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Serviços básicos não chegam em Imboassica

Apesar de ser uma área industrial, moradores que vivem ali reclamam da falta de limpeza e de área de lazer

Em 15/08/2016 às 17h09


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Apesar de boa parte ser composta por empresas, Imboassica também é lar de várias famílias Apesar de boa parte ser composta por empresas, Imboassica também é lar de várias famílias
Situada na zona Sul da cidade, Imboassica se divide entre duas realidades. A primeira, talvez a mais conhecida pela maioria das pessoas, é por conta da concentração das grandes empresas do ramo do petróleo do Brasil e do mundo, responsáveis por grande parte da arrecadação do município. 

Já a outra é a área residencial, que serve de moradia para cerca de 2 mil pessoas. Enquanto um lado é fonte de receita para o município, o outro carece de serviços básicos de infraestrutura. Segundo o relato dos moradores mais antigos, eles habitam essa região antes mesmo das grandes empresas chegarem.

Mesmo com os investimentos feitos nos últimos anos, é possível ver o que ainda falta para que o local ofereça o mínimo de estrutura necessária, contradizendo os altos valores pagos em impostos pelas empresas.
Diante disso, essa semana o Bairros em Debate volta a uma das áreas de maior importância para a economia da cidade para conversar com os moradores. 

População cobra limpeza


Enquanto o governo municipal anuncia que a previsão de gasto anual com a limpeza urbana é de cerca de R$ 62 milhões, vários bairros e comunidades em Macaé continuam sofrendo com a falta do serviço. 

Na semana passada, moradores procuraram a nossa equipe de reportagem para relatar os transtornos gerados pela falta de varrição em alguns pontos do bairro. Um dos pontos citados fica na Rua Melquíades Ribeiros, ao lado de uma das maiores empresas do segmento do petróleo do mundo. 

"O serviço de limpeza urbana não recolhe o lixo. Nessa rua tem uma vala que está cheia de lixo, situação que traz sério riscos para a população. Essa sujeira pode facilitar a proliferação do mosquito Aedes aegypti, ratos, baratas e outros bichos", conta Anderson Santos. 

O morador ressalta que outro ponto crítico fica ao lado da empresa Onesubsea. "Ali, o meio-fio e a boca de lobo, onde escoa a água da chuva, estão sujos, cheios de mato e lixo. Do outro lado da rua tem uma galeria que está entupida de areia. Vale ressaltar que quando chove essa área alaga pois não tem como a água escoar. Queremos respostas do poder público porque a situação que o nosso bairro se encontra não condiz com o contrato milionário que a prefeitura fez com a empresa que presta serviço de limpeza em Macaé. Pelo valor anunciado, era para estar tudo impecável", desabafa. 

Bairro não tem área de lazer


Apesar de ser composto na maior parte por empresas, quem mora no bairro conta que não existe nenhuma opção de lazer. Os próprios moradores improvisaram um campinho de terra que funciona às margens da linha férrea. 

"Hoje temos esse campinho e a quadra da escola. Há quatro anos prometeram que iriam construir uma nova, mas isso nunca saiu do papel. A gente imaginava que isso não ia adiante. Nosso bairro não tem opção de lazer para os moradores", diz Anderson.

Há dois anos a prefeitura informou que estudava a construção de uma praça no local, no entanto, até hoje não teve nenhum avanço em relação a isso.

Terminal sem reforma

O Terminal Parque de Tubos atende não só a população, como também os funcionários das empresas da zona industrial. No entanto, usuários reclamam das condições do local.


"Esse é outro problema sério enfrentado por nós moradores e trabalhadores que utilizam o transporte público. O banheiro masculino não tem uma torneira para lavarmos as mãos e se quiser lavar tem que ser no lado de fora. O vaso sanitário só tem um para ser utilizado e não tem assento, papel higiênico, está com a porta quebrada, fora o mau cheiro que é insuportável", relata Anderson.

Outra questão levantada é a falta de iluminação à noite, o que aumenta a insegurança de quem pega o coletivo ali dentro. "É precária. Além da escuridão a estrutura está com os forros caindo e sem contar que tem um despachante baixinho que é ignorante. Se for pedir informações a ele referentes ao horário do ônibus que vai sair, ele te trata com arrogância", reclama.

No início do ano a prefeitura explicou que o Plano de Mobilidade Urbana indicava ações para a restruturação do Sistema Integrado de Transportes e modernização dos terminais. Na época, ela prometeu solucionar problemas imediatos, como a limpeza e retirada das pichações. Só que até hoje nada foi feito. A secretaria de Serviços Públicos ressaltou na época que a reforma dos terminais estaria em processo de licitação.

Redutores de velocidade na MC-088


Um pedido feito há dois anos, antes mesmo da MC-088 ser liberada, foi para a instalação de redutores de velocidade na via. Na época, a secretaria de Mobilidade Urbana informou que iria estudar a viabilidade. No entanto, até hoje aguardamos um posicionamento.

Segundo os moradores, o problema ali é o risco de acidentes que podem ocorrer devido a alguns fatores, como os motoristas que abusam dos limites permitidos. "Tem algumas pessoas que fazem dessa via uma pista de corrida. Precisamos de alguma medida para evitar uma tragédia", diz Anderson. 

Independente disso, os motoristas também têm o dever de colaborar para promover um trânsito seguro. O Art. 220 do CTB diz que deixar de reduzir a velocidade do veículo de forma compatível com a segurança do trânsito "nas proximidades de escolas, hospitais, estações de embarque e desembarque de passageiros ou onde haja intensa movimentação de pedestres" é considerada uma infração gravíssima. O infrator poderá ser multado. 

Já o Art. 311 prevê que "trafegar em velocidade incompatível com a segurança nas proximidades de escolas, hospitais, estações de embarque e desembarque de passageiros, logradouros estreitos, ou onde haja grande movimentação ou concentração de pessoas, gerando perigo de dano" a pena passa a ser de detenção, que pode variar de seis meses a um ano, ou multa.

Autor: Marianna Fontes marifontes@odebateon.com.br

Foto: Kaná Manhães


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Tags: bairros em debate


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