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Área nobre carece de serviços básicos

Moradores do Bairro da Glória continuam reclamando da falta de limpeza e de manutenção nas vias

Em 21/11/2016 às 12h59


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Ruas esburacadas após obras de saneamento, realizadas pela Odebrecht, ainda não receberam manutenção devida da prefeitura


Um bairro nobre, situado a poucos metros da Praia dos Cavaleiros e do Polo Offshore, mas ao mesmo tempo abandonado pelo poder público. Assim é o Bairro da Glória, que mesmo recebendo cada vez mais habitantes, não conta com alguns serviços de infraestrutura. 

A última visita do Bairros em Debate ao local foi no final do ano passado. No entanto, os moradores dizem que, desde então, poucos pedidos feitos na época foram atendidos pelo poder público. 

"Todo ano chega o IPTU para pagar, que não é barato, mas a população se questiona onde está indo esse dinheiro arrecadado pela prefeitura? Não vemos melhorias serem feitas aqui. O nosso bairro está completamente abandonado, situação que contrasta com os bairros vizinhos do Cavaleiros e Pecado", diz o morador Luís Paulo. 

Diante disso, essa semana a nossa equipe de reportagem voltou ao local para conversar com os moradores novamente que, mais um vez, reforçam os pedidos de melhorias no bairro. Entre as reivindicações pendentes estão a construção de uma área de lazer na parte alta, a limpeza das ruas e terrenos, a manutenção de vias e o problema da falta d'água.

Limpeza é motivo de reclamação

Um dos setores que mais recebem recursos é o de limpeza. No entanto, tendo em vista o completo estado de abandono, não só do Bairro da Glória, mas como de outras localidades em Macaé, a população começa a questionar o que tem sido feito com o dinheiro público. 


Moradores dizem que bairro não recebe serviço de capina


Segundo a moradora Ana Paula Tavares, há meses não é feito o serviço de capina na parte alta do bairro. "O mato já está tomando conta das calçadas e do meio-fio. Nem se fala dos terrenos, que ninguém fiscaliza. Isso mostra que nem o básico está sendo feito aqui. A única coisa que tem é a varrição e a coleta de lixo. É realmente vergonhosa a situação", diz.
Enquanto investimentos não são feitos no local, a população sofre o reflexo do abandono, entre eles, os ocasionados pelo acúmulo de lixos e entulhos em terrenos baldios, o que tem contribuído para aparição de animais, como ratos, baratas e mosquitos nas casas. 

O terreno da esquina da Rua José Custódio da Silva com a Rua João Batista da Silva Lessa, por exemplo, é uma área pública que foi destinada para a construção de uma praça, mas que nunca saiu do papel. Atualmente ela funciona como estacionamento, inclusive, de caminhões-pipa.  
Não muito distante dali, na Alameda Raimundo Corrêa, uma área particular tem se tornado um pequeno lixão, onde materiais de obras e móveis antigos são descartados sem nenhum tipo de fiscalização, situação que preocupa quem mora no entorno.

"O ideal seria o proprietário cercar a área para evitar isso. O terreno está totalmente abandonado e a sujeira só se acumulando cada vez mais. A gente que mora em frente fica preocupado, ainda mais com esse período chuvoso, que torna um ambiente favorável para o Aedes aegypti", diz a moradora Maria Lúcia.
Reforço na iluminação

Apesar de ser um problema pontual, a falta de iluminação em alguns trechos gera medo, principalmente para quem utiliza o transporte público. Isso tem ocorrido na esquina da Alameda Almirante Raimundo Corrêa com a Rua João Alves Jobim Saldanha. 

"O local onde fica o ponto de ônibus está muito escuro. Aqui o fluxo de pessoas que chegam do trabalho ou da faculdade tarde da noite é grande. A gente vive com medo, porque toda hora tem relato de que alguém foi assaltado. Esse trecho tem o poste, mas falta o braço de luz. Fazemos esse apelo às autoridades responsáveis para que deem esse reforço", diz o estudante Pedro Nunes.

