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Mudanças prometidas não chegam ao Aterrado do Imburo

Somente nesse ano, a equipe do jornal esteve quatro vezes na localidade retratando a realidade dos moradores

Em 02/01/2017 às 11h14


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Moradores dizem que as autoridades só aparecem em época de eleição, quando promessas são feitas e nunca cumpridas Moradores dizem que as autoridades só aparecem em época de eleição, quando promessas são feitas e nunca cumpridas
Em apenas um ano, essa é a quarta vez que a equipe de Bairros em Debate visita o Aterrado do Imburo, na área rural da cidade. O motivo é claro: a falta de atenção do poder público com os cerca de 1.500 habitantes que vivem no local. Mesmo com a população apontando inúmeras vezes as necessidades, a prefeitura pouco tem feito para mudar a realidade ali. 

"O nosso bairro está muito abandonado. Há anos a gente vem cobrando as melhorias e, nesse tempo, pouca coisa foi feita", lamenta o presidente da Associação de Moradores, Carlos José de Araújo Toledo. 
Na lista de reclamações estão a precariedade no abastecimento de água, falta de manutenção na estrada principal e na área de lazer e a segurança pública. 

O bairro foi criado há pouco mais de 20 anos. Por estar situado a poucos minutos da Linha Azul, essa região vem crescendo ao longo desse tempo. "Precisamos de infraestrutura. Não é porque estamos distantes do Centro que não merecemos atenção. Pagamos impostos como qualquer outro cidadão", desabafa uma moradora, que não quis se identificar.

Abastecimento de água precário 

Caixas d'água comunitárias não atendem a demanda



O bairro, que até hoje aguarda a chegada da rede de abastecimento, conta com caixas comunitárias que são abastecidas semanalmente pela prefeitura. Do total, apenas 10 delas estão em funcionamento, o que não supre a demanda. 

"Elas são abastecidas duas vezes na semana com um caminhão-pipa de 15 mil litros. Isso dá menos de dois mil litros por cada uma, que tem capacidade de 5 mil litros cada. É muito pouco", diz Carlos. "O ideal seria, no mínimo, 45 mil litros para amenizar o nosso sofrimento aqui", completa. 

Se levar em consideração que a Organização das Nações Unidas (ONU) diz que 110 litros é a quantidade suficiente para atender a necessidade básica de uma pessoa por dia, no Aterrado do Imburo seriam necessários 165 mil litros para suprir a demanda de uma média de 1.500 moradores. Ou seja, os 30 mil litros, divididos pela população em sete dias, resultaria numa média de 2,85 litros por habitante, número que corresponde a 2,59% da meta estabelecida. 

Sem rede de esgoto

Se a água não chegou, o saneamento muito menos. Assim como muitos bairros em Macaé, que não contam com rede de coleta, o esgoto é despejado em fossas. Com isso, os moradores ficam dependentes de caminhões-suga, que muitas vezes demoram para atender a demanda que é grande no local.

"A gente vai lá na prefeitura fazer a solicitação e eles mandam aguardar, alegam que não têm caminhão suficiente para atender todo mundo. Uma vez deram a desculpa que o tempo estava ruim e precisava esperar firmar. São justificativas sem cabimento. Enquanto isso, os dejetos acabam acumulando e transbordando. A nossa preocupação é que isso pode contaminar o lençol freático, onde muitos puxam água, já que não temos abastecimento. É algo que pode prejudicar a nossa saúde e o poder público não está nem aí para isso", alerta o presidente.

Praça precisa de manutenção
Desde o último Bairros em Debate, a lista de reclamações tem um item: a manutenção da praça. Ela é hoje a única opção de lazer para os moradores, principalmente as crianças. E são elas que estão correndo o maior risco na hora da diversão. 


Única área de lazer continua abandonada 


O presidente fala que é preciso concluir as obras da estrutura onde ficam os banheiros e as salas, onde, até então, funcionava o projeto Educa Mais. "Está tudo abandonado há mais de um ano.  Estamos sem saber quando as obras vão ser retomadas e se serão. Enquanto nada é definido, as crianças estão correndo risco de sofrerem algum acidente", explica. 

Do outro lado da rua, um campinho de terra também é outra promessa do governo. "Falaram que havia um projeto para cá, mas nunca mais tocaram no assunto", relata.

Manutenção nas vias 

Má conservação das vias evidencia a falta de manutenção e perigo de acidentes


"A via principal do bairro está precisando de manutenção", dizem os moradores. Segundo o presidente da associação, a situação ali só tem piorado. "Vocês podem perceber que os buracos só aumentaram. Tem trechos que nem dá para acreditar, mas eles são asfaltados. Antes eles ainda faziam o serviço de tapa-buraco, mas hoje nem isso tem sido feito. Já é uma estrada perigosa, agora com o asfalto nessas condições a tendência é que o índice de acidentes só aumente", alerta Carlos.
Mas se está ruim onde o asfalto existe, onde não há pavimentação é ainda pior. "No local onde fica o ponto final do ônibus forma uma bacia de lama quando chove", conta.

É ali que fica situada uma ponte de madeira, onde há cerca de um ano morreu um homem após cair dela. "Não temos estrada, não temos nada aqui. A ponte está do mesmo jeito de antes, colocando em risco a nossa segurança. Graças a Deus não houve mais acidentes ali desde aquela fatalidade, mas queremos preservar as vidas que podem ser perdidas por conta disso", relata Carlos. 


Os investimentos feitos nessa área não representam apenas melhorias na questão da acessibilidade no bairro, mas também redução nos riscos à saúde pública, promovendo, consequentemente, a melhoria na qualidade de vida dos moradores. 

Além disso, a manutenção das vias está prevista dentro do Código Brasileiro de Trânsito (CBT), que garante que é dever das autoridades promover um trânsito seguro e de qualidade. De acordo com o Art. 1º "O trânsito, em condições seguras, é um direito de todos e dever dos órgãos e entidades componentes do Sistema Nacional de Trânsito, a estes cabendo, no âmbito das respectivas competências, adotar as medidas destinadas a assegurar esse direito".

Serviço de dentista 

O posto de saúde do bairro é uma das poucas coisas que os moradores dizem funcionar bem, no entanto, desde março de 2015 a especialidade de dentista foi suspensa. "Desde o ano passado estamos cobrando isso, mas a prefeitura não se mobiliza. Está fazendo falta para a nossa comunidade um serviço desse tipo. Hoje precisamos ir para outros bairros, quando poderiam resolver o problema colocando o profissional aqui, pelo menos alguns dias da semana", diz Carlos.

Autor: Marianna Fontes marifontes@odebateon.com

Foto: Marianna Fontes


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Tags: bairros em debate


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