Cadastre-se e receba nossas novidades:

05/03/2018 às 17h54m

Fiscalizar é necessário

Esta semana a cidade foi sacudida, mais uma vez, com a ação da Polícia Federal que fez a prisão em flagrante de um vereador que, de acordo com denúncia de um assessor, nomeado para trabalhar no seu gabinete, "era obrigado" a dividir sua remuneração que não é pequena - chega a mais de R$ 12 mil - com o titular do cargo. Sabe-se, agora, que o assessor comprovou a ação e, levado para a delegacia da Polícia Federal, as partes foram ouvidas e, em seguida, o vereador levado para um presídio em Campos, enquanto as autoridades judiciárias eram comunicadas do fato.

Antes deste caso, já havia ocorrido outro, porém, no âmbito de uma secretaria da prefeitura para a qual um vereador indicou o  gestor 0nomeado e passou a praticar o mesmo ato. Dividir o dinheiro recebido com os assessores que, revoltados, também decidiram denunciar ao Ministério Público que pediu o afastamento do vereador, decisão acertada da Justiça que atendeu à solicitação do Ministério Público, enquanto as investigações prosseguem, incluindo como réus ímprobos, inclusive, o prefeito.

Todo cidadão de bem sabe que o papel do político é fazer políticas públicas que possam atender a sociedade que está cansada de, há anos, assistir e ouvir as mesmas cenas e casos, sem que qualquer medida seja adotada, lembrando aqui que não nos cansamos de informar que esta situação é um efeito cascata do que ocorre em Brasília, nos Estados e nos municípios. Mas há muito tempo que o político tem usado o cargo para a prática de corrupção, hoje encontrada em larga escala, fazendo do mandato e do poder adquirido, um negócio bom para quem se elege. A tentação é tanta que, dificilmente, um prefeito não consegue ter a maioria no Poder Legislativo para praticar todo tipo de ação malévola. Fiscalizar mais é necessário e, que muitos outros assessores, também do Poder Executivo, criem coragem e denunciem as mazelas para tirar Macaé do buraco, igual a Operação Lava Jato está fazendo pelo país todo.


Enquanto isso...

Com a velocidade em que os cidadãos tomam conhecimento pela internet, através das redes sociais, principalmente pelo Faceboock, de "denúncias cabeludas" envolvendo políticos, fica difícil até para o Ministério Público e pela Justiça, tomar iniciativas que possam levar a cabo uma investigação. Difícil até pelos jornais sérios e conceituados, porque quando um jornalista começa a investigar o caso, os autores das denúncias que utilizam o território livre da internet para fazer o desabafo por se sentirem incomodados, preferem não levar o caso à frente porque sabem que "não vai adiantar nada", ou que os órgãos competentes "não vão ligar para a acusação" e que "ninguém vai preso". Bem, pode até ser um pouco assim, se o cidadão de bem continuar a não acreditar na Justiça "porque ninguém vai preso".

Mas se continuar havendo a omissão e a denúncia não for apresentada aos órgãos competentes, vai ficando cada vez mais difícil a Justiça agir. A lei é dura, mas é lei. Apenas para voltar ao caso do vereador afastado que foi acusado de dividir o dinheiro dos assessores, enriquecendo ilicitamente, corre na internet, embora o processo esteja em segredo de justiça, as 489 páginas da denúncia do Ministério Público que requereu, também, a quebra do sigilo fiscal e a busca e apreensão em vários endereços não só das secretarias, como em gabinetes e residências dos envolvidos. E, ao final, o prefeito, com certeza "fingindo não saber de nada porque apenas nomeia os titulares para os cargos de secretários", pede sua exclusão do processo que figura como réu.

Ora, quem não sabe pelas ruas da cidade que o toma-lá-dá-cá, continua envolvendo os agentes políticos e administrativos? Você ouve nas filas de bancos, nos bares e restaurantes, em eventos sociais, e onde quer que você vá. Basta provocar para que a conversa ganhe linha. Enquanto isso, pela internet e, também pela imprensa quando as pessoas acreditam mais no jornal do que nas autoridades, as reclamações sobre a má gestão na saúde, educação, transporte, mobilidade, meio ambiente, esportes, cultura e muitos outros órgãos, deveriam sim ser fiscalizadas pelos vereadores, pelos tribunais de contas, pelo Ministério Público e pela Polícia Federal que, igual à prisão do vereador Neto, tem competência para abrir procedimentos e atuar firme e forte no combate à corrupção. É só querer e, se for o caso, como sugeriu uma assessora denunciante, que se crie uma força-tarefa para cuidas das denúncias. "Não vai sobrar pedra sobre pedra", como disse a presidente da Petrobras, Graça Foster, ao ver que a Operação Lava Jato atingiu em cheio a estatal.


PONTADAS

E, apenas para refletir, já que estamos entrando no período eleitoral e tem muita gente em campanha, citamos o filósofo Platão: "Você tem todo o direito de não gostar de política, mas sua vida terá influência e será governada por aqueles que gostam. Portanto, o castigo dos bons que não fazem política é ser governado pelos maus que a fazem". Copiem e colem em local onde poderá ser visto, sempre.

________ 

Já tem vereador candidato a cargo eletivo nas eleições deste ano, iniciando com todo fôlego as investidas para ser lembrado como candidato. Inventam de tudo e prometem tudo, enquanto durar o período eleitoral. Depois, mesmo eleito ou não, simplesmente viram as costas e esquecem das promessas. Vale aí a campanha do Tribunal Superior Eleitoral. Não venda seu voto.

________ 

Dizem por aí que o prefeito está se lixando para a Justiça, que o obrigou a encontrar uma solução e colocar o VLT na linha, antes que apodreça na antiga estação onde estão estacionadas as duas composições que custaram R$ 15 milhões aos cofres públicos. Tem gente que afirma que quem não tem competência para colocar o trem na linha, não tem capacidade de ser gestor numa cidade como Macaé, que tem orçamento de R$ 2 bilhões por ano.

Autor: Oscar Pires

Tags relacionadas:

    Compartilhe: