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Obras de saneamento deixam problemas como herança

Novo Cavaleiros acumula pendências e moradores listam as inúmeras melhorias que precisam ser feitas

Em 06/02/2017 às 15h22


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Moradores denunciam que ruas ficaram destruídas por conta das obras de saneamento no bairro Moradores denunciam que ruas ficaram destruídas por conta das obras de saneamento no bairro
Situado em um dos pontos que mais se valorizam no município, o Novo Cavaleiros vem sentindo o peso do crescimento econômico e populacional nos últimos anos. Isso tudo veio acompanhado da falta de infraestrutura ao longo de décadas, situação que tem deixado os moradores da região insatisfeitos. 

Por estar localizado em uma região privilegiada, próximo às praias do Pecado e dos Cavaleiros, e também do shopping e do Polo Offshore, o bairro vem se tornando uma área muito procurada no município. 
A região, que é composta por residências, comércio e empresas offshore, é uma das áreas responsáveis pela arrecadação de ISS (Imposto Sobre Serviço). Mas, mesmo sendo fonte de receita para o município, ele ainda carece de infraestrutura.

O Novo Cavaleiros foi, inclusive, uma das localidades contempladas com as obras de saneamento da Odebrecht Ambiental. E foi a partir daí que muitos problemas começaram, segundo relatam os moradores.


Quase um ano desde a última visita, o Bairros em Debate voltou, nesta semana, ao Novo Cavaleiros, onde conversou com o presidente da Associação de Moradores, Marcos Segadas, que é um dos habitantes mais antigos. "Nada mudou no bairro. Pelo contrário, só piorou", diz.

Alagamentos geram transtornos

Há alguns anos, o Novo Cavaleiros era uma das localidades que mais sofriam com os alagamentos. Foi aí que, ainda na gestão anterior, foram realizadas obras de drenagem no bairro. Com isso, as ocorrências foram solucionadas, conforme explica Marcos.



"Foi uma obra muito bem feita, tanto que a gente parou de sofrer com as enchentes. Mas aí começaram as obras de saneamento. E também a nossa dor de cabeça. Basta chover um pouco para as ruas alagarem", conta. Segundo ele, as intervenções feitas para a implantação da rede resultou em um monte de problemas. Um deles foi a obstrução das galerias e os danos a algumas manilhas. "Falaram que iriam limpar os bueiros e resolver essas questões, mas até hoje nada. Nem a Odebrecht Ambiental e nem a prefeitura se pronunciam sobre o caso", reclama.
A
s obras de recuperação das vias começaram mas, conforme a nossa equipe pôde ver durante a visita, não foram finalizadas. "A Rua Diamantino Fonseca e a Travessa São José, por exemplo, continuam até hoje destruídas. Antes, elas não eram assim. Tiraram os paralelepípedos e, ao invés de fazer a reposição deles, deixaram os buracos. Depois vieram e jogaram terra para tapar. Só que quando chove desce tudo, causando a obstrução das galerias, alagando a Manoel Francisco Nunes. Um serviço mal feito. A gente já pensa até em nos unir para fazer uma mobilização e cobrar dos responsáveis uma resposta e solução para tais situações no bairro", relata Marcos.

Intervenções também resultaram em danos nas manilhas e entupimento de galerias 


Na Avenida Prefeito Aristeu Ferreira da Silva, na esquina com a Rua João Batista Quaresma, uma cratera está há meses colocando em risco a segurança de quem passa por ali. "A água desce do morro. Como a galeria está quebrada e entupida, ela não tem para onde escoar. Assim, começou a minar no asfalto, que foi cedendo pouco a pouco. Colocaram terra em cima e não resolveram a questão. O buraco só tem aumentado", conta o comerciante Lineu. Ele ressalta que as colisões são quase que diárias no local. "Os veículos batem toda hora ali porque o asfalto está todo danificado. Não adianta só tapar o buraco. Tem que consertar as manilhas", explica.

Para piorar, mesmo contando com rede, muitos ainda não fizeram a ligação. Quando chove, os moradores ainda precisam lidar com o esgoto retornando para as casas e para as ruas. "Eles não estão fazendo a captação, mas estão cobrando da população. Muitos estão entrando na justiça por conta disso. Quem tem que fazer isso é a Odebrecht Ambiental, e não a população", explica Marcos.

