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Melhorias em infraestrutura ficam apenas nas promessas

Moradores do Jardim Carioca II voltaram a reclamar dos mesmos problemas relatados há anos

Em 13/02/2017 às 11h12


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Localidade é mais uma do município que sofre com o abandono do poder público Localidade é mais uma do município que sofre com o abandono do poder público
Em meio a tantos problemas, os moradores do Jardim Carioca II procuram uma solução. São anos esperando por melhorias que nunca chegaram. Entra ano, muda o governo, e até agora a única certeza de quem mora ali é que a comunidade vive em completo estado de abandono.

Essa semana, o Bairros em Debate esteve visitando o local, onde percorreu as ruas e conversou com a população mais uma vez. Transporte público insuficiente, falta de limpeza e alagamentos são apenas alguns dos problemas relatados pelos moradores, ressaltando que estão cansados de promessas e cobram do poder público solução para as questões que fazem parte do cotidiano do bairro. 

Com o intuito de chamar a atenção das autoridades, eles colocaram placas nas margens do Canal Macaé-Campos com várias reivindicações, como falta d'água, limpeza urbana e melhora no sistema de transporte público. 
O Jardim Carioca II fica localizado às margens do Canal Macaé-Campos, a poucos minutos do Centro de Convenções e do Aeroporto de Macaé. A comunidade foi criada há mais de 10 anos e, atualmente, estima-se que vivam cerca de 800 famílias ali. 

Falta de pavimentação e alagamentos

Em dias de chuva, os moradores enfrentam a lama para entrar e sair de casa



Se o acesso às ruas internas do bairro é ruim em dias de sol, quando chove, entrar e sair do bairro é praticamente uma missão impossível. Os moradores contam que basta chover poucos minutos para a situação ficar caótica. 

Como as ruas não têm asfalto, diversos buracos vão se formando nas pistas de barro. Os moradores dizem que, de vez em quando, fazem o serviço de manutenção, tapando os desníveis por conta própria. 


"Aqui o pessoal já colocou o nome de 'pé na lama'. O calçamento foi feito apenas na entrada. As demais ruas são barro puro. Quando chove, ninguém entra ou sai de casa. Precisamos que criem uma Associação de Moradores que realmente atue por nós, já que não temos representantes para cobrar do poder público as melhorias. Moro aqui há um bom tempo, e pouca coisa foi feita desde que vim para cá. Nos últimos anos, então, quase nada mudou", conta uma moradora, que não quis se identificar. 
Crianças e jovens ficam pelas ruas

Quando se trata de lazer no Jardim Carioca II, o direito parece ter ficado apenas na Constituição Brasileira de 1988. De acordo com o § 3º do Art. 217, cabe ao poder público incentivar o lazer, como forma de promoção social. Mesmo com a expansão do bairro nos últimos anos, a população não conta com uma praça ou um simples campo de futebol para as crianças e jovens.

De acordo com os moradores, a única opção das crianças e adolescentes é a rua. "Não tem nenhuma praça. Na verdade, não existe lazer aqui. Meu filho fica muito ansioso porque tem que ficar dentro de casa. Seria bom se tivesse um espaço, não só para as crianças como para todos os moradores aproveitarem as horas livres", disse uma outra moradora que também pediu sigilo do nome. 

Lembrando que a criação de uma área era promessa antiga da prefeitura. Em 2016, em nota enviada ao jornal, o governo municipal afirmou que o projeto para a construção de uma praça no local mencionado estava no cronograma da secretaria de Serviços Públicos. O objetivo do governo, segundo a secretaria de Comunicação, seria levar infraestrutura para todo o município. 

Iluminação precisa de reforço

Assim como acontece em boa parte da cidade, a sensação de insegurança é grande entre os moradores no Jardim Carioca II. Eles relatam que o medo é ainda maior durante a noite devido à falta de iluminação pública em vários pontos do bairro.

Apesar de pagar a taxa todo mês população convive com a escuridão


Um exemplo disso fica na via principal. "Aqui na altura do nº 42, a lâmpada está queimada há mais de dois meses. E não é só aqui, mas sim em vários pontos do bairro. O que revolta é que todo mês chega a cobrança da taxa de iluminação pública. Agora, cadê a prefeitura na hora de fazer a manutenção? Onde está sendo aplicado esse dinheiro? Enquanto isso, os assaltos continuam acontecendo", diz a moradora.

Transporte ainda é alvo de reclamações

A maioria dos moradores utiliza o transporte público. Apesar de sempre ser incentivado o uso do ônibus, até mesmo como forma de melhorar a mobilidade e reduzir a emissão de gases poluentes, em Macaé isso acaba sendo cansativo. 


Atrasos e falta de ônibus prejudicam quem vive no bairro 


"Pegar um ônibus aqui é uma dificuldade por dois motivos: o primeiro é que o tempo de espera é muito grande. Eles passam, em média, de uma em uma hora. Se você tiver compromisso, não pode contar com a sorte porque corre o risco de não conseguir chegar a tempo, a não ser que saia com bastante antecedência. Em finais de semana e feriados é ainda pior. Quase não passa coletivo aqui. Outro problema é a volta que ele dá, sem nenhuma necessidade", diz a moradora.

Sem muita opção, muitos preferem ir caminhando até o Terminal Cehab, situado a cerca de um quilômetro. Além do desgaste e do estresse, os passageiros ainda estão sujeitos a entrar para a estatística de violência da cidade. "Tem gente que prefere andar até lá, devido a maior facilidade de ônibus, embora correndo o risco de assaltos, como vários casos que já foram relatados aqui pelos vizinhos", explica. 

Há cerca de dois anos, a prefeitura disse que o aumento na frota da linha A63 (Terminal Cehab x Vila Badejo - via Nupem/UFRJ) dependia do crescimento da demanda. No entanto, alternativas seriam estudadas para melhoria constante no atendimento ao bairro. Pelo que se observa, até hoje nada foi feito e a população continua à mercê de um sistema de transporte ineficiente, apesar da grande publicidade da "passagem a R$ 1". 

Autor: Marianna Fontes marifontes@odebateon.com.br

Foto: Kaná Manhães


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Tags: bairro em debates


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