A Ampla, empresa responsável pela distribuição de energia no município, sempre ressalta que "a manutenção do funcionamento da Rede de Iluminação Pública até o ponto de entrega é de responsabilidade das prefeituras municipais. Elas são responsáveis diretamente pela substituição de lâmpadas, luminárias e demais equipamentos e materiais que compõem o ponto de iluminação". 

Ela também frisa que a taxa de iluminação cobrada mensalmente é repassada para a prefeitura, que define o valor que será cobrado. Essa verba deve ser utilizada para investir e manter a iluminação em todo o município, como, por exemplo, troca de lâmpadas queimadas, instalação de novos pontos de iluminação, entre outros. Ela orienta a população para que entre em contato com a prefeitura quando houver algum problema de iluminação na cidade. 

Crianças e jovens sem opção de lazer

Apesar de estar próximo da praia, as crianças e jovens do bairro se sentem carentes quando se trata de opções de lazer dentro do bairro. Na parte baixa, a praça segue abandonada, sem expectativa de melhorias. 

Área de lazer necessita de reforma 


"Essa é uma das maiores praças da cidade. Só não está pior porque o campo de grama sintética é conservado e bastante frequentado. Se não fosse isso, o local estaria completamente abandonado. O parquinho que tinha antes foi desativado para a ampliação da escola, ou seja, não temos mais onde levar os nossos filhos para brincar. Além disso, a quadra precisa de alambrados novos", diz a moradora Bruna Ávila. 

Mas se a situação é ruim na parte baixa, no Alto da Glória é ainda pior. O terreno onde a praça que deveria ser construída hoje é apenas estacionamento para carros e caminhões. "Esse projeto já existe há anos, só falta sair do papel. A prefeitura alega que o terreno é dela, mas não faz nada ali. Precisamos de uma praça aqui", diz uma moradora que pediu para não ser identificada.

Apesar de existir um pedido há anos, na última reportagem a prefeitura informou que ainda não existia nenhuma previsão da implantação de uma praça no bairro. "Quem mora em condomínio ainda tem a sorte de contar com área de lazer privada, mas quem não tem, o jeito é deixar o filho dentro de casa ou buscar uma outra alternativa para as horas livres", lamenta a moradora.

Abastecimento precário 

O problema da falta d'água em Macaé ainda é realidade para muitos cidadãos, mesmo com as inúmeras promessas de que a situação seria resolvida. No Alto da Glória há várias localidades que não contam com o abastecimento da Nova Cedae. "A gente gasta toda semana uma fortuna com caminhões-pipa. Em tempos de crise é um grande impacto para o nosso orçamento. Fora que não sabemos a real procedência dessa água. É um problema de anos e ninguém resolve", diz a moradora Maria de Fátima ressaltando que no verão a situação é ainda pior. "Começa a faltar água na cidade e a procura pelos caminhões aumenta", completa.

Manutenção das vias

Buracos voltaram a ser motivo de reclamação essa semana 


Se por um lado algumas ruas foram contempladas com asfalto novo, por outro, há muitas que nem serviço de manutenção recebem há tempos. Os buracos foram, inclusive, pauta de uma reportagem do jornal O DEBATE essa semana. 
Na Alameda Almirante Raimundo Corrês, parte do paralelepípedo não foi recolocada e, com isso, formou-se pequenas crateras na via. Por diversas vezes o jornal entrou em contato com a Odebrecht Ambiental, que sempre nega a responsabilidade do problema, informando que os trechos não receberam intervenções dela. 

Além de atrapalhar o trânsito e colocar em risco a segurança de motoristas e pedestres, a situação traz vários prejuízos para os proprietários de veículos. "Estava passando pela Rua Josias Ferreira Lima quando bati com a frente do carro em um buraco. Como estava com água parada, não consegui notar a sua presença. Por pouco não tenho um prejuízo maior", disse Silvio Fernandes.

Autor: Marianna Fontes marifontes@odebateon.com.br

Foto: Marianna Fontes


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Tags: bairros em debate


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