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Moradores acompanham deterioração de área de lazer

Revitalização do Parque da Cidade é hoje um dos maiores desejos de quem vive na Praia Campista

Em 24/10/2016 às 12h10


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Abandono afastou as famílias que temem o aumento da violência Abandono afastou as famílias que temem o aumento da violência
A Praia Campista é um bairro que se divide em duas partes: a beneficiada pelas obras de infraestrutura (alta) e a que acumula todos os problemas possíveis (baixa). Por ser cortada pela Rodovia Amaral Peixoto (RJ-106), a sensação que dá é de que são dois lugares diferentes, mas na verdade são a mesma coisa.

Considerado um dos maiores bairros de Macaé, a Praia Campista é conhecida por sua característica residencial e de paisagens urbanas como o Terminal da Petrobras e o Farol Velho. Localizado entre a Ponta de Imbetiba e a Praia dos Cavaleiros, possui cerca de três mil metros de extensão de mar propício ao banho e tem esse nome devido à forte presença dos veranistas oriundos da cidade de Campos.

Mas a Praia Campista está longe de ser somente isto. Assim como todo grande bairro, passa por problemas que vêm desagradando em geral seus moradores. Passa o tempo e as reclamações são sempre as mesmas. 
No topo da lista de reclamações está o abandono do Parque da Cidade, assaltos e terrenos baldios, que acabam virando verdadeiros lixões a céu aberto. 

Área de lazer sem utilidade 

Enquanto muitos bairros não contam com espaços de convivência, a Praia Campista concentra a maior área de lazer do município: o Parque da Cidade. Mas o que deveria ser orgulho para quem vive ali é hoje motivo de preocupação.
Nos últimos anos o jornal O DEBATE tem mostrado a triste realidade desse espaço, que deveria ser referência em Macaé. Sem manutenção e totalmente deixado de lado pelo poder público, problema que vem se estendendo desde a antiga gestão, o Parque da Cidade se deteriora a cada dia que passa. 


Abandono afastou as famílias que temem com o aumento da violência


Essa semana, durante a visita de Bairros em Debate, moradores voltaram a cobrar a revitalização da área, que se tornou mais um "elefante branco" na cidade. Se antes o local era frequentado pelas famílias macaenses, hoje se tornou um ambiente tomado para o consumo de drogas e até práticas sexuais. 

Durante uma ronda pelas dependências, a nossa equipe chegou a flagrar menores, vestindo uniforme escolar da rede municipal de ensino, em atitudes suspeitas no local onde antes funcionava um parque infantil. Uma das meninas chegou a se vestir rapidamente ao notar a presença do carro do jornal.

Segundo os moradores, a cena é mais comum do que se imagina. "É um crime o que fazem com esse lugar. Antes a gente ia com os filhos, tinha um local para aproveitar o final de tarde ou os finais de semana. Hoje as pessoas têm medo de ir. Não tem segurança ou condições de ser frequentado pela população. Você não sabe o que vai encontrar ali dentro. O abandono acabou favorecendo a situação de delinquência que o parque se encontra hoje", diz uma moradora do entorno, que pede para não ser identificada por medo de represália.

Inaugurado em 2005, o Parque da Cidade conta, ao todo, com 75 mil metros quadrados adquiridos pela administração municipal que, na ocasião, foi restruturado para receber a população macaense em busca de diversão e da prática de esportes.

Outros espaços abandonados

Além do Parque da Cidade, o bairro conta com duas áreas de lazer. Uma delas é o campinho de terra situado na Rua José Ciríaco Júnior. "A prefeitura não faz nada ali. Há muitos anos esse espaço está abandonado e sem utilidade. Poderiam revitalizar e reforçar a iluminação pública para que os moradores pudessem jogar bola", diz Washington Jr. 

Obras de escola seguem abandonadas

Ainda se tratando do Parque da Cidade, a escola municipal, que começou a ser construída dentro dele, não será inaugurada nem tão cedo. Em setembro do ano passado, a previsão era de que a conclusão seria no final de 2015. 
Na época, a prefeitura informou também que os serviços estavam sendo executados normalmente, de acordo com o cronograma. 

Moradores questionam a paralisação de obra (Foto  Kaná Manhães))


Hoje, mais de um ano depois, o cenário encontrado é de total abandono e descaso. "Antes estava tudo cercado por tapumes e, mesmo assim, foi invadido por moradores de rua. Vieram e tiraram a proteção e agora está tudo assim, largado. Queremos saber para onde foi o dinheiro destinado para a construção da escola, porque obra que é bom, nada", diz a moradora Giovana. 

Orçada em R$ 8.209.535,32, segundo a placa informativa, a obra era para ser entregue em dezembro de 2014. 
A unidade, de acordo com informações, deveria ser composta por 15 salas de aula, laboratório de informática, sala multifuncional, sala de leitura, auditório, secretaria, direção, quadra e pátio cobertos, estacionamento e demais dependências, com capacidade para atender 720 alunos do 1º ao 5º ano do ensino fundamental. 

Redutores de velocidade

Há três anos, "Bairros em Debate" vem cobrando redutores de velocidade no cruzamento na Rua Professor Gusmão, na altura do Colégio Estadual Municipalizado Coquinho. Apesar de ter ruas tranquilas, alguns motoristas abusam do limite de velocidade, colocando em risco a vida das outras pessoas, principalmente dos estudantes.

Riscos de atropelamento são altos no local 


"O fluxo de crianças do lado de fora é grande nos horários de entrada e saída da escola. Só que, mesmo tendo placa informando isso, muitos circulam por aqui em alta velocidade. Graças a Deus nunca aconteceu nada, mas vão esperar uma tragédia para tomar uma providência?", diz o pai de um aluno que não se identificou. 

Limpeza ainda precisa melhorar

Quando não há fiscalização, não há lei que prevaleça. É isso que acontece quando se trata de descarte irregular em Macaé. E o resultado já é conhecido por todos na cidade: calçadas, terrenos e até áreas públicas transformados em lixões. 

Morador sugere a colocação de caçambas para amenizar o problema


Na Praia Campista também não é diferente. Terrenos baldios acabam sendo locais escolhidos por uma minoria para descartar restos de materiais de obras e até mesmo móveis velhos. Ali o problema também acontece nas calçadas, onde pedestres precisam desviar pelo meio da rua.

"Não tem jeito. Pode vir e limpar que daqui a um ou dois dias fica tudo sujo de novo. Para piorar, a prefeitura também não faz a capina, o que piora ainda mais o aspecto do bairro", diz o morador João Carlos.
O resultado disso é a infestação de zoonoses. "Como não tem latões ou caçambas para as pessoas jogarem o lixo, ele fica jogado nas calçadas e terrenos. Isso tem contribuído com a proliferação de ratos", relata Washington. 

Autor: Marianna Fontes marifontes@odebateon.com.br

Foto: Marianna Fontes


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Tags: bairros em debate


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