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Ajuda de Baixo ainda apresenta lista de problemas

Moradores cobram melhorias no abastecimento de água, rede de esgoto e construção de áreas de lazer

Em 29/08/2016 às 15h13


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Em um ano, desde a última visita, poucas melhorias foram feitas Em um ano, desde a última visita, poucas melhorias foram feitas
Se a situação está ruim para quem vive na área nobre da cidade, para aqueles que moram em bairros periféricos é ainda pior. É o caso da Ajuda de Baixo, que coleciona problemas de infraestrutura. Essa semana, o Bairros em Debate esteve mais uma vez na localidade para ver de perto a situação em que vivem os seus habitantes. 

Entre as reclamações estão algumas feitas há anos por quem vive ali, inclusive as mesmas relatadas pela população durante a nossa última visita, em maio de 2015. Na lista dos problemas relatados está o abastecimento de água precário, a falta de manutenção nas redes de esgoto e de águas pluviais e a falta de espaços adequados para a prática de lazer. 

Apesar de promessas serem feitas, os moradores dizem estar cansados de conviver com esse tipo de situação. "Se alguém me perguntar se eu gosto de morar aqui eu vou dizer que sim. Só que tem muita coisa que precisa ser feita aqui para tornar o nosso bairro um lugar melhor", diz a moradora Valdineia Barcellos, que reside no local há 24 anos. "Vi a Ajuda de Baixo crescer. Quando cheguei aqui eram poucas casas. Em pouco tempo o bairro foi expandindo e virou o que é hoje. Isso mostra como é fundamental investir em infraestrutura", ressalta.

Lazer é uma das prioridades

No dicionário, a palavra "lazer" significa "tempo de que se dispõe livremente para repouso ou distração". O problema é que na Ajuda de Baixo faltam espaços para que isso possa ser colocado em prática.


"No nosso bairro não tem uma praça sequer para as crianças e os jovens se distraírem. Os moradores ficam na rua porque não existe espaço para o lazer", diz Valdineia. 

Alvo de reclamação na última reportagem, a obra de uma quadra poliesportiva aguarda para ser inaugurada. No entanto, ao contrário da nossa última visita, onde a estrutura estava longe de ser entregue à população, parece estar quase pronta. "Começaram a fazer, mas não terminaram. A gente quer uma resposta para saber quando será inaugurada. É um descaso muito grande com a população do bairro", desabafa a moradora.

A estrutura, que está orçada em R$ 805.956,20, é fruto de uma parceria com o Governo Federal. Segundo a prefeitura, a inauguração está prevista para o dia 23 de setembro. 

Limpeza ainda é alvo de reclamações

A grande quantidade de lixo chama atenção. A população relata que a coleta é feita regularmente, porém algumas pessoas colocam seu lixo fora dos dias em que o caminhão passa no bairro. 


"A população não ajuda. Eles esperam o caminhão passar para jogar o lixo nos terrenos e na rua. Fazem isso fora dos dias e horários. E o pior, em locais sem proteção. Com isso, animais, como cachorros e cavalos, rasgam os sacos e espalham a sujeira toda", alerta Valdineia lembrando que isso tem contribuído com a proliferação de zoonoses. "Aqui ratos e baratas invadem nossas casas. Tenho certeza que boa parte é por conta desse problema", afirma.



Na última edição de Bairros em Debate, moradores chegaram a sugerir a colocação de coletores pelas ruas. Na época, a prefeitura não chegou a se pronunciar sobre a solicitação da população. 
Redes entupidas preocupam 

As redes de saneamento e de águas pluviais voltaram a ser motivo de reclamação essa semana, após o jornal publicar uma reportagem há alguns dias sobre um grande vazamento de esgoto na Avenida 3, em frente à Estação da Luz. 
De acordo com relatos, o problema no local persiste há mais de um mês, e até o momento nenhuma medida foi tomada pelo órgão responsável.  


Eles contam ainda que, em todo o bairro, o problema relacionado ao esgoto piorou há cerca de três anos após uma obra realizada no local. "Esse vazamento nunca acaba. A rede está entupida, então qualquer coisa que um vizinho faça transborda e vai parar na porta da minha casa. É um mau cheiro insuportável. A rede do bairro toda está obstruída, pode perguntar aos moradores. Antes era ruim, mas depois que fizeram as obras de urbanização ficou ainda pior", diz Valdineia ressaltando que já procuraram a prefeitura. "Eles não fazem nada. Para não dizer que estou sendo injusta, de vez em quando mandam o suga-fossa. Mas nunca aparecem, de fato, para solucionar o problema", relata.

Com isso, a população teme os alagamentos. "Se ocorrer uma chuva forte vai causar enchentes, já que a água e o esgoto não têm para onde escoar", alerta a moradora. 

Como se não bastasse a precariedade no serviço registrado em toda cidade, inclusive na área central, a partir do próximo mês os moradores devem preparar o bolso para custear o reajuste de 12% a mais na tarifa de esgoto. 

De acordo com a própria Odebrecht Ambiental, o reajuste resultará em um acréscimo médio de R$ 3,60 nas contas. Ainda segundo o órgão, esse percentual anual, previsto no contrato e autorizado pela Empresa Pública Municipal de Saneamento (ESANE), é calculado a partir da variação do Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) acumulado entre os meses de julho de 2015 e junho de 2016. 

A nova estrutura tarifária está disponível no site da Odebrecht Ambiental e pode ser consultada desde o dia 1º de agosto no link: www.odebrechtambiental.com/macae/estruturatarifaria. 

Procurada, a concessionária informou que iria enviar uma equipe ao bairro Ajuda de Baixo, e se necessário faria o serviço de desobstrução da rede.

Ela ressaltou, em nota, que a população sempre pode contribuir informando a Odebrecht Ambiental sobre ocorrências de esgoto em vias públicas. O objetivo da concessionária é realizar consertos o mais rápido possível, ou seja, no prazo de 48 horas. O contato pode ser feito pelo telefone 0800 771 0001.

Regularização da água

Ter acesso à água é um direito de todo ser vivo. Na Ajuda de Baixo, a grande luta é para regularizar o abastecimento no bairro. "Água aqui é de dois em dois meses. Quem tem cisterna consegue encher, o que não é o meu caso. Eu preciso comprar galão ou caminhão-pipa. Algumas casas têm poço, mas eles secam quando não chove. O que revolta é que temos rede, só falta o abastecimento acontecer regularmente. A gente procura a Cedae, e eles alegam que o povo não paga a conta, mas quem vai pagar por um serviço que não existe? Isso para mim é desculpa", reclama Valdineia. 

Autor: Marianna Fontes marifontes@odebateon.com.br

Foto: Wanderley Gil


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Tags: bairros em debate


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