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Protesto gera impasse sobre a transferência de famílias

Condomínio ainda registra problemas relatados por moradores durante manifestação realizada ontem

Em 21/06/2016 às 12h18


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Protesto bloqueou trecho da Linha Azul, no sentido Ajuda, na manhã de ontem Protesto bloqueou trecho da Linha Azul, no sentido Ajuda, na manhã de ontem
Cada peça de madeira, galho de árvore seco e partes de móveis, como um sofá, colocados no trecho da Linha Azul próximo ao trevo do Complexo da Ajuda, representam a insatisfação de cada uma das cerca de 50 famílias já alojadas em um dos prédios que integram o novo condomínio do Bosque Azul, construído com recursos do governo federal, diante da ausência da infraestrutura necessária para o cotidiano das pessoas que sofreram na pele os problemas de viver em áreas de risco social.  

E a manifestação que chegou a bloquear com fogo uma das principais rotas do trânsito da Capital Nacional do Petróleo passa a representar também a apreensão diante do cenário que será encontrado pelas cerca de 480 famílias que estão prestes a se mudar para o condomínio, durante o feriado do próximo dia 24 de junho.

O protesto, realizado por volta das 9h de ontem, teve como estopim mais um final de semana de problemas encarados pelas famílias que vivem há cerca de sete meses na parte inicial do condomínio, construído graças aos recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) fase II, financiado pelo governo federal.

Em clima de revolta, cerca de 30 pessoas bloquearam a pista da Linha Azul para cobrar do governo o mesmo acolhimento e atenção dados na semana em que houve a transferência das famílias, a maioria da Ladeira de Sant'Anna, em novembro do ano passado.

"Quando nos mudamos recebemos a atenção da prefeitura. Teve até palhaço brincando com os nossos filhos. Hoje é o prefeito que está fazendo a gente de palhaço". A declaração ilustra a insatisfação de uma das moradoras do novo condomínio que optou por preservar a sua identidade por medo de perder o apartamento. "Esse povo é vingativo. Se colocamos a cara na reta para cobrar, corro o risco de perder o apartamento, já que casa eu não tenho mais", disse. 

Moradores criticaram a remoção de placas que protegiam acesso ao condomínio (foto Sylvio Savino)


Reclamação sobre transporte

Segundo os moradores, o protesto teve como objetivo cobrar da prefeitura a revisão sobre a alteração no trajeto dos coletivos que circulam na Linha T-12 (Terminal Cehab x Novo Hospital - via Linha Azul).
De acordo com eles, a linha é a única que atende os moradores, assim como estudantes que moram no local. No entanto, desde o último sábado (18), o coletivo deixou de passar no local.

"Nós já somos obrigados a andar até a Linha Azul para pegar o ônibus. E desde sábado ele não passa. Está atendendo só o Verdes Mares", disse uma moradora.
A reclamação dos moradores esteve relacionada também ao semáforo já instalado pela prefeitura na Linha Azul, mas funcionando apenas em sistema de alerta.

"Nós estamos correndo risco de vida", disse a moradora.
Durante o protesto, uma equipe da secretaria municipal de Mobilidade Urbana esteve no local e garantiu aos moradores do Bosque Azul que o transporte vai ser normalizado. A promessa de que o semáforo irá funcionar também foi assegurada às famílias do local.

Sem água desde o final de semana

No protesto, os moradores reclamaram também dos problemas constantes referentes ao abastecimento de água no local.
O condomínio conta com uma caixa d'água coletiva que, segundo eles, é fechada nos finais de semana.
"Estamos sem água desde sexta-feira (17). Isso é comum aqui. Quando chega o final de semana, nós ficamos sem uma gota d'água. Como vai ser quando os outros moradores vierem para cá? A caixa d'água não vai suportar. Vai virar uma confusão muito grande", disse outra moradora.

Insegurança para as crianças

Na manifestação, os moradores do Bosque Azul reclamaram também da remoção de placas que protegiam o acesso à parte de frente do condomínio.

"As placas garantiam a segurança dos nossos filhos. Por que tiraram? Ninguém conversou nada com a gente. Nem querem saber o que estamos passando aqui. Só quero ver quando isso aqui lotar de gente. O protesto vai ser bem maior", disse uma moradora.

Prefeitura responde

Apesar dos moradores do condomínio afirmarem que a falta d'água é constante, a prefeitura informou que, de acordo com a secretaria municipal de Habitação, após contato com a Nova Cedae, o problema foi pontual.

De acordo com a resposta do governo, o problema foi ocasionado por questões de limpeza em Severina, ponto de captação de água no Rio Macaé. Segundo a prefeitura, o abastecimento precisou ser interrompido na quinta e na sexta, situação essa que já foi normalizada.

A prefeitura informou também que, para o condomínio, foi expedida pela Cedae uma Declaração de Possibilidade de Abastecimento (DPA) em que consta a capacidade de pleno atendimento às famílias que lá já estão instaladas, assim como as que mudarão futuramente. 

"Cabe ressaltar, ainda, que a capacidade do reservatório construído foi dimensionado pela própria Cedae", disse a prefeitura.

Autor: Márcio Siqueira marcio@odebateon.com.br

Foto: Eu leitor, o repórter


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Tags: geral, política


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