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Aterrado do Imburo retrata abandono do poder público

Moradores reivindicam melhorias em infraestrutura em área rural da cidade. Falta d'água lidera a lista

Em 05/09/2016 às 15h14


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Sem rede de abastecimento, água é fornecida por meio de caixas comunitárias Sem rede de abastecimento, água é fornecida por meio de caixas comunitárias
Pela terceira vez nesse ano, o Aterrado do Imburo é tema do Bairros em Debate. O motivo é claro: a falta de atenção do poder público com os cerca de 1.500 habitantes que vivem no local. Mesmo com a população apontando, inúmeras vezes, as necessidades, a prefeitura pouco tem feito para mudar a realidade ali. 

Essa é, inclusive, a segunda reportagem feita no local essa semana. A nossa equipe de reportagem esteve lá, a pedido da população, para ver de perto os problemas. O líder em reclamações é a questão da água. 

O bairro, que até hoje aguarda a chegada da rede de abastecimento, conta com caixas comunitárias que são abastecidas semanalmente pela prefeitura. Do total, apenas oito delas estão em funcionamento, o que não supre a demanda. 

"Elas são abastecidas duas vezes na semana com um caminhão-pipa de 15 mil litros. Isso dá menos de dois mil litros por cada uma, que tem capacidade de 5 mil litros cada. É muito pouco", diz o presidente da Associação de Moradores, Carlos José de Araújo Toledo. 

Se levar em consideração que a Organização das Nações Unidas (ONU) diz que 110 litros é a quantidade suficiente para atender a necessidade básica de uma pessoa por dia, no Aterrado do Imburo seriam necessários 165 mil litros para suprir a demanda de uma média de 1.500 moradores. Ou seja, os 30 mil litros, divididos pela população em sete dias, resultaria numa média de 2,85 litros por habitante, número que corresponde a 2,59% da meta estabelecida. 

O bairro foi criado há pouco mais de 20 anos. Por estar situado a poucos minutos da Linha Azul, essa região vem crescendo ao longo desse tempo. 

Limpeza é alvo de reclamações


Enquanto a prefeitura prevê um gasto de mais de R$ 60 milhões com a limpeza pública somente esse ano, moradores do Aterrado do Imburo dizem que o serviço prestado no bairro não condiz com os investimentos do governo. Pelo contrário, o atendimento prestado pela secretaria de Serviços Públicos lidera a lista de reclamações ali. 

"Tem cinco garis, sendo que eles ficam um pouco e vão embora, deixando o bairro sujo", conta Carlos, ressaltando que a manutenção não é feita há um bom tempo. "Quando capinam largam tudo para trás. O pior é que a própria prefeitura acumula a sujeira e taca fogo depois, isso perto da casa dos moradores", denuncia.

Cansado de esperar a boa vontade, ele relata que ele mesmo já tirou do próprio bolso. "Gastei R$ 90 com gasolina e óleo de máquina para fazer a limpeza em uma rua porque a própria prefeitura que destina milhões para o setor não tem material", conta.
Além do aspecto, a falta de limpeza causa problemas como proliferação de zoonoses. "A quantidade de ratos tem aumentado aqui. Isso é um problema de saúde pública", alerta o presidente.

Praça precisa de manutenção

Desde o último Bairros em Debate, a lista de reclamações tem um item: a manutenção da praça. Ela é hoje a única opção de lazer para os moradores, principalmente as crianças. E são elas que estão correndo o maior risco na hora da diversão. 

O presidente fala que é preciso concluir as obras da estrutura onde ficam os banheiros e as salas, onde, até então, funcionava o projeto Educa Mais. "Está tudo abandonado há mais de um ano.  Estamos sem saber quando as obras vão ser retomadas e se serão. Enquanto nada é definido, as crianças estão correndo risco de sofrerem algum acidente", explica. 



Do outro lado da rua, um campinho de terra também é outra promessa do governo. "Falaram que tinha um projeto para cá, mas nunca mais tocaram no assunto", relata.

Manutenção nas vias 

"A via principal do bairro está precisando de manutenção", dizem os moradores. Segundo o presidente da associação, a prefeitura chegou a fazer o serviço de tapa-buracos há um tempo, no entanto, o tempo passou, o trabalho não foi concluído e já precisa de manutenção. 


Mas se está ruim onde o asfalto existe, onde não há pavimentação é ainda pior. "No local onde fica o ponto final do ônibus forma uma bacia de lama quando chove", conta.

Os investimentos feitos nessa área não representam apenas melhorias na questão da acessibilidade no bairro, mas também redução nos riscos à saúde pública, promovendo, consequentemente, a melhoria na qualidade de vida dos moradores. 

Além disso, a manutenção das vias está prevista dentro do Código Brasileiro de Trânsito (CBT), que garante que é dever das autoridades promover um trânsito seguro e de qualidade. De acordo com o Art. 1º "O trânsito, em condições seguras, é um direito de todos e dever dos órgãos e entidades componentes do Sistema Nacional de Trânsito, a estes cabendo, no âmbito das respectivas competências, adotar as medidas destinadas a assegurar esse direito".

Serviço de dentista 

O posto de saúde do bairro é uma das poucas coisas que os moradores dizem funcionar bem, no entanto, desde março de 2015 a especialidade de dentista foi suspensa. "Desde o ano passado estamos cobrando isso, mas a prefeitura não se mobiliza. Está fazendo falta para a nossa comunidade um serviço desse tipo. Hoje precisamos ir para outros bairros, quando que poderia resolver o problema colocando o profissional aqui pelo menos alguns dias da semana", diz Carlos.

Autor: Marianna Fontes marifontes@odebateon.com.br

Foto: Kaná Manhães


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Tags: bairro em debate


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