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Moradores vivem transtornos após paralisação de obras

Novo Botafogo continua enfrentando os mesmos problemas. Calçamento e água lideram a lista de prioridades

Em 16/01/2017 às 15h02


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Enquanto as obras não retornam, moradores vivem em condições desumanas

Se há alguns meses as obras de infraestrutura traziam a esperança de dias melhores, o cenário encontrado hoje, de total abandono, gera preocupação para os moradores do Novo Botafogo, que cobram do poder público respostas para a paralisação dos trabalhos na comunidade.

Essa semana, o Bairros em Debate retorna ao local, um ano e um mês após a última visita, para ver de perto a triste realidade de cerca de 300 famílias e conversar com a população sobre as melhorias que precisam ser feitas. 

Desde a nossa última visita, muitas promessas foram feitas e poucas concretizadas. Segundo a prefeitura em sua página oficial, as obras que começaram em março de 2016 tinham previsão de conclusão em 10 meses, ou seja, janeiro deste ano. Mas, pelo cenário encontrado pela nossa equipe, isto está muito longe de ser finalizado. 

Os trabalhos incluíam a implantação de esgotamento sanitário, abastecimento de água, drenagem e pavimentação. Para isso, foram investidos na urbanização o valor de R$ 8.512.894,90. o alto investimento não condiz com a realidade atual. 

"Eles pararam tudo no final do ano. Esperamos que voltem logo. Estamos depositando esse voto de confiança no prefeito. O principal hoje seria fazer o calçamento das ruas para acabar com o problema de alagamentos e da lama", diz o comerciante Nélio. 

Já o presidente do bairro, Jeferson Silva, aguarda um posicionamento do governo municipal. "A obra parou e ninguém deu satisfação para os moradores. Fica agora essa incerteza", lamenta. 

No local onde antes era apenas um grande manguezal, aos poucos foram surgindo residências, até que em um determinado momento as casas ocuparam todo o cenário do antigo mangue. Foi assim que surgiu o Novo Botafogo, criado a partir de um loteamento que acabou se transformando numa comunidade sem nenhum tipo de infraestrutura.

Lembrando que o acesso à educação, saúde, alimentação, ao trabalho, à moradia, ao lazer, segurança, saneamento básico, entre outros, é um direito assegurado pela Constituição Federal de 1988. Além disso, esses itens são fundamentais para promoção de uma melhor qualidade de vida para a população. 

Água é prioridade

Um item fundamental para a vida na Terra, a água, é uma raridade na comunidade. De acordo com uma moradora da Rua Beira Rio, que pede para não ser identificada, o problema passou a ser rotineiro depois que a Nova Cedae realizou algumas obras de ampliação da rede na região.


Vazamento reportado há cerca de três meses não foi consertado


"Antes a gente não tinha esse problema aqui. Agora virou comum. A gente deixa a bomba ligada para puxar água e acaba que no final do mês a nossa conta de luz vem muito alta por conta disso", conta ela, destacando que, enquanto as torneiras estão secas, os vazamentos ainda fazem parte da realidade no Novo Botafogo. "Toda hora você encontra a água sendo desperdiçada. É lamentável", completa.

Para Jeferson, resolver o problema dos vazamentos é hoje a prioridade principal na comunidade. O ponto mais crítico fica na Rua Antônio Bechara Filho, próximo a primeira ponte de madeira, onde a equipe de O DEBATE esteve há cerca de três meses.

"Não é de hoje que a gente vem cobrando isso da companhia e nada. O jornal veio, mostrou o problema, a Cedae disse que iria mandar equipe e até hoje não resolveram. Apenas de alguns pontos do bairro. Além da falta d'água, isso está gerando muitos problemas para os moradores", conta ele.

Cansados de esperar, os moradores já pensam até em "resolver o problema". "Já fizemos algumas coisas para evitar o alagamento, mas o certo seria a Cedae vir e consertar, afinal o problema é de responsabilidade dela. É revoltante ver esse desperdício enquanto a gente está sem uma gota na torneira. Fora os transtornos para passar, porque o vazamento está no meio da pista, impedindo o acesso das pessoas", ressalta.

