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Obras não garantem melhorias no Jardim Esperança

Moradores reclamam dos atrasos no andamento dos serviços e relatam problemas de infraestrutura

Em 26/09/2016 às 17h06


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Orçada em mais de R$ 8 milhões, obra promete contemplar o bairro com esgotamento sanitário, drenagem e pavimentação Orçada em mais de R$ 8 milhões, obra promete contemplar o bairro com esgotamento sanitário, drenagem e pavimentação
Criado há cerca de 15 anos, o Jardim Esperança, situado em uma pequena área próxima ao Aeroporto de Macaé, cresceu ao longo desse tempo desacompanhado de infraestrutura. A última visita feita por nossa equipe ao local foi em junho, onde pôde ver de perto a situação que os moradores vivem no seu dia a dia.

Essa realidade, inclusive, não condiz com a expectativa da população, que acreditou que dias melhores chegariam com o início das obras de urbanização no começo desse ano. 

Orçada em R$ 8.512.894,90, a obra promete contemplar o Jardim Esperança com esgotamento sanitário, drenagem e pavimentação. A previsão é de que todo serviço seja concluído no dia 1º de janeiro de 2017. No entanto, o andamento dos serviços preocupa os moradores que começam a questionar o poder público se ele será capaz de cumprir o prazo dado. 

A própria população denuncia irregularidades como a redução no quadro de funcionários e falta de fiscalização. "Na semana passada, a máquina da prefeitura ficou cinco dias parada por falta de combustível. Isso é o cúmulo do absurdo. Estão fazendo politicagem com uma obra que é de extrema importância para nós", diz um morador que pediu para não ser identificado. 

O presidente da Associação de Moradores, Jânio Carneiro, diz que a situação piorou com as obras. "Sabemos que isso iria causar transtornos, no entanto o cronograma está defasado, por conta do ritmo que as coisas andam. Se antes era ruim, agora está pior. Desde que o bairro foi criado pouca coisa foi feita aqui em termo de melhorias. É só promessa. Fazem investimentos em tantos lugares na cidade que não são prioritários, e aqui onde existe, de fato, essa necessidade o panorama é este", conta ele que cobra a presença das autoridades. "Cadê o prefeito e o secretário de Obras para fiscalizar isso?", questiona. 

Comunidade precisa se deslocar para ter acesso a serviços


Áreas de lazer são improvisadas pela população 


Se em alguns lugares os serviços de infraestrutura deixam a desejar, no Jardim Esperança eles nem existem. O bairro não conta com creches, escolas e nem com posto de saúde. Toda vez que a população precisa desses serviços, é obrigada a se deslocar para bairros próximos. 

Área de lazer também é outra coisa que não existe na comunidade. Sem nenhuma praça, as crianças e jovens do bairro contavam, até algum tempo atrás, apenas com um campo de terra, construído pela comunidade em um terreno particular cedido pelo proprietário.

"Esse espaço, que já era precário, passou a servir de canteiro de obras para a prefeitura. Ou seja, as crianças agora só têm a rua como local para brincar. Essas obras não vão contemplar o nosso bairro com uma praça, muito menos escola e posto de saúde", lamenta Jânio. 

Esgoto a céu aberto


Liderando a lista de reclamações, o saneamento é uma das maiores carências no bairro. Isso é um grave problema, pois o esgoto bruto correndo a céu aberto, na porta das casas, serve de criadouro para insetos e ratos. 

Os moradores relatam que, quando chove, a situação fica ainda pior, pois a rua alaga e o esgoto se mistura com a água. Além do mau cheiro, isso acaba sendo um foco para doenças e problemas de zoonoses. 

Um dos principais benefícios do investimento em esgotamento sanitário é o fim das valas negras que ainda existem em alguns locais, representando uma grave ameaça à saúde das pessoas que moram perto delas.

