoas e para o desenvolvimento sustentável. 
Além do mau cheiro, a exposição desse dejeto compromete a saúde das pessoas, podendo vir a causar doenças. Ele também contribui para diversos problemas ambientais, entre eles, a poluição do lençol freático, e serve de criadouro para animais como mosquitos e ratos.

Segundo a Odebrecht Ambiental, ela não opera a estrutura de esgotamento sanitário existente no bairro Engenho da Praia, redes e estação de tratamento, que foi construída e está sob a responsabilidade do poder concedente. A Concessionária esclarece que presta atendimento aos moradores do bairro quando há extravasamento de esgoto nas ruas e necessidade de desobstruções.
 

Terrenos baldios e carros abandonados

A questão da limpeza pública também tem sido motivo de reclamações. Terrenos baldios continuam sendo alvos de descarte irregular. A situação acaba contribuindo com a proliferação de zoonoses, principalmente ratos, que podem transmitir doenças como a leptospirose. 

Além disso, os moradores denunciam o aumento no número de veículos abandonados, que estão tomando conta de terrenos e até de vias públicas. Mais do que a poluição visual, os carros abandonados também geram problemas de saúde e de segurança pública.

Em março do ano passado, a Prefeitura sancionou um decreto determinando que os veículos abandonados encontrados com focos criadouros de larvas de Aedes aegypti, ou que estejam em condição potencial de se tornarem futuros criadouros, serão removidos para o depósito público de veículos, sendo o proprietário notificado pessoalmente ou por meio de edital. 

Todas as despesas decorrentes da remoção e armazenamento serão de responsabilidade do proprietário, podendo também ser passíveis do pagamento de multa. O objetivo na época foi prevenir e combater a proliferação do mosquito Aedes aegypti.

As operações de retirada desses veículos em estado de abandono são comandadas pela secretaria de Mobilidade Urbana. A própria secretaria realiza o mapeamento dos locais para notificação e recolhimento dos veículos, tanto por meio do banco de denúncias, quanto pelo levantamento dos agentes de trânsito em patrulhamento. Segundo a secretaria, a população pode fazer solicitações por meio da Ouvidoria Geral pelo telefone 162 (de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h) e pelo link no Portal da Prefeitura.

População carece de área de lazer 

Prefeitura considera canteiro central como "área de lazer". Moradores pedem praça em terreno abandonado 


Apesar de ter muitas crianças e jovens morando no bairro, até os menores parecem ter sido esquecidos pelas autoridades nos últimos anos. Se, por um lado o Engenho da Praia cresceu, por outro, a infraestrutura ainda vem em passos lentos. 
Um dos maiores desejos dos pais é que um dia o bairro tenha uma área de lazer. Sem nenhuma praça, é comum ver os pequenos brincando no meio da rua, sem nenhum tipo de segurança.

Outra opção é se deslocar para outros bairros, como o Centro. Até mesmo a opção mais próxima, situada no Lagomar, acaba sendo inviável já que ambas as áreas são dominadas por facções rivais. 

"Segundo alega a prefeitura, a nossa praça do bairro é o canteiro central da principal. Como podem chamar aquilo de área de lazer? Aquele espaço tem apenas alguns bancos. A nossa única alternativa é o caminho de terra que foi feito pelos moradores. Logo ali perto, no terreno da prefeitura ao lado da escola, a gente luta para que construam uma praça. É uma área grande e boa que não está sendo aproveitada, pelo contrário, serve apenas para depósito de lixos e entulhos. Sem esquecer que, quando chove, os ônibus escolares atolam completamente. O Engenho da Praia é um bairro pequeno e que não tem nenhum atrativo para os moradores, principalmente à noite", lamenta Maurício.

Há cerca de dois anos, a prefeitura alegou que o bairro estava incluído no cronograma de ações. Na medida em que os outros bairros fossem atendidos, o Engenho da Praia seria contemplado com a construção da área de lazer. O tempo passou, e até hoje a população fica sem saber se isso irá, de fato, sair do papel um dia.

Autor: Marianna Fontes marifontes@odebateon.com.br

Foto: Kaná Manhães


    Compartilhe:

Tags: bairro em debate


publicidade