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Manobra de aliados evita a convocação de prefeito

Bancada do governo esvazia plenário e prejudica requerimento que visa esclarecer acidente

Em 20/04/2017 às 12h49


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Com parte dos escombros na mão, Maxwell cobra explicações do prefeito sobre acidente Com parte dos escombros na mão, Maxwell cobra explicações do prefeito sobre acidente
Em pleno processo de discussão, vereadores aliados do governo deixaram o plenário do Legislativo e prejudicaram a votação do requerimento 217/2017, de autoria do vereador Maxwell Vaz (SD), que convoca o prefeito Dr. Aluízio (PMDB) para dar explicações sobre a anulação de orçamentos destinados à realização de obras de manutenção do Ginásio Poliesportivo Engenheiro Maurício Bittencourt.

A manobra dos aliados aconteceu no momento em que o vereador-autor já discursava sobre a matéria, considerada como importante para o cenário político de Macaé, ao forçar os vereadores a reassumir lados dentro do parlamento.
Antes da votação do requerimento ser suspensa, Maxwell explicou que o convite feito pelo requerimento tem o objetivo de discutir com o governo a necessidade de promover ações emergenciais, evitando novos incidentes como o registrado na segunda-feira (17).

"Essa é uma situação emblemática para a cidade e muito simbólica para mim. As pedras que caíram de uma altura de 20 metros, do teto do Ginásio, atingiram os portões das casas dos meus filhos. Caíram na rua onde meu neto brinca. O governo precisa se explicar. E esta Casa precisa aprofundar as investigações, tanto sobre o desabamento de parte do prédio, como também sobre a morte registrada no local no mesmo dia", disse Maxwell.

O vereador explicou também que o convite é encaminhado ao prefeito diante de uma sequência de anulações orçamentárias que retiraram os recursos previstos para a realização das obras de manutenção.

"Mais de R$ 5 milhões foram anulados pelo prefeito, retirando do orçamento as verbas destinadas à manutenção do Ginásio. Ele precisa explicar por que não foram feitas as obras necessárias para evitar uma tragédia", disse.
Após Maxwell encerrar a palavra, o presidente da Câmara, Dr. Eduardo Cardoso (PPS), decidiu suspender a discussão e votação do requerimento, devido à falta de quórum.

Dos 15 vereadores presentes na sessão de ontem, apenas Maxwell, Dr. Eduardo, Marcel Silvano (PT), Marvel (Rede), Val Barbeiro (PHS), Julinho do Aeroporto (PMDB), George Jardim (PMDB) e Luiz Fernando (PT do B) permaneceram no plenário durante a discussão do requerimento. Para a votação, seria preciso a participação de nove parlamentares.
"Isso é uma covardia com o cidadão. Um desrespeito à moralidade e ao povo que está vulnerável a acidentes como o registrado no Ginásio. É preciso ter compromisso com o trabalho de vereador e com o povo", disse Val Barbeiro.
Luiz Fernando também criticou a atitude dos parlamentares aliados ao governo.

"Essas manobras fazem parte do atual cenário político de Macaé. Para o prefeito, parece que tudo construído por governos passados não serve. Ele só destruiu tudo que foi feito de bom nesta cidade. Fez isso com o Ginásio, com o Parque da Cidade e com as duas composições do VLT", disse.

Após muita discussão, a votação do requerimento foi adiada para a próxima segunda-feira (24), quando a Câmara realizará sessão extraordinária para reduzir o volume de pautas do plenário.

Em cima do muro

Quem acompanha as sessões ordinárias da Câmara, vê o surgimento de uma nova bancada entre os 17 parlamentares do Legislativo.

É que, após serem considerados como renegados pelo governo, alguns vereadores passam a integrar o bloco dos "em cima do muro".

Apesar da insatisfação com o governo, alguns parlamentares ainda não demonstram, no voto, sua posição contrária aos interesses do Executivo.

Mas, ao deixar o plenário nessa votação, acabaram ajudando a blindar a imagem do prefeito diante do caso do Ginásio.

Autor: Márcio Siqueira marcio@odebateon.com.br

Foto: Wanderley Gil


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Tags: política


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