Opção de lazer está abandonada

Importante para a vida de qualquer cidadão, o lazer é uma das questões que os moradores clamam com urgência. Ao contrário de muitos locais, onde as opções são nulas, o bairro conta com duas praças, uma delas sem nenhuma condição de uso.

Áreas de lazer não recebem manutenção da prefeitura


Diversas vezes, o jornal relatou o abandono da praça do Novo Cavaleiros, que há muito tempo segue inutilizável. Em 2014, as invasões tomavam conta do espaço, que deveria ser utilizado pela população. A prefeitura removeu tudo que havia. Além disso, a estrutura dos vestiários e banheiros também foi demolida. 
"Essa área é hoje um motivo de vergonha para a população do bairro. Eu mesmo evito passar por ali. Está largado", lamenta o presidente. 

Enquanto isso, não muito longe dali, a Praça 29 de Julho é a única opção atual no bairro, mas mesmo assim deixa muito a desejar. A quadra precisa de manutenção, já que os alambrados estão enferrujados e arrebentados. 

"Já reivindicamos várias vezes, e nada. O parquinho só não está pior porque os moradores cuidam, já que a prefeitura não aparece. Mas a quadra está sem qualquer condição de ser frequentada. As crianças jogam bola e ela acaba indo para a rua porque os alambrados estão enferrujados e destruídos. Corre o risco de uma bola acertar um veículo, ou até mesmo um menor ser atropelado ao correr para a rua", alerta o presidente. 

Solicitação de semáforos

Devido à sua localização, o Novo Cavaleiros sofre com um intenso fluxo de veículos, inclusive de porte grande. Por conta disso, alguns trechos necessitam de reforço na sinalização. Nos cruzamentos entre a Avenida Prefeito Aristeu Ferreira da Silva com a Via do Sol e entre as ruas Manoel Francisco Nunes e Alameda Tenente Célio é preciso instalar semáforos.

Trecho entre a Avenida Prefeito Aristeu Ferreira da Silva com a Via do Sol precisa de um semáforo 


"Aqui é o bairro da gentileza. Digo isso porque só assim para transitar. Toda hora acontece acidente aqui", relata Marcos. Ele enfatiza que a situação é pior ainda para quem anda a pé. "Como não tem faixa, os pedestres dependem da cordialidade dos motoristas para passar", finaliza.

Apesar de promessas da prefeitura, a situação permanece a mesma desde março de 2016, quando O DEBATE esteve lá. "Já veio engenheiro da Mobilidade Urbana, mas nunca resolvem as pendências", reclama Marcos.
Outro pedido são os redutores de velocidade na Via do Sol e na Rua Manoel Francisco Nunes. "A Via do Sol foi uma via projetada. Ela foi criada sem espaço para calçadas. Por ser muito estreita, os pedestres dividem o espaço com os veículos. O problema é que a maioria passa por ali em alta velocidade, podendo atropelar uma pessoa", ressalta o presidente.

Eles também solicitam a implantação de recuos para os coletivos na rua Marte. "Quando o ônibus faz a curva, ele sobe na calçada, pois não tem espaço. A Mobilidade já mandou uma equipe, que aprovou a medida, mas depende da secretaria de Serviços Públicos executar", conta ele, lembrando que também é necessário fazer o alargamento da Rua Nazareno. "Ali só passa um ônibus por vez e o trânsito fica tumultuado. A prefeitura tem ciência das pendências. Só não entendo por que não fazem o que precisa ser feito", questiona. 

O que diz a Odebrecht Ambiental

Em nota, a Odebrecht Ambiental esclareceu que, desde 2013, contribui com a limpeza e desobstrução das galerias pluviais do município, com o objetivo de amenizar os transtornos causados à população com alagamentos. "Em específico, o bairro Novo Cavaleiros, após a realização das obras para implantação da rede coletora de esgoto, a concessionária afirma que realizou diversas limpezas nos bueiros e galeria pluvial, inclusive em atendimento à solicitação da Associação de Moradores do bairro", diz ela. 

A empresa ressalta "que os alagamentos eram recorrentes mesmo antes das obras, além disso a falta de pavimentação em algumas ruas contribui para que materiais sólidos sejam arrastados pelas águas das chuvas para as galerias pluviais. Sobre os buracos, a Odebrecht Ambiental afirma que realizou todas as manutenções necessárias nos locais onde foram realizadas obras de ampliação dos serviços de esgotamento sanitário". 

Autor: Marianna Fontes marifontes@odebateon.com.br

Foto: Marianna Fontes


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Tags: bairro em debate


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