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Retração da economia ameaça contratações temporárias

Com resultados influenciados pela crise do petróleo, cada vez mais impactante na indústria macaense, comércio tem amargado maus resultados até em datas comemorativas

Em 18/05/2017 às 11h35


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Responsável pela segunda fatia da economia que mais movimenta o município, setor segue sem perspectivas de contratação p Responsável pela segunda fatia da economia que mais movimenta o município, setor segue sem perspectivas de contratação p
Com o gradativo registro de números negativos, a retração do mercado offshore também tem sido determinante para os resultados da indústria e, consequentemente, do comércio macaense - outrora responsável pela contratação de milhares de temporários para atender a clientela local em datas comemorativas. Cada vez mais pessimistas para os primeiros meses de 2017, os lojistas já conseguem prever uma das movimentações mais baixas em comparação aos índices dos últimos três anos.   
Não existe, ainda, uma previsão exata sobre o número de vagas a serem abertas para o segundo semestre deste ano. "Como ninguém sabe se a situação pode piorar ainda mais no fim do ano, não há previsão de admissões como nos anos anteriores", disse Cláudio Miranda, gerente de uma loja no Calçadão da Avenida Rui Barbosa, avaliando que no Dia das Mães, comemorado no último domingo, o estabelecimento teve um acréscimo ínfimo no balanço de vendas (5%) em relação a uma semana comum.

Luana Reis é proprietária de uma loja de roupa feminina, e ela afirma que desde janeiro não tem contratado funcionários para reforçar o atendimento em sua loja, principalmente nas datas comemorativas, devido ao movimento seguir em baixa. 
"Desde 2015 que o comércio macaense vem sofrendo com a retração da crise econômica, mas este ano estamos sentindo muito na pele o impacto e muitos comerciantes da área central  não estão conseguindo manter as portas abertas", enfatiza Luana, reiterando que não haverá contratação de funcionários para as datas comemorativas do Dia dos Namorados, Dia dos Pais e Dia das Crianças, e provavelmente no Natal. 

De acordo com a presidente dos Empregados do Comércio, Mariáh Silva,  infelizmente a tendência é que os temores dos comerciantes perdurem como realidade durante os próximos meses, incluindo o Natal - considerada a data que mais movimenta o setor anualmente.

"No ano passado, o setor e as contratações promoveram um movimento muito tímido no município, assim como em todo país. No entanto, a turbulência piorou. Além da crise no Brasil, houve também a queda do preço do barril de petróleo, crucial na saúde econômica da cidade. Assim, infelizmente, as estimativas para o fim do ano é que os números não apresentem uma melhora em relação a 2016", analisou. 

Não está fácil para ninguém

Na Superintendência Regional do Ministério do Trabalho e Emprego (SRTE), desempregada há dois meses,  Hélida Anchieta é formada em Engenharia de Produção, e  conta que, antes mesmo da demissão da empresa, já buscava novas oportunidades de trabalho no município e região, mas até agora nada. 

"Não está fácil. Tenho gasto quase R$ 80 por semana, apenas com passagens de ônibus e lan-houses, com o objetivo de enviar currículos por e-mail. É muito amargurante, pois o tempo vai passando e o dinheiro acabando na conta, sem qualquer perspectiva de chamada para um novo serviço. Mas não tem jeito, tem que continuar na luta", contou Hélida que, para ajudar no orçamento mensal, tem feito renda extra para ajudar a família.

Já para o operador de máquina, Vinicíus Pimentel, também envolvido no processo de demissão coletiva de uma empresa offshore, a situação é igual.

"Mesmo no aguardo da saída do seguro-desemprego, estou enviando  meu currículo para vários lugares. Não dá pra depender de um salário mínimo para viver", explicou. 

Fora do mercado de trabalho há seis meses, o caso do estoquista Flávio Rondon é ainda mais desesperador.
"Trabalhava no comércio, e fui demitido em novembro. Como resultado, passados alguns meses, até tentei segurar, mas não teve jeito, tive que tirar minha filha da escola particular e vou vender minha moto", pontuou. 

Autor: Cristian Kupfer

Foto: Kaná Manhães


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Tags: economia


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