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Impasse impede investimentos na Piracema

Comunidade na Linha Azul, que cresceu de maneira irregular, carece de serviços de infraestrutura

Em 19/09/2016 às 17h28


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Prefeitura disse há dois anos que seria necessário remover as famílias por ser uma área particular Prefeitura disse há dois anos que seria necessário remover as famílias por ser uma área particular
Apesar de o preço dos imóveis, tanto para compra, quanto para o aluguel ter sofrido uma redução nos últimos meses devido à crise econômica, o custo da moradia em Macaé ainda é fora da realidade para muitas pessoas. 
Assim, muitos acabam migrando para as áreas periféricas. O reflexo disso é o aumento no número de invasões por toda a cidade, situação que, se não for controlada a tempo, pode resultar em vários problemas, principalmente no que se refere à infraestrutura.

Um exemplo de tal quadro é a comunidade Piracema, que cresceu nos últimos anos de maneira desordenada às margens da Linha Azul. Há exatamente um ano e 10 meses o Bairros em Debate esteve visitando a localidade, onde mostrou as condições desumanas em que milhares de famílias vivem. 
Os moradores não têm o mínimo necessário para uma qualidade de vida. Entre os problemas estão a falta de saneamento básico e da rede de água. "Estamos abandonados. Essa é a verdade. Nunca houve interesse em melhorar as nossas condições.
Se me perguntar o que a gente precisa hoje, a resposta é tudo. Desde o serviço básico de limpeza até obras de infraestrutura", diz a moradora Maria do Socorro.
Na última visita em 2014, a prefeitura explicou que estudava a possibilidade de desapropriação da área, já que se trata de uma propriedade particular. No entanto, o impasse não foi resolvido, situação que impossibilita os investimentos em infraestrutura. 

Sujeira denuncia a falta de manutenção


Um dos principais gastos da prefeitura atualmente é com a limpeza urbana. No entanto, a situação em que se encontra a Piracema não condiz com os cerca de R$ 60 milhões previstos para esse ano em todo município. 

Andando pelas ruas é possível ver uma grande quantidade de sujeira. O lixo se mistura ao mato, o que mostra outra carência ali: a falta de capina.



"O ideal seria ter mutirões todo mês. Só de tirar o matagal já mudaria o aspecto da comunidade. Claro que a questão da limpeza também depende da população que, infelizmente, tem uma minoria que é mal educada", enfatiza a moradora Josiane da Silva. 

Água é uma raridade

Apesar de a poucos metros dali, na Linha Azul, a Cedae estar implantando tubulações que irão beneficiar bairros como o Lagomar, a Piracema está longe de ser contemplada com a água encanada.


Segundo informou a Cedae na época, ela só pode fazer o abastecimento em áreas onde tenha regularização fundiária. Como a Piracema é considerada uma ocupação irregular, os moradores contam com três opções: caixas d'água comunitárias, que são abastecidas pela prefeitura, poços artesianos ou caminhões-pipa, comprados com muito sacrifício. 

"Está difícil para colocar o básico dentro de casa. A gente acaba tirando o dinheiro do pão para comprar água", diz o morador José Antônio.  

De acordo com moradores, a quantidade de água que é disponibilizada pelos caminhões-pipa, nunca foi suficiente para suprir a demanda. Porém, não deixa de ser uma ajuda para aqueles que conseguem encher seus baldes. 
Alguns moradores fazem uso da água de poços artesianos para as suas necessidades. Porém, a água é insalubre e acaba não sendo útil para o consumo.

Saneamento é um sonho distante

O saneamento é um direito assegurado pela ONU (Organizações das Nações Unidas), que diz que isso é fundamental para a redução da pobreza, melhoria das condições de vida das pessoas e para o desenvolvimento sustentável. 

Na Piracema, isso parece estar longe de se tornar uma realidade. De acordo com os moradores, o esgoto é todo depositado em fossas, que são limpas de vez em quando pela prefeitura. 

Não bastasse o mau cheiro, a exposição desse dejeto compromete a saúde dessas pessoas, podendo vir a causar doenças. Além disso, o esgoto contribui para diversos problemas ambientais, entre eles, a poluição do lençol freático. Ele também serve de criadouro para insetos, como mosquitos e também de ratos.

Lazer é na rua 

O lazer é um item fundamental para a saúde, pois controla os níveis de ansiedade e contribui com outros fatores psicológicos e também físicos. No caso de crianças e jovens, isso é fundamental para o seu desenvolvimento.

Em uma área de vulnerabilidade social, manter as crianças ocupadas com atividades é essencial para que elas não sejam atraídas para a criminalidade. Mas, infelizmente, a rua é a única opção para os moradores da Piracema. 

"Lazer aqui é na rua. Não temos nenhuma área no bairro e nem no entorno. Nossas crianças e jovens cobram muito uma praça mas, infelizmente, não é do interesse das autoridades investir nos pobres", relata uma mãe, que pediu para não ser identificada.

Áreas de lazer são entendidas como todo e qualquer espaço livre de edificação, destinado prioritariamente ao lazer, isto é, uma área para prática de esporte, jogos e brincadeiras. Esses pontos são utilizados pela população para interação social e para distração em momentos livres.

População com o pé na lama

Assim como acontece em outras áreas da cidade, pavimentação é algo que não existe na Piracema. Quem vive ali conta que essa situação gera muitos transtornos para os moradores. 


É interessante ressaltar que os investimentos feitos nessa área não representam apenas melhorias na questão da acessibilidade no bairro, mas também redução nos riscos à saúde pública, promovendo, consequentemente, a melhoria na qualidade de vida dos moradores.

Quando chove, os alagamentos e a lama impedem a acessibilidade dos moradores e provocam prejuízos materiais. "Aqui na rua principal a situação é ruim, mas na parte mais baixa da comunidade sempre alaga. Lá é muito pior", conta Francisco.
Já em dias de sol é a poeira que gera reclamações. Essa situação acaba contribuindo com várias doenças respiratórias e quem geralmente mais sofre são as pessoas alérgicas e as crianças. 

Autor: Marianna Fontes marifontes@odebateon.com.br

Foto: Kaná Manhães


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Tags: bairros em debate


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