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Melhorias não chegam ao Engenho da Praia

Moradores listam a falta de áreas de lazer e creche como algumas das melhorias que precisam ser feitas

Em 10/10/2016 às 15h40


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Moradores esperam que melhorias cheguem ao bairro nos próximos quatro anos Moradores esperam que melhorias cheguem ao bairro nos próximos quatro anos
Quase três anos se passaram desde a última visita do Bairros em Debate ao Engenho da Praia, também conhecido como Parque Lagomar. No entanto, até hoje os moradores continuam lamentando a realidade do local. 

Localizado entre o Lagomar e São José do Barreto, o bairro, que tem mais de cinco mil habitantes, ainda enfrenta várias dificuldades, inclusive a falta de zelo das ruas que estão abandonadas pelo poder público. 

Nas duas últimas semanas, a equipe de reportagem esteve no local e conversou com alguns moradores, que pedem uma maior atenção por parte das autoridades responsáveis. Desde 1989, quando uma grande fazenda foi sendo aos poucos loteada, dando lugar ao bairro Engenho da Praia, as cerca de milhares de famílias residentes no local sofrem com a falta de infraestrutura.

Entre os problemas relatados pela população, muitos deles poderiam ser resolvidos de imediato. Na lista de reivindicações estão a limpeza, o lazer e o saneamento básico. 

Esgoto a céu aberto

Quando se fala de qualidade de vida o saneamento básico é um item indispensável. Apesar de a Estação de Tratamento de Esgoto (ETE), que atende o bairro vizinho do Lagomar, estar situada dentro do Engenho da Praia, ainda é possível presenciar vazamentos pela rua. 


A poucos metros da ETE, esgoto corre a céu aberto


Há cerca de duas semanas a nossa equipe encontrou um vazamento na esquina das ruas Espírito Santo com a Cinco. 
Segundo a prefeitura, a ETE já começou a funcionar e todo o esgoto está sendo captado, beneficiando cerca de 30 mil moradores. Ela conta com 60 quilômetros de redes coletoras e tem capacidade para tratar até 40 litros por segundo. 

De acordo com a ONU (Organização das Nações Unidas), o saneamento é um item fundamental para redução da pobreza, melhoria das condições de vida das pessoas e para o desenvolvimento sustentável. 

Além do mau cheiro, a exposição desse dejeto compromete a saúde das pessoas, podendo vir a causar doenças. Ele também contribui para diversos problemas ambientais, entre eles, a poluição do lençol freático, e serve de criadouro para animais como mosquitos e ratos.

Terrenos baldios e carros abandonados

A questão da limpeza pública também tem sido motivo de reclamações. Terrenos baldios continuam sendo alvos de descarte irregular. A situação acaba contribuindo com a proliferação de zoonoses, principalmente ratos, que podem transmitir doenças como a leptospirose. 


Além disso, os moradores denunciam o aumento no número de veículos abandonados, que estão tomando conta de terrenos e até de vias públicas. Mais do que a poluição visual, os carros abandonados também geram problemas de saúde e de segurança pública.

Em março deste ano, a Prefeitura sancionou um Decreto, no qual os veículos abandonados encontrados com focos criadouros de larvas de Aedes Aegypti ou que estejam em condição potencial de se tornarem futuros criadouros serão removidos para o depósito público de veículos, sendo o proprietário notificado pessoalmente ou por meio de edital. 

Todas as despesas decorrentes da remoção e armazenamento serão de responsabilidade do proprietário, podendo também ser passíveis do pagamento de multa. O objetivo na época foi de prevenir e combater a proliferação de mosquito do gênero Aedes aegypti.

Limpeza pública é uma das melhorias que precisam ser feitas 


As operações de retirada destes veículos em estado de abandono ocorrem pela secretaria de Mobilidade Urbana. A própria secretaria realiza o mapeamento dos locais para notificação e recolhimento dos veículos, tanto por meio do banco de denúncias, quanto pelo levantamento dos agentes de trânsito em patrulhamento. Segundo a secretaria, a população pode fazer solicitações por meio da Ouvidoria Geral pelo telefone 162 (de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h) e pelo link no Portal da Prefeitura.

População carece de área de lazer 

Apesar de ter muitas crianças e jovens morando no bairro, até os menores parecem ter sido esquecidos pelas autoridades nos últimos anos. Se por um lado o Engenho da Praia cresceu, por outro a infraestrutura ainda vem em passos lentos. 
Um dos maiores desejos dos pais é que um dia o bairro tenha uma área de lazer. Sem nenhum campo de futebol ou uma praça, é comum ver os pequenos brincando no meio da rua, sem nenhum tipo de segurança.

População cobra construção de praça


Outra opção é se deslocar para outros bairros, como o Centro. Até mesmo a opção mais próxima, situada no Lagomar, acaba sendo inviável por conta de ambas as áreas serem dominadas por facções rivais. 

"Estou aqui há duas décadas e nunca tivemos um local para levar as nossas crianças para brincar ou até mesmo poder se socializar com os vizinhos. Não tem uma praça ou uma quadra de esporte. A gente vê que os nos outros bairros têm e só aqui é que não", relata um morador que pede para não ser identificado.

Há cerca de um ano, a prefeitura alegou que o bairro estava incluído no cronograma de ações. Na medida em que os outros bairros fossem atendidos, o Engenho da Praia seria contemplado com a construção da área de lazer. O tempo passou e até hoje a população fica sem saber se isso irá, de fato, sair do papel um dia.

O lazer é um item fundamental para saúde, pois controla os níveis de ansiedade e contribui com outros fatores psicológicos e também físicos. No caso de crianças e jovens, isso é fundamental para o seu desenvolvimento. Apesar dos benefícios, no Brasil, mesmo sendo um direito previsto na Constituição Federal de 1988, esse é um item que não está acessível a todos.
Esse direito também está previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que prevê que todo menor de idade tem o direito a ter acesso ao lazer. Segundo o Art. 59, "os municípios, com apoio dos estados e da União, estimularão e facilitarão a destinação de recursos e espaços para programações culturais, esportivas e de lazer voltadas para a infância e à juventude". 

Mães pedem construção de creche

Não é só no lazer que as crianças carecem. Se não fosse a boa vontade de algumas pessoas no bairro, muitas mães não poderiam trabalhar. Tudo isso porque não existe nenhuma creche no Engenho da Praia. 

"As mães têm de deixar os filhos com os outros. Se ela não tem com quem contar, não pode trabalhar. Seria muito bom se tivesse uma creche aqui", frisa Solange. 

Segundo o Art. 54 do ECA, é "dever do Estado assegurar à criança o atendimento em creche e pré-escola às crianças de zero a seis anos de idade". 

Autor: Marianna Fontes


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Tags: bairro em debate


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