Segundo a Cedae, uma equipe esteve no local na tarde de quarta-feira (11), onde identificou a existência de uma ligação clandestina. Ela ressaltou, em nota, que está informando a empresa responsável por desfazer a irregularidade para realizar o serviço.
Crianças sofrem com falta de opções de lazer

O lazer é um item fundamental para a saúde, pois controla os níveis de ansiedade e contribui com outros fatores psicológicos e também físicos. No caso de crianças e jovens, isso é fundamental para o seu desenvolvimento.

Em uma área de vulnerabilidade social, manter as crianças ocupadas com atividades é essencial para que elas não sejam atraídas para a criminalidade. No Novo Botafogo, as únicas opções para as crianças e jovens é uma quadra, situada próxima ao Senai, e um campo de areia improvisado pela população na Rua do Canal.

Como a quadra fica distante das casas, os moradores ressaltam que o desejo da maioria seria que esse campo improvisado fosse transformado em uma praça, com quadra, parquinho e bancos. 

Recurso hídrico comprometido 
Situado às margens de um dos braços do Rio Macaé, o Novo Botafogo sofre com a falta de saneamento. Boa parte dos dejetos é despejada no córrego, sem nenhum tipo de tratamento. 

Falta de conscientização resulta em danos ambientais


O que antes era um rio com águas limpas, hoje virou um depósito de tudo que é detrito. Além do esgoto, o local também sofre com o despejo de resíduos tóxicos, como óleo diesel. 

Não bastasse isso, também existe o problema do descarte irregular. A nossa equipe encontrou uma grande quantidade de lixo nas margens e dentro do rio, situação que representa riscos para a saúde, danos ao meio ambiente e riscos de alagamentos.

Animais criados às margens do rio 

A exclusão social faz parte do cotidiano das famílias que vivem aglomeradas às margens do rio. Além de todos os dejetos que são despejados a cada segundo no braço do Rio Macaé, as margens, que deveriam ser compostas por mata ciliar, são utilizadas como depósito de lixo e criadouro de animais como porcos, galinhas e patos. 

Porcos são criados nas margens de recurso hídrico


Em um dos trechos, a nossa equipe encontrou vários animais dividindo espaço com entulhos e restos de móveis. Devido a sujeira, parte do recurso hídrico está ficando assoreado. Quando questionados sobre a situação, os moradores preferem não comentar sobre o caso. 

Tal situação só tem contribuído cada vez mais com o aumento da concentração de insetos, ratos, levando doenças a todos da comunidade. "Esses chiqueiros têm causado mau cheiro e a proliferação de moscas. Já não sabemos mais o que fazer. Os moradores do entorno reclamam muito", frisa o presidente do bairro. 

Energia não é para todos 

Uma das poucas coisas regularizadas no Novo Botafogo é a energia. Apesar de a maioria das casas já estarem regularizadas, algumas delas lutam para conseguir ficar em dia com a distribuidora. É o caso de quem vive na Rua Bráulio Gomes de Assis, mais conhecida como Rua Beira Rio.


Mesmo sem iluminação, taxa é cobrada todo mês


"Não temos luz. Compramos tudo para que pudessem regularizar e falaram que não podem porque aqui é uma área que passa por baixo de uma rede de alta tensão. Só que essa justificativa não tem fundamento, porque há localidades na Malvinas, por exemplo, que estão na mesma situação que a gente e lá foi regularizado. Hoje a minha casa está ligada em um relógio compatilhado com mais três casas, ou seja, acaba vindo uma conta muito alta por um consumo que não tive", diz uma moradora, que não quis se identificar. 

Ela relata ainda que a sensação de insegurança é grande devido a falta de iluminação pública. "Já tem os postes, falta colocar a luz. A gente fica com medo de entrar e sair de casa à noite devido a escuridão. Só não é pior porque um morador colocou um refletor no final da rua para amenizar o problema. O que revolta a gente é que pagamos por esse serviço", diz ela relatando que todo mês é feita a cobrança de taxa de iluminação. 

Procurada, a Enel Distribuição Rio informou que, por se tratar de uma área que não é regularizada pela prefeitura, a distribuidora não tem autorização para expandir a rede elétrica no local.

Autor: Marianna Fontes marifontes@odebateon.com.br

Foto: Kaná Manhães


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Tags: bairros em debate


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