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Loteamento segue esquecido pelo poder público

Localizado na área rural da cidade, Vale Verde acumula inúmeros problemas de mais de uma década

Em 09/01/2017 às 11h49


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Loteamento não recebe visita das autoridades há, pelo menos, um ano Loteamento não recebe visita das autoridades há, pelo menos, um ano
Mais de uma década. Esse é o tempo que os moradores do loteamento Vale Verde, na área norte da cidade, esperam pelas melhorias em infraestrutura. Nem mesmo o governo da mudança, que inicia em 2017 a sua segunda gestão, conseguiu mudar essa realidade nos últimos quatro anos.

O completo estado de abandono mostra que o poder público tão pouco tem passado por ali. "O Vale Verde continua na mesma, nada mudou. Pelo contrário, só tem piorado. Abandono total da prefeitura. Nem mesmo durante a eleição apareceu alguém aqui. Parece que para eles isso aqui não existe", lamenta o morador Caetano Fernandes. 

Enquanto isso, a população relata que todos os anos chegam as contas para pagar. O problema é que os impostos cobrados nunca foram revertidos em melhorias. A pergunta de quem vive ali é unânime: para onde está indo esse dinheiro? 
"Já informaram que o IPTU está disponível para a gente buscar. Agora me questiono por que pago R$ 170 se nenhum centavo vem para cá", diz o morador.

Diante disso, essa semana a equipe de Bairros em Debate voltou ao local para conversar com a população, que diz estar cansada de conviver com problemas de infraestrutura. 

Esse bairro fica situado em uma área rural, entre o loteamento Itaparica e o condomínio Brisa do Vale. Ele foi criado há mais de 10 anos e, atualmente, já conta com uma média de 100 residências.

No topo das reclamações está a falta de abastecimento de água, uma das prioridades no loteamento. Segundo os moradores, o item essencial para a vida de qualquer ser vivo precisa ser retirado de poços artesianos. 
Eles também listam a falta de pavimentação das ruas e áreas de lazer como itens necessários. 

"É aquele sentimento de abandono. A gente paga os impostos em dia e não vemos nenhum tipo de retorno. Vivemos literalmente no meio do nada. As cobranças chegam, o que não chega é a infraestrutura. O nosso loteamento é todo regularizado e a prefeitura não está nem aí", relata Caetano. 

Ruas não são pavimentadas

Uma das reclamações de quem vive ali é em relação à acessibilidade, tudo isso devido ao fato do bairro não ter suas ruas pavimentadas. 

Acessibilidade fica comprometida por falta de pavimentação e manutenção das ruas


Para piorar ainda mais, buracos também tomam conta das ruas. Em algumas delas, crateras chegam a se formar. "Vai chegar o momento que não vamos conseguir mais entrar e sair de casa devido às condições das vias. Nem mesmo máquina eles passam para amenizar o nosso sofrimento", desabafa uma moradora, que pediu para não ser identificada.



Quando chove, os moradores contam que precisam enfrentar a lama. Já quando faz sol, a poeira invade as casas e gera problemas respiratórios para a população.

"Está piorando cada vez mais. Dependendo da situação os carros nem passam. O bairro está um lixo", conta Caetano.

Área de lazer fica na promessa

Quando se trata de diversão, para as crianças e jovens do Vale Verde a única opção é a rua, tudo isso porque o bairro não conta com praças e quadras para os menores aproveitarem suas horas livres. De acordo com a população, as atividades preferidas deles é a pipa e jogar bola na rua.

Área de lazer segue servindo apenas como terreno baldio 


Os moradores contam que existe uma área, entre as ruas K e L, que é da prefeitura e deveria ser destinada para construção da praça, mas isso nunca saiu do papel. Sem um lugar adequado, as crianças ficam na rua ou precisam se deslocar para bairros vizinhos.

"Chegaram a limpar há alguns tempo atrás parte do terreno porque disseram que iam construir um campo de futebol. Estamos esperando até hoje por isso. Aqui no bairro até a área da prefeitura está largada", diz Caetano. 

Limpeza entre as prioridades

Se a situação da limpeza pública está ruim em áreas nobres, no Vale Verde ela nem existe. O morador Caetano conta que há mais de um ano não é feita a capina no bairro. Varrição também é outra coisa que não existe ali. 

Serviços básicos, como a limpeza, não são realizados no Vale Verde 


No caso de terrenos particulares, os moradores sugerem que eles sejam cercados para evitar o descarte irregular e que recebam manutenção dos proprietários. Para isso, eles contam com a prefeitura, que tem obrigação de fiscalizar. 

Se não há limpeza, o ambiente se torna favorável para o surgimento de zoonoses. "Tem dado muito rato, cobra, barata e mosquito aqui", diz o morador. 
Animais soltos continuam trazendo problemas

Apesar de ser uma área rural, no loteamento Vale Verde cavalos e bois têm tirado os moradores do sério há um bom tempo. Esse problema já foi denunciado há mais de dois anos, no entanto, até hoje nenhuma providência foi tomada.
Quem vive ali relata que os proprietários dos sítios e fazendas do entorno soltam os animais nos terrenos. A falta de responsabilidade coloca em risco a vida dos bichos e também da população.

Além de ser um ato criminoso e cruel, a presença desses animais nas vias aumenta o risco de acidentes, sobretudo de atropelamentos, o que pode causar danos aos veículos e aos condutores. 

"Por conta da chuva, os terrenos se tornaram pastos para esses animais. Com eles vieram os carrapatos, que podem trazer doenças para as pessoas e nossos animais domésticos. Os donos desses bichos não estão nem aí e não respeitam os moradores do bairro", denuncia Caetano.

Apesar de ser crime, muitas vezes a situação fica impune, já que nessas situações é difícil encontrar os donos dos animais. Em uma rua com fluxo intenso, uma freada brusca pode causar colisões entre veículos, trazendo muitos prejuízos e até a morte dos passageiros. 

Casos de maus-tratos ao animal é considerado um crime, previsto no Art. 32º da Lei 9.605/98. A pena para esses casos é de três meses a 1 ano, além de multa, podendo ser aumentada de um sexto a um terço, se ocorrer a morte do animal.  
Vale ressaltar que o proprietário desses animais pode responder criminalmente, de acordo com o Art. 31 do Decreto-Lei nº 3.688/41 (Lei das Contravenções Penais).

Diz o texto legal que "deixar em liberdade, confiar à guarda de pessoa inexperiente, ou não guardar com a devida cautela animal perigoso" pode causar ao infrator pena de prisão simples, de dez dias a dois meses, ou multa. O parágrafo único ressalta que a pena também é aplicada a quem "na via pública, abandona animal de tiro, carga ou corrida, ou o confia à pessoa inexperiente". 

Autor: Marianna Fontes marifontes@odebateon.com.br

Foto: Marianna Fontes


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Tags: bairros em debate


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