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Alto dos Cajueiros aguarda melhorias em infraestrutura

Abastecimento de água, falta de área de lazer e manutenção de ruas estão entre as reclamações dos moradores

Em 28/11/2016 às 15h26


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Flagrantes feitos pelo jornal mostram que os buracos aumentaram entre julho e novembro 


Um bairro que divide duas realidades e, ao mesmo tempo, têm problemas em comum. Esse é o Alto dos Cajueiros, na Região Central, que, assim como as demais localidades em Macaé, carece de diversos serviços de infraestrutura. 

Essa semana, a equipe de Bairros em Debate esteve no local conversando com os moradores, que apontaram os principais problemas. Entre as pendências estão a deficiência no abastecimento de água, a falta de manutenção nas vias e a sujeira em terrenos baldios. 

Segundo histórias relatadas pelos habitantes mais antigos, no século passado o local era caminho de carvoeiros, o que motivou a escolha do nome "Morro do Carvão". A localidade servia como passagem para esses profissionais e para o trem da extinta Leopoldina que, anos mais tarde, passaria a se chamar RFFSA.

O bairro foi crescendo, assim como a diferença social. Basta caminhar um pouco pelas ruas para ter a sensação de estar em dois bairros diferentes. Por um lado casas de médio e alto padrão, e de outro, construções humildes. Mas se tem uma coisa certa ali é que o poder público tem deixado de fazer o seu papel. 

Ele fica situado em um local estratégico, pois está exatamente entre a Região Central da cidade e a Praia dos Cavaleiros. Em poucos minutos de caminhada é possível chegar ao centro comercial de Macaé ou às praias.

Falta d'água é motivo de reclamação

Enquanto as torneiras estão secas, água é desperdiçada em vazamento 


Apesar do bairro ser abastecido com a rede da Nova Cedae, os moradores relatam que a falta d'água é comum. "Isso acontece toda hora. Às vezes, a gente fica mais de cinco dias sem cair água. É sempre esse transtorno", relata uma moradora, que pede para não ser identificada. 

Enquanto isso, vazamentos têm deixado a população indignada. É o caso da Rua Antônio Coutinho, que foi pauta de uma reportagem essa semana no jornal. "Enquanto a gente está com a torneira seca, a água jorra do lado de fora, bem no meio da rua. Isso já está acontecendo há mais de um mês, e ninguém toma uma providência. Olha o tamanho do desperdício que tem sido nesse tempo", lamenta a moradora.
Como consequência: asfalto danificado

Além do desperdício, os constantes vazamentos de água resultaram em outro transtorno: buracos no asfalto. Durante a reportagem dessa semana, o jornal O DEBATE mostrou a situação da Rua Antônio Coutinho, considerada uma das principais do Alto dos Cajueiros, que está tomada pelas crateras. 

Asfalto abriu por conta dos vazamentos de água


"Está realmente crítica a situação aqui. Tivemos um vazamento de água, que foi resolvido e, logo em seguida, feito o asfalto. Só que, não sei por qual motivo, voltou a acontecer o problema. O resultado disso foi que estourou todo o pavimento de novo. Na parte mais alta, o chão afundou todo. Podemos ver que o serviço foi mal executado. Há cerca de um mês vieram aqui e falaram que no dia seguinte iriam recapear, só que já passou mais de um mês, e nada. Canso de ligar para a prefeitura, e para os demais órgãos competentes, e ninguém aparece", diz uma moradora, que pede para não ser identificada. 

A moradora diz ainda que, quando chove, a situação é ainda pior. "Como não fizeram a sarjeta, a calçada ficou no nível da pista. Com isso, a água da chuva invade as casas causando muitos transtornos para os moradores", relata ela.

Os buracos também se tornaram uma armadilha para os condutores, que acabam sendo as maiores vítimas do abandono. "Por ser uma descida, muitas vezes o motorista não consegue frear a tempo. Dias atrás, um menino caiu de moto após colidir com um desses buracos. Está realmente perigoso. Fora que a rua é de sentido duplo e bem estreita, o que dificulta os desvios. Os ônibus sofrem para conseguir passar por aqui devido às crateras. É por isso que voltamos a fazer esse apelo para que a prefeitura compareça e tome uma medida o quanto antes", completou a moradora.

Sem área de lazer

Direito de todos, mas acessível para poucos. Essa é a realidade da população em Macaé quando o assunto é lazer. Apesar de o governo municipal ter realizado a reforma de algumas praças, ao longo dos últimos anos, e ter criado algumas novas, muitos espaços seguem abandonados pelo poder público. 

É o caso do Alto dos Cajueiros que há anos luta pela construção de uma praça no bairro. "As crianças e os jovens aqui não contam com um espaço para brincar ou jogar bola. Muitos ficam pela rua ou dentro de casa. As opções mais próximas ficam na linha do trem ou no Centro, que é longe", relata a moradora.

O lazer é um item fundamental para a saúde, pois controla os níveis de ansiedade e contribui com outros fatores psicológicos e também físicos. No caso de crianças e jovens, isso é fundamental para o seu desenvolvimento. Apesar dos benefícios, no Brasil, mesmo sendo um direito previsto na Constituição Federal de 1988, esse é um item que não está acessível a todos.
Esse direito também está previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que determina que todo menor de idade tem o direito a ter acesso ao lazer. Segundo o Art. 59 "os municípios, com apoio dos estados e da União, estimularão e facilitarão a destinação de recursos e espaços para programações culturais, esportivas e de lazer voltadas para a infância e a juventude". 

Limpeza precisa melhorar

Terrenos são alvos de descarte irregular no bairro 

A cada 10 bairros, pelo menos 9 registram reclamações sobre a limpeza. E no Alto dos Cajueiros não tem sido diferente. Canteiros e meios-fios sem capina evidenciam o abandono da Secretaria municipal de Serviços Públicos, que tem "deixado a desejar", segundo os moradores.

Logo na subida do bairro, no canteiro central da Avenida dos Jesuítas, a grande quantidade de mato chama a atenção de quem passa. Não bastasse isso, ainda há um pequeno lixão se formando no final da rua. "A gente liga para a prefeitura para coletar os entulhos e móveis velhos, mas ela não aparece. A nossa preocupação é que este cenário pode resultar em problemas como a proliferação de zoonoses", alerta a moradora.

Mas não são só os espaços públicos que acabam sendo alvos do desrespeito. Terrenos particulares também viram depósito para tudo que é tipo de material. Um deles fica na Rua Alan Kardec, onde a nossa equipe encontrou pneus abandonados no meio dos entulhos. Vale ressaltar que, além de comprometer o meio ambiente, eles acabam virando criadouros para o Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue, febre chikungunya e zika vírus. 

Já o terreno entre as ruas Teotônio Soares Silva e Antônio Coutinho é utilizado como ponto de descarte há anos. "Os proprietários não cuidam. E, além do matagal, o povo descarta todo tipo de lixo ali. Até mesmo materiais hospitalares despejam no local. A gente que vive perto fica com medo de estar exposto a doenças e à insegurança", diz um morador, que também pede sigilo do nome.

Em Macaé, o descarte irregular é proibido segundo a Lei municipal  nº 3.371/2010. Os infratores podem ser notificados e multados. 

Autor: Marianna Fontes marifontes@odebateon.com.br

Foto: Wanderley Gil


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Tags: bairros em debate


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