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Infraestrutura precária é alvo de reclamações

Moradores da Virgem Santa cobram do poder público melhorias na acessibilidade, lazer e limpeza

Em 05/12/2016 às 11h32


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Moradores dizem que o bairro está esquecido pelos órgãos públicos Moradores dizem que o bairro está esquecido pelos órgãos públicos
Considerado um dos bairros mais antigos de Macaé, com quase 60 anos de existência, a Virgem Santa é uma área que vem sofrendo forte expansão nos últimos anos. Apesar de estar situada na cidade, ela é considerada uma área rural, muito procurada por aqueles que desejam viver em meio ao verde e a poucos minutos do trabalho. 

Mas apesar disso, o bairro, assim como outras localidades na Capital do Petróleo, cresceu sem infraestrutura. Diante disso, essa semana a equipe de reportagem do Bairros em Debate volta mais uma vez ao local para mostrar os problemas enfrentados pela população, que sofre com alagamentos, falta de transporte público eficiente, áreas de lazer, creches e saneamento básico. 

A última visita foi feita há um ano, porém, desde então, nada mudou. Em meio a sítios e fazendas, a Virgem Santa viu um grande empreendimento habitacional surgir. Junto dele vieram mais de mil famílias. No entanto, quando se trata de melhorias, o processo caminha em passos lentos. Devido a facilidade de acesso às principais áreas da cidade, por estar ligada às Linhas Verde, Azul e a poucos minutos da BR-101, essa região tem atraído cada vez mais pessoas.
Pavimentação inacabada gera transtornos

Manutenção de ruas é uma das reivindicações


Apesar de ter recebido obras de pavimentação em um trecho da Estrada da Virgem Santa, as ações não foram concluídas no final de 2012, como estava previsto. Essa situação tem gerado bastante insatisfação de quem mora ou passa por ali todos os dias. 

Mas não é só na via principal que os problemas ocorrem. Nas vias internas a situação chega a ser ainda mais crítica. Muitas ruas não contam com pavimentação. Já outras não recebem manutenção há tanto tempo que chegam a estar com o asfalto se deteriorando. 

"Hoje a acessibilidade é uma das prioridades no bairro. Os moradores sofrem para entrar e sair de casa. Estamos abandonados pelo poder público. A Virgem Santa só serve para fazer promessas durante a campanha eleitoral e depois volta a ser a mesma coisa", desabafa o morador Rafael, que se mudou para o local há um ano.

Segundo os moradores, um dos trechos mais críticos fica situado próximo a entrada para a Fazendinha Interativa. Nesse caso, os motoristas precisam fazer vários desvios para não cair em um dos diversos buracos que tomam conta do asfalto.



Próximo dali, a mesma situação ocorre no loteamento Alto da Boa Vista. Em setembro, a nossa equipe esteve no local conversando com alguns moradores.

"Essa parte da cidade está esquecida pelo poder público. Pagamos impostos, mas melhoria que é bom, nada. A falta de manutenção das vias é hoje um dos maiores problemas que enfrentamos. Você desvia de um buraco e cai em outro. Como está situado na parte alta há trechos onde é impossível passar com o carro. Enquanto isso, a prefeitura está recapeando onde o pavimento está bom.

Não tem lógica", disse um morador na época. "O risco de alguém cair aqui é muito grande. Quem passa de carro tem chance de ter um prejuízo com o veículo, mas o perigo maior mesmo é para os motociclistas, que podem cair e se machucar seriamente. Se de dia está ruim, à noite é ainda pior por conta da má iluminação", completou.

Construção de UBS ainda é dúvida
Desde o ano passado, o jornal vem cobrando explicações do poder público em relação à construção de uma Unidade Básica de Saúde (UBS) - "Tipo um" no bairro. Os moradores questionam tanto o governo municipal, quanto o federal, sobre o destino dado aos cerca de R$ 800 mil que deveriam ser investidos na obra, que até hoje não saiu do papel.

Durante a última visita ao local, em julho, o terreno público da prefeitura situado na parte alta da Rua Leôncio Rodrigues estava cercado com tapumes. A placa com informações da obra estava jogada no meio do mato em frente, que seria recolhida algumas semanas depois.

Agora, quase cinco meses depois, no local não resta mais nada do que um dia indicaria a possível construção da unidade de saúde. Além disso, o terreno passou por terraplanagem, o que deixou os moradores sem uma resposta. 

"Não sabemos se fizeram isso para começar a obra ou para outros fins. A única certeza é de que essa UBS faz falta para gente. O posto de saúde do bairro, apesar do atendimento ser bom, está funcionando em um lugar sucateado. Fora que essa nova unidade iria facilitar o acesso para quem mora nas partes mais isoladas", diz uma moradora que pede para não ser identificada.

A placa informava que o investimento, oriundo de recursos federais, seria de R$ 870.320,45. A data prevista para início era 8 de novembro de 2015, com previsão de término em 7 de abril desse ano. 

Segundo o Ministério da Saúde, o objetivo da UBS é atender até 80% dos problemas de saúde da população, que muitas vezes são resolvidos nos hospitais, causando, consequentemente, o aumento na demanda e a demora nos atendimentos. Além de descentralizar os atendimentos de menos urgência nos hospitais, elas facilitam o acesso das pessoas, que não precisam se deslocar para locais mais distantes. E faz parte da atenção primária junto às Equipes de Saúde da Família. 

Área de lazer precisa de reforma 

A atual situação da área de lazer do bairro está precária. Na praça do bairro é possível visualizar o total abandono em que ela se encontra, necessitando de obras de reformas. 

Situação na praça pirou em um ano desde a última visita


Se há um ano estava ruim, agora está pior ainda. "Não limpam o mato, que tomou conta da praça por completo. O parquinho, que estava quebrado, ao invés de ser consertado ou trocado, foi retirado, tirando das crianças a única opção de lazer. Não dá nem vontade de trazer nossos filhos aqui", diz um morador. 

A quadra poliesportiva também está em situação crítica. O alambrado está arrebentado e enferrujado. As traves e as tabelas de basquete, que estavam se deteriorando por conta da ação do tempo e do vandalismo, foram retiradas junto ao parquinho. 

Limpeza dos canais

Não é de hoje que os moradores cobram a limpeza periódica do canal que corta o bairro. Apenas o trecho situado próximo a Linha Azul recebe cuidados de vez em quando. Já a parte dos fundos está tomada pelas gigogas, plantas aquáticas que favorecem o surgimento de mosquitos na região. 

Gigogas apontam falta de limpeza do córrego 


Se a situação é ruim para quem mora a alguns metros do recurso hídrico, para aqueles que vivem nas margens é ainda pior. "Dependendo da época fica insuportável. É preciso fazer a manutenção sempre", diz uma moradora.

Autor: Marianna Fontes marifontes@odebateon.com.br

Foto: Marianna Fontes


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Tags: bairros em debate


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