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Situação na Granja dos Cavaleiros piora com o atraso de obras

Enquanto a prefeitura se recusa a prestar esclarecimentos, moradores listam problemas de infraestrutura

Em 26/12/2016 às 11h05


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Atraso nas obras tem gerado problemas, entre eles, o de acessibilidade na parte alta do bairro


Localizado em um ponto privilegiado, a poucos minutos do Polo Offshore, do Shopping e das praias mais populares de Macaé, a Granja dos Cavaleiros sofreu um forte crescimento nos últimos anos. A cada dia que passa a valorização dessa área tem feito com que a especulação imobiliária aumente cada vez mais nessa região, que possui um dos IPTUs mais caros do município.

Mas apesar do alto valor pago em impostos todos os anos, os moradores dizem que o bairro precisa melhorar muito para poder ser titulado como uma "área nobre". Uma das maiores revoltas da população hoje é em relação às obras de urbanização do Consórcio Vale Encantado, que estão paradas há mais de dois anos. 

Orçadas em mais de R$ 54 milhões, as obras de urbanização foram paradas, segundo a prefeitura, por conta de questões burocráticas envolvendo o consórcio responsável. Ela também enfatizou que seria feito um novo processo licitatório para a troca da empresa. 

O prazo dado para que isso fosse feito e as obras retomadas era de 45 dias, ou seja, expirou em maio. Mais uma promessa que não foi cumprida, o que tem gerado revolta nos moradores, que continuam à espera de respostas do poder público, que tem evitado se pronunciar sobre o caso. 

"A Granja está de mal a pior. Nem se a prefeitura quiser, consegue piorar mais. Esperamos que em 2017 a gente tenha dias melhores, porque 2016 foi péssimo para o nosso bairro. As obras de urbanização estão paradas e nem mesmo as medidas emergenciais prometidas pelo poder público estão sendo cumpridas. Os moradores estão indignados com tanto descaso", desabafa o presidente da AMOGRANJA, Dirant Ferraz. 

Vale ressaltar que o jornal já tentou entrar em contato com a prefeitura inúmeras vezes esse ano para saber sobre o caso mas, até o momento, ela tem evitado se pronunciar. "O pior é que as ruas na parte alta, que não são pavimentadas, estão intransitáveis. É tanto buraco que em alguns pontos os veículos menores nem passam mais, principalmente quando chove. A gente está com receio de que, em breve, até os ônibus não vão conseguir circular mais, prejudicando a maioria da população que depende do transporte público", alerta Dirant. 

Moradores pedem apoio à mobilidade 

Um dos principais pedidos é em relação à mobilidade do bairro. Com fluxo intenso de veículos, entre eles, carretas, os moradores solicitam redutores de velocidade, semáforo e reforço na sinalização.

Pendências continuam resultando em acidentes no trânsito 


De todas as vias do bairro, a Alameda Tenente Célio, que liga o Polo Offshore à Rodovia Amaral Peixoto (RJ-106), é a que mais precisa de atenção. Dirant diz que é preciso instalar as placas de sinalização indicando nos trechos onde há cruzamento.
Um dos mais perigosos fica na esquina com a Rua Manoel Francisco Nunes, onde há alto índice de acidentes. "Tenho promessas da secretaria de Mobilidade Urbana que foram cumpridas apenas pela metade.

Apenas alguns cruzamentos receberam a sinalização. Na época, falaram que iriam colocar as outras placas depois porque estavam em falta. Mas nem mesmo as faixas foram pintadas no chão. O resultado disso tudo é o que sempre evidenciamos: o alto índice de acidentes. Todo dia tem batida aqui", diz o presidente.


Além dos condutores, quem encontra dificuldades são os pedestres, que não contam com locais adequados para travessia. Uma estudante de uma universidade do bairro relata que o fluxo de pessoas é intenso, assim como o de veículos. "Dependendo do horário você fica um tempão para conseguir atravessar. Tem que contar com a boa vontade de alguns motoristas, que dão passagem. É realmente perigoso", diz Ana Clara.

Outro pedido é a instalação de uma placa indicando a entrada do São Marcos, na Alameda Tenente Célio. "Muita gente sobe direto e chega aqui no comércio perguntando como faz para chegar no bairro. Isso poderia ser evitado se tivesse sinalização, esta que protocolei o pedido há dois anos na prefeitura e até hoje nada", explica o presidente.

Instalação de cobertura em ponto

Esperar o transporte público pode ser algo bastante exaustivo. A situação piora ainda mais quando o local não oferece o mínimo de conforto para o passageiro. Isso é o que acontece em quase todos os pontos da Granja dos Cavaleiros. Um dos piores, segundo o levantamento feito pela AMOGRANJA, é o situado no início da Alameda Tenente Célio.


Passageiros esperam o ônibus debaixo de sol e chuva


"Todo dia pego o ônibus aqui e é sempre debaixo de sol ou chuva porque não tem abrigo. Dependendo da hora fica insuportável ficar aqui. A gente chega a passar mal. Fora que não tem um local para sentar. É uma situação muito horrível", relata Celione. 

Dirant explica que existia a promessa de ser instalado um abrigo ali. "A equipe da Mobilidade já esteve aqui e fez a vistoria. Inclusive, o dono do terreno concordou em abrir um recuo para o ônibus poder parar. Só que na época houve uma história de que a via seria sentido único, por isso não seria feito no momento. Só que nada foi resolvido e as pessoas continuam passando por esse tipo de situação", conta.

Limpeza urbana precisa de cooperação 

Quando se trata da limpeza do bairro, Dirant diz que tem prós e contras. Em relação à coleta, o serviço vem sendo bem executado, no entanto, alguns moradores ainda continuam descartando o lixo fora dos dias e horários que o caminhão da prefeitura passa. 


Limpeza lidera a lista de reclamações 


Além disso, Dirant também ressalta que a prefeitura precisa melhorar no serviço de 'Cata-Bagulho'. "A gente tenta ligar para agendar e ninguém atende. Na última reportagem feita há alguns meses eles vieram, limparam pela metade e apenas o local da foto publicada no jornal. Precisamos de um mutirão e que o serviço funcione", diz ele, enfatizando que a população também precisa cooperar. "Os moradores também precisam ter mais consciência antes de jogar o entulho em qualquer lugar, porque isso acaba prejudicando a eles próprios. Só que tem muita gente reclamando que não consegue fazer todo procedimento correto porque a prefeitura tem um sistema que apresenta falhas", relata.

Outro pedido é para limpeza e manutenção das galerias pluviais, principalmente na Alameda do Bosque. "Os ralos estão entupidos. Se der uma chuva forte vai alagar alguns pontos do bairro. Já pedimos a limpeza, mas até agora nada", conta.
Pontos positivos

Em meio a tantas reclamações, o presidente diz que algumas coisas melhoraram. Uma delas é a segurança pública. Segundo ele, a ação integrada entre a Polícia Militar e a secretaria de Ordem Pública ajudou a reduzir o índice de violência no bairro.

"Essas ações estão coibindo os assaltantes, principalmente nos pontos de ônibus, onde estavam ocorrendo muitos roubos, inclusive em plena luz do dia. Quero agradecer à PM e ao GAOP pela força. Esperamos que o trabalho seja mantido a fim de garantir a segurança da população", enfatizou Dirant. 

Autor: Marianna Fontes marifontes@odebateon.com.br

Foto: Kaná Manhães


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Tags: bairros em debate


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