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15/05/2017 às 17h46m

Mais delações

A semana que passou, na prática, foi um grande exercício para os analistas políticos de plantão. Primeiro, pelo fato de, há tempos, o ex-presidente Lula verberar que gostaria logo de ser ouvido pelo juiz Sérgio Moro que julga na primeira instância os casos da Operação Lava Jato porque acabaria logo com a história de "ilações". Mas, bastou o juiz marcar a data da audiência para tomar o depoimento do ex-presidente para ser iniciada outra batalha nos tribunais. A pretensão dos advogados de Lula para adiar a agenda. Mas, por que mudar a data outra vez? Para ganhar mais tempo?

Ora, não era ele, Lula, que verberava a todo instante que gostaria logo de prestar depoimento? Tomada todas as precauções de segurança, e a expectativa em torno do encontro Lula x Moro, e também de o "exército de Stédile" "invadir" Curitiba com 60 mil militantes em apoio ao ex-presidente, e perdida a batalha nos tribunais para transferir a data - em todas as instâncias superiores - chegou a quarta-feira (10) e lá estavam frente a frente os dois principais personagens da história.

Com o máximo respeito entre todos os representantes da Justiça, do Ministério Público, da Polícia Federal, dos advogados e outros, o depoimento considerado o mais longo até agora, durou cerca de cinco horas e, quando houve a divulgação dos fatos, os brasileiros e brasileiras que ainda acreditam na Justiça, não ficaram tão eufóricos e o "exército de Stédile" não conseguiu arregimentar mais do que seis mil, ou pouco mais de quatro mil, segundo informações das autoridades e dos militantes que chegaram à capital curitibana em cerca de 160 ônibus. Fretados por quem?

Com alimentação paga por quem? Até militantes bolivianos e paraguaios foram flagrados em viagem para Curitiba... Mas, menos de 48 horas depois, o ministro Edson Fachin, agora relator da Operação Lava Jato, decidiu acabar com o sigilo da colaboração premiada dos marqueteiros João Santana e Mônica Moura com revelações de arrepiar. E na sexta-feira a Polícia Federal foi às ruas para cumprir mandados de busca e apreensão além de condução coercitiva, desta vez, para investigar empréstimos fraudulentos no BNDES. Senhores passageiros, apertem o cinto porque, vai vir mais bomba por aí...

A "guerra" do porto

Quem conhece bem e de perto o projeto para construção do Terminal Portuário de São José do Barreto, sabe que a história que vem rolando por aí, plantada nas redes sociais e também em algumas mídias que fazem as vezes da Corte, não tem muito a ver, a não ser para confundir a opinião pública que não sabe mais em quem acreditar. A classe política, com índices bem baixos de credibilidade a começar pelo prefeito que se elegeu no primeiro mandato pelo Partido Verde (PV) e depois bandeou-se para o PMDB comandado por Picciani e Sérgio Cabral, esconde e age nos bastidores para desqualificar quem tem a petulância de enfrentar com reivindicações por mais justas que sejam, artimanhas de fazer corar os que vivem em torno da caixa preta que um dia poderá ser aberta.

O projeto do Terminal Portuário de Macaé, nasceu no primeiro mandato do ex-prefeito Riverton Mussi que não conseguiu ou não quis alcançar a importância do empreendimento. Passou o segundo mandato após a reeleição, deitado sobre o processo que só ganhou peso quando os empresários envolvidos ganharam o apoio das instituições de respeito. Bem, aí já era um pouco tarde porque assumiu o novo prefeito prometendo uma série de mudanças aguardadas até hoje e... nada foi à frente. Veio a crise do petróleo que atingiu não só Macaé, mas o Brasil e o mundo, e começou a via crucis para que nada desse errado. O projeto trocou de mãos e, mais uma vez para que saísse da prancheta, uma série de exigências que, nos bastidores, o que se conta, deixa qualquer cidadão de bem corado, vermelho de vergonha.

Mas, como dizem que o efeito Brasília vem em cascata, não só o parlamento, como a administração municipal, se veem em contradições ao pelo menos dar uma explicação. Até a promulgação de duas leis, necessárias para acelerar o processo, são alvos de conchavos e interesses escusos que não cabem mais no mundo atual, principalmente depois que a Operação Lava Jato começou a fazer vítimas por aqui. Gente, a coisa é muito séria. Até a Odebrecht Ambiental trocou de nome e foi vendida. Esperar o que e de quem uma saída para a situação? Só falta agora o MP investigar o que anda acontecendo por baixo dos panos...

PONTADAS

O comércio continua sofrendo com a crise e não existe, pelo menos a curto e médio prazo, nenhum planejamento para buscar salvação por parte do poder público. As taxas e impostos cobrados continuam altas, muitas lojas fechando e causando desemprego, ainda sem perspectivas para melhorar este ano, até que as reformas sejam aprovadas no Congresso.

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Como vale tudo para quem vem fazendo campanha extemporânea e tem o cobiçado desejo de alçar outra vez o cargo de deputado federal em 2018 e buscar a imunidade parlamentar, os blocos de residências do Minha Casa Minha Vida construídas na Linha Azul, projeto do ex-prefeito Riverton Mussi, vai servindo de base para a atual administração fazer a cama política.

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Embora em todos os municípios, para ser driblada a crise, muitos prefeitos continuem realizando políticas públicas e diminuindo impostos, como o pagamento de ISS, por exemplo, em Macaé não houve nenhuma alteração e são mantidos os 5% cheios, atingindo principalmente a rede hoteleira. Niterói, Friburgo, Petrópolis e até Rio de Janeiro, o ISS cobrado é de 2%. Se não baixar aqui, o desemprego continua.

Autor: Oscar Pires

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