Mas enquanto o esgoto corre a céu aberto, moradores são cobrados pelo serviço, que não existe no bairro. "A Odebrecht Ambiental está cobrando taxa de esgoto, sendo que não temos rede de saneamento aqui. Estamos pagando por um serviço que não é oferecido no Jardim Esperança", relata o presidente. 

Saneamento está entre as prioridades no Jardim Esperança


Procurada, a Odebrecht Ambiental explicou em nota que "a cobrança da taxa de esgoto no bairro Jardim Esperança trata-se de tarifa referente ao serviço de afastamento do esgoto que corresponde a 10% do volume faturado de água. A cobrança está prevista no contrato de Parceria Público-Privada, bem como na Lei federal 11.445/2007, que regulamenta os serviços de saneamento no Brasil.

O serviço de afastamento de esgoto é prestado pela concessionária por meio de manutenções recorrentes no sistema existente em toda a área de concessão, mesmo em bairros que ainda não possuem rede coletora instalada. Em média, a concessionária realiza mensalmente 1.300 mil serviços de desobstrução da rede de esgoto, ou galerias pluviais e preventiva de rede, a fim de evitar vazamentos de esgoto.

A concessionária ressalta que os clientes que tiverem dúvidas sobre os valores cobrados em suas faturas, procurem a concessionária pelo 0800 771 0001 ou visitem a Loja de Atendimento ao Público, na Rua Dr. Júlio Olivier, nº 238, Loja 3, Centro - Macaé, de segunda a sexta, das 9h às 16h.

Ruas aguardam a pavimentação 

Poeira e alagamentos fazem parte da realidade de quem vive ali 


Além do esgoto, a falta de pavimentação e da rede de macrodrenagem também são outros problemas que lideram a lista de reclamações da população. Bastam alguns minutos de chuva para o bairro mudar de paisagem. 

Como não há calçamento nas ruas, nem bueiros de drenagem, a água acumulada impede que muitos moradores entrem e saiam de casa. Alguns deles relatam que alguns trechos ficam intransitáveis, mesmo dias após as chuvas.  

"Quando chove, os moradores colocam sacolas plásticas nos pés e saem", diz Jânio. 
É importante ressaltar que os investimentos feitos nessa área não representam apenas melhorias na questão da acessibilidade no bairro, mas também redução nos riscos à saúde pública, promovendo, consequentemente, a melhoria na qualidade de vida dos moradores. 

Iluminação precisa de reforço 

No mesmo período em que o governo municipal anunciou um aumento na verba destinada à iluminação pública em Macaé, moradores de várias localidades continuam vivendo às escuras. É o caso do Jardim Esperança.

"Já fiz vários pedidos na prefeitura, mas até agora nada. O panorama é mais crítico nas Ruas 5, 11 e 13. Precisamos desse reforço porque a escuridão aumenta a sensação de insegurança da população do bairro", diz Jânio.

A Ampla, empresa responsável pela distribuição de energia no município, ressalta sempre que "a manutenção do funcionamento da Rede de Iluminação Pública até o ponto de entrega é de responsabilidade das prefeituras municipais. Elas são responsáveis diretamente pela substituição de lâmpadas, luminárias e demais equipamentos e materiais que compõem o ponto de iluminação". 

Ela também frisa que a taxa de iluminação cobrada, mensalmente, é repassada para a prefeitura, que define o valor que será cobrado. Essa verba deve ser utilizada para investir e manter a iluminação em todo o município, como, por exemplo, troca de lâmpadas queimadas, instalação de novos pontos de iluminação, entre outros. A orientação é no sentido de que a população entre em contato com a prefeitura quando houver algum problema de iluminação na cidade. 

De acordo com o Decreto nº 103/2016, a prefeitura assinou recentemente a suplementação que retira R$ 100 mil alocados no Fundo Municipal de Saúde, visando reforçar o crédito de R$ 4,6 milhões destinados à "manutenção e modernização da Iluminação Pública e das Unidades Administrativas".

Autor: Marianna Fontes marifontes@odebateon.com.br

Foto: Kaná Manhães


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Tags: bairros em